Ui-wando com o pecado original

By anna virginia balloussier

Resenha feita nas coxas (e “nas coxas” é expressão-chave para o assunto que vamos tratar), para o site da @risos, sobre Wando na Virada Cultural. Pois é wando que se recebe. É claro que a versão que foi ao ar ficou curtinha, mas o texto original você pega aqui e balança. Enjoy.

wandow

O osso do ofício está lá. Bem no meio das pernas. Essa a blogueira que vos cora ouviu de uma senhorinha, lá pelos seus 60 e poucos anos. Ao  longo da noite, mais impropérios, desses capazes de fazer tomate corar. Eis a poética de Wando para as massas: que seja eterno enquanto duro.

E ele vem cheio de malemolência, calça e camisa pretas, corrente de ouro com uma cruz dependurada e desde já buço umidecido - região que ganharia ares de Wet ‘n’ Wild ao final do show, parte da programação da Virada Cultural, que varou das 18h de 2 de maio às 18h do dia seguinte, em São Paulo.  Pontualmente às 23h30, Wando está a postos para fazer o que sabe de melhor. Só não se engane: para ser canastrão, tem que ter disposição. Para ser canastrão, tem que ter habilidade. E tudo isso ele tem de sobra. Taí um quinta de primeira.

No palco do Largo do Arouche, o B de Brega piscava em neón, com artistas sem o menor pudor em entoar letras que rimam “paixão” com “solidão”. Brega, claro, é uma questão de ponto de vista. Muitos jovens baixaram por lá, etiquetando como hype este tão dolorido naco que une braço e antebraço. Mas as senhorinhas, ah, com elas não tinha para ninguém: espremida na grade, a mulherada de média 40 a 70 anos formava uma verdadeira Muralha da China, sem deixar ninguém passar.

Wando, que faz a fama e com muito prazer deita nessa cama, sabia provocar. E como. De cara, profere sua frase favorita: “Tá todo mundo com calcinha na mão aí?”. A afirmação positiva vem como um libera-geral de estrogênio. Da calçola da vó ao fio-dental da neta (ou o contrário – século 21, aí vamos nós), os pedaços de pano chacoalharam no ar como hélice de helicóptero. Preparar, apontar… água. Porque (e peço licença para citar dona Matilde, 54 anos, fã do cantor desde os 69 – sic) a hora é de ficar molhadinha. Assim começa a tempestade de roupas de baixo para cima do cantor. Chove, chuva.

O galanteador pega um modelito preto, dá um cheirinho, enxuga suor… Cartas certas para levar o mulherio (e os gays, que por sinal foram bem recebidos por um Wando reloaded, com mente – não pernas - aberta para os novos tempos) vai à loucura.

Todos os macetes do Don Juan do Arouche estavam lá. O sorriso malandro, como quem diz “vem cá, mulher!”, após um tapinha na bunda. As caras e bocas. Tiradas  como “esta música vai para aquela que sabe quando cruzar as pernas e opernas e o momento exato para descruzá-las”. Pouco importou se, em termos de música, o artista só lançasse mão de playback e um “maestro”, que tocava as melodias mais simples em sua guitarra. Aquilo ia muito além de um show de música. Era uma declaração de amor, uma suruba sentimental, um altar coletivo, com centenas de  voluntárias à poligamia ui-wando de paixão.

No repertório, o cancioneiro do homem ciente de que chorar e sofrer por amor é coisa de macho. Tese validada em versos como “estou apaixonado/ e este amor é tão grande”, “eu sei que vou te amar” (com direito à cola na hora de ler o “Soneto da Fidelidade”, de Vinicius de Moraes) e “você é luz, é raio, estrela e luar”, do clássico “Fogo e Paixão”.

Já no começo do show, uma jovem conseguiu furar o bloqueio e se estabelecer na área VIP. Jessica Albuquerque diz ter apenas 20 anos, mas deve à avó, já falecida e de nome Wanda, o amor pelo músico breg… opa, popular. Na frente do palco, esgoelou-se até dizer chega – e, como uma BBB “made in Arouche”, adorou a atençãorecebida. Posava com gosto para as câmeras e colaborou para uma espécie de pedágio afetivo entre cantor e resto da plateia – a mulherada jogava a calcinha, que caía no chão e era relançada ao palco por Jessica (que abaixou um pouco a minissaia jeans para provar que o próprio modelo, vermelho de algodão, tinha ido parar lá em cima). Ao resto da imprensa, Jessica se apresentou com outros nomes. E novas histótias. Performance artística? Lorotas de uma alucinada? Vá saber.

Provocativo, Wando dedicou uma canção, interpretada à capela, “às mulheres gostosas”, e mandou pérolas como “se segura nesse galho que o cacho vai tremer”. E parece ser moda entre os reis arremessar rosas: assim como Roberto Carlos, a terceira atração do Largo do Arouche deu o show por terminado e disparou à sua corte real os botões rubros. Também jogou maçãs e uma variedade de modelos de calcinhas de dar inveja a Kátia Flávia, a godiva que vai da calcinha framboesa à Exocet.

a blogueira ganhou sua maçã ainda no meio do show, endereçada especialmente a ela - e somente ela – com uma piscadela e olhar de latin lover. “Você tem ideia de que todas as mulheres daqui queriam ser você, né?”, ouviu de um fotógrafo, que logo censurou ao saber que o fruto proibido havia sido repassado para uma fã. Ah, Wando, Wando. Pelo visto, o verdadeiro pecado original.

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Uma resposta para “Ui-wando com o pecado original”

  1. Talita A. Disse:

    Wando nas coxas e o pecado original da maçã.

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