Passado visto de perto

Agosto 8, 2009 por anna virginia balloussier

Entrevistei Herbert em Paulínia, pra matéria da @rollingstoneBR de agosto. O director’s cut veio pra cá. Nighty, nighty. Manda um beijo pro Renato. 

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“Meio perplexo”, Herbert Vianna olha para a TV e confessa: “este mané não sabe bem do que está falando”. O mané em questão é ele próprio, vários anos mais moço, contando, com a tranquilidade de quem pede para passar o sal, o que faria se uma tragédia lhe batesse à porta. “Começaria tudo de novo”, o garotão aposta, cheio da galhofa típica do rockstar que só teme frigobar vazio em quarto de hotel.

O confronto do homem de 2005 com sua versão 18 anos mais jovem está em Herbert de Perto, documentário dirigido por Roberto Berliner, camarada desde os tempos em que Circo Voador era point no Arpoador (Rio de Janeiro), e Pedro Bronz. As cenas do próximo capítulo você já conhece: em 2001, um ultraleve com Herbert e sua mulher, a inglesa Lucy, caiu no litoral de Angra dos Reis (RJ). Ela morreu; ele, não. Além das sequelas sentimentais, as físicas também não foram bolinho: o paraibano ficou paraplégico.

O “meio perplexo” Herbert talvez não estivesse pensando em “Perplexo”, hit do álbum Big Bang (1989), quando fez o comentário. A letra, no entanto, ganha sentido especial na nova fase: “Mandaram avisar/ Que agora tudo mudou/ Eu quis acreditar/ Outra mudança chegou”.

“Se pudesse escolher uma biografia, seria mais ou menos a que estou tendo agora”, conta à Rolling Stone Brasil o irmão mais novo do antropólogo Hermano Vianna. Pasmo? Não fique: para ele, não tem essa de “escorregar por caminhos telenovelísticos e lacrimogêneos”. O acidente foi, sim, divisor de águas. Mas, se a vida lhe deu um caixote, o artista não quis submergir, “pois Lucy odiaria ver isso acontecer”. Para ela, aliás, compôs “De Perto”: “Sonho em fazer pro nosso amor/ uma bela canção/ que me traga paz/ sem culpa ao coração”.

Foi em 1982 que os caminhos de Berliner e Herbert cruzaram. Naquela época, o carioca filmava shows da galera do Circo – de Kid Abelha a Celso Blues Boy. De lá pra cá, o diretor assinou clipes para os Paralamas (“Alagados”, “Trac-Trac”) e ganhou cafofo cativo no lado esquerdo do peito do frontman. De 200 horas de gravação – inclua aí muito material de arquivo com aquele desengonçado roqueiro de óculos nerd e moletom do Mickey –, Berliner pinçou os 97 minutos que compõem o doc sobre o amigo.

O impulso de registrar o que via pela frente – e pedir reforço, como vídeos produzidos por enfermeiros – ganhou fôlego nos dias seguintes ao acidente. “Herbert tinha acabado de sair do coma. Na primeira vez em que entrei no quarto, ele falava em português, inglês e espanhol; tudo rimava; letra de uma música ia com a melodia de outra. Pensei, ‘caramba, que momento rico!’. As coisas saíam sem censura.” Como quando a enfermeira perguntou o que Herbert desejava comer – e eis que ele manda na lata: “O seu…”. Melhor deixar para lá.

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O líder do Paralamas não lembra muito desses momentos iniciais. O que lhe interessa, agora, é usar seu “espírito pós-punk para reconstruir um novo ponto de vista” – no caso, o de alguém que vê o mundo de uma cadeira de rodas, “olho a olho com o público”. Na lista de projetos futuros, está um disco no qual cantará composições suas gravadas por terceiros. Entre elas, “Nada Por Mim”, com a ex-mulher Paula Toller, e “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim”, consagrada por Ivete Sangalo.

Se a carga emocional tinha tudo para ser a perfeita casca de banana para os temíveis “escorregões lacrimogêneos”, a dupla de diretores põe a produção a salvo dessa furada. O que ficou mesmo foram resíduos do “bom-mocismo” de Herbert – acredite, é possível fazer um filme sobre rock sem drogas. “Sou há muito tempo visto assim. Lobão, por exemplo. Para ele, éramos os filhinhos de papais que não agrediam nada nem ninguém.” E agora? “Pós-cadeira, ele é gentil”, afirma. Mas sem acidez. Não quer cutucar o passado com vara curta. Não é a dele. Assim, de perto, Herbert não tem nada de fera ferida.

Jards Macalé apresenta

Julho 24, 2009 por anna virginia balloussier

Matéria a jato, feita em meia hora (mesmo), pro site da @risos. Vou postar só porque pago pau pro cara.

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Ideia na cabeça ele tinha para dar, vender e fazer fiado na praça. A câmera na mão veio em 1969, quando Jards Macalé caiu “no meio da selva, num festival da Amazônia”, poucos dias após apresentar “Gotham City” no 4º Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho.

“Fiquei com essa filmadora até 1987, quando ela desapareceu magicamente”, contou o cantor, compositor e violinista, apontado como enfant terrible da música brasileira (contra sua vontade, pois ele acha a nomenclatura de uma bobagem sem igual). O passe de mágica, felizmente, não afetou o acervo de Super 8 do músico. Se assim fosse, uma chance preciosa escorreria ralo abaixo: sacar como era a vida da turma que zarpou para as bandas europeias durante a Ditadura Militar.

Tente imaginar isto: durante auto-exílio em Londres, Macalé e Caetano dividem apê. Gil, também escapulido do Brasil, dá sempre as caras. Na cidade também estão Glauber Rocha, Júlio Bressane e Rogério Sganzerla, o trio ternurinha do cinema brasileiro experimental. “Todos espalhados por lá. Tinha uma ‘tchurma’ boa”, Macalé viaja no tempo.

Agora, várias dessas cenas, a maioria inédita poderão ser vistas no Multiplicidade, evento que rola nesta quinta, 23, no Oi Futuro do Rio de Janeiro. Quem deu um jeito no arquivo – para o músico, acima de tudo “um álbum de retrato de mim pra mim”, pelo qual “ninguém se interessava” – foi o cineasta Samir Abujamra, do coletivo experimental A Organização.

Na garupa da proposta multimídia do Multiplicidade, o “Cine Macalé” vai estar rolando enquanto o músico manda ver parcerias dele com Waly Salomão (“Vapor Barato”, “Dona de Castelo”) e músicas de Zé Keti (“A Voz do Morro”) e Moreira da Silva (“Acertei no Milhar”),  entre outras.

Vai ser uma boa chance de ter uma palhinha do que foram aqueles loucos anos 70 – quando a “hora do chá” podia trazer sabores bem mais lisérgicos do que aqueles indicados pela Rainha a seus súditos. Um dos filmetes em Super 8, por exemplo, mostram o primeiro ensaio de Transa, LP lançado em 1972 por Caetano Veloso. “Fizemos piquinique num parque e começamos a ensaiar lá mesmo”, explica Macalé, que fez arranjos para o disco, eleito pela Rolling Stone Brasil como a oitava melhor sacada de toda a discografia brasileira.

Para aquela “tchurma”, a união fazia a força. Estamos falando de uma época em que até o paleozoico Windows 3.x soaria papo de Jetsons. As notícias do Brasil, portanto, só chegavam via carta, telefone ou pessoas recém-chegadas na Europa. Mas Macalé insiste em um ponto: o que fazia com sua filmadora “não é muito diferente do que você fazem hoje com filmadorazinhas de última geração”.

A ideologia do flagra e da espontaneidade continua (“eu  não avisava, chegava filmando”). A qualidade é que ficou uma coisa gozada, segundo o cineasta amador. “É interessante, hoje, ver como o filme em si ganha tonalidade, parece pintura.” Dá para ouvir a gargalhada do outro lado da linha antes de a voz rouca, que caracteriza uma performance cheia de personalidade no palco, continuar: “Meio Van Gogh, sabe?”.

O filmes eram tremidos e, não raramente, fora de foco. A impressão que passa é de vídeo-arte proposital. Macalé, aliás, já se engraçou por essas veredas, em trabalhos com os artistas Hélio Oiticica e Lygia Clark, entre outros “A multimídia não é tão nova quanto pensam. É o ontem de amanhã com outro nome”, ele tira onda.

O desleixo das imagens pode até conferir ar cool aos filmes. Mas sufoco mesmo era rodá-los nos projetores. “As máquinas eram loucas! Comiam filmes. Verdadeiro horror.” O problema será resolvido em breve, já que boa parte do acervo está sendo digitalizado. O tesouro está a salvo.

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Direção perigosa pela via pública

Julho 19, 2009 por anna virginia balloussier

Não é só tempo perdido. É fazer do seu, do meu, do nosso dinheirinho papel higiênico de elefante. Vira e mexe o cara vai lá e pega uma graninha com a Lei RuaNele (que só manda mesmo é bom senso para o olho da rua). Tudo para cometer barbáries em nome do bom se velho cinema brasileiro.

Pior é que quem paga a conta é você, my fella espectador, acostumado a tantas cagadas no cinema mais perto de você - ou a gente acha que lamber o prato da curtura não é a mesma coisa do que limpar a bunda dos cineastas a serviço da nação? Talvez não seja o caso de falarmos em Retomada, e sim Freada – mais popularmente conhecida como Badalhoca, essa corrente de desopilamento da sétima arte brasileira. Cinema para os anais da história.

É claro que nem tudo é descargável. O problema é que, para cada Estômago, são 10 socos no estômago. E vale pra tudo. Entram no mesmo balaio filmes “de arte” (já ouviu falar de Siri-Ará, de Rosemberg Piriri, quer dizer, Cariry? não? continue assim) e garanhões da bilheteria como Divã (“Freud, explica?” “Agora? Tá na hora do jogo, porra!”).

E para não dizer que eu, como tantos, só faço reclamar, vai a CAIXINHA DE SUGESTÕES: a criação de uma lei para que todo cineasta patrocinado pelos cofres públicos ande por aí com uma plaquinha pendurada no fiofó. Nela, virão os dizeres:  ”COMO ESTOU DIRIGINDO?”.

como-estou-dirigindo“Como um asshole”

Memórias que bebi, memórias que inventei

Julho 19, 2009 por anna virginia balloussier

Estávamos todos no bar, e aí Raulzito se virou a Irina Palm e disse: “Toca Raul!”.

Poucas coisas são piores do que a combinação sexo, praia, areia, rego. Não transar é uma delas. Se tocar que o cara está fantasiado de Vera Loyola é outra.

Quando soube que o Michael Jackson havia morrido, eu usava blusa de florzinha, jeans, All-Star. E um cachimbo.

bed2“Ele se mexia muito durante o sono”

Propagandas improváveis de vingar algum dia

Julho 13, 2009 por anna virginia balloussier

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O Rio Sul se vende como “o mais carioca dos shoppings”. Carioca, em tupi-guarani, quer dizer algo como “cafofo de branco”. A lição do dia é por conta da casa.

Dia de princesa

Julho 1, 2009 por anna virginia balloussier

Porque eu nunca duvidei que existisse uma princesa dentro de cada uma de nós.

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As imagens fazem parte do ensaio Fallen Princesses, de Dina Goldstein.  “Em todas as imagens as princesas são colocadas num cenário articulado com os conflitos correspondentes”, ela explica. Felizes para nunca  – that’s the spirit, folks.

O dia em que Jean-Luc Godard se juntou à Aliança Galáctic

Junho 12, 2009 por anna virginia balloussier

Já que não posto nada desde 1876 – e porque a chefinha da @risos foi especialmente Edward – Mãos de Tesoura na hora de editar a matéria -, taí materiazinha fastfoward com Matheus Souza, o mané de Apenas o Fim, que estreia hoje. Cara é gente boa.  E eu já chamei de Mallu Magalhães do cinema. Taking that back.

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Orçamento de Homem-Aranha 3: R$ 500 milhões. Vicky Cristina Barcelona: R$ 30 milhões. Apenas o Fim: algo em torno de R$ 8 mil.

Sam Raimi, Woody Allen e Matheus Souza dirigiram, respectivamente, as três obras acima. Óbvia é a diferença entre a primeira, blockbuster até o caroço, e a segunda, do cineasta que fez do óculos de aros grossos uma espécie de crachá do movimento indie.

Souza gastou o equivalente a 0,0016% e 0,027% do custo desses filmes, nesta ordem, para sua estreia no cinema. Rapazote que cursa o penúltimo período de Cinema da PUC-RJ, ele chegou a rifar uma garrafa de uísque para ajudar a contar as últimas horas do relacionamento de um casal, vivido por Érika Mader (a gatinha que resolve sumir do mapa) e Gregório Duvivier (o nerd com – finja surpresa – óculos de aros grossos). Com uma única locação (a faculdade do diretor estreante) e equipe formada basicamente por estudantes, além da mão de ouro da produtora Mariza Leão (Meu Nome Não É Johnny), o filme, que entra em cartaz nesta sexta, 12, mandou bem nos festivais. Tanto na Mostra de São Paulo como no Festival do Rio, foi eleito melhor filme no voto popular. Fora isso, rendeu ao universitário cafunés de dois bambas do cinema brasileiro: Bruno Barreto e Domingos Oliveira – esse, além de lhe ter entregado a direção da nova montagem de Confissões de Adolescente, dá ao pupilo conselhos amorosos (“o melhor jeito de reconquistar uma garota é com uma dúzia de rosas brancas”) e roteiros “que adoraria que eu dirigisse”. Ao que tudo indica, Apenas o Fim é só o começo para Souza.

Uma pane na Telefônica deixou na mão os telefones de boa parte de São Paulo, onde fica a redação da Rolling Stone Brasil, justo no dia em que a reportagem do site marcou para bater um papo com o diretor. Nenhum problema para alguém a quem as referências pop vêm tão frenéticas como um carrão-robô do Transformers. Cria da geração online – há menos de três anos ele precisaria de uma identidade falsa para comprar uma cerveja -, Souza terminou a entrevista por e-mail. Nada mais normal para o garoto que, no roteiro de Apenas o Fim, cita de Jean-Luc Godard a Star Wars com a naturalidade de quem faz biquinho francês para reproduzir um diálogo entre os robôs C-3PO e R2-D2.

E lá se foram meses desde que Apenas o Fim estreou, no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. O que você está fazendo agora?

Estou comendo muito biscoito de polvilho e miojo com ovo feito no micro-ondas. É só isso que tenho tido tempo de comer nos últimos dias. Escrevi o roteiro para uma revista em quadrinhos que será publicada no site Oi Quadrinhos e faço sete matérias na faculdade (daquelas que a gente adia pro final do curso). Estou também dirigindo a nova montagem para o teatro de Confissões de Adolescente, a primeira que não será dirigida pelo Domingos Oliveira. A peça deve estrear no Teatro das Artes (Rio de Janeiro) em agosto, com texto adaptado por mim e pela Clarice Falcão. Na área do cinema, além do lançamento comercial do Apenas o Fim, preparo dois novos filmes.

Depois do sucesso do filme, você virou tipo um superstar na faculdade?

Os professores me tratam como qualquer outro aluno: me dão falta, pegam no pé etc. Mas a maioria compreende. Quando eu perco um trabalho importante por estar num festival, por exemplo, me dão uma segunda chance. A minha sorte é que eu sempre fui bem CDF, então, mesmo cheio de compromissos e com a vida social arruinada, continuo a me virar bem com as notas. Com os alunos também não mudou muita coisa não. As garotas continuam a não me achar muito atraente, o que é triste, visto que entrei nessa profissão justamente por causa disso.

Quando o filme saiu, você caiu nas graças de Bruno Barreto e Domingos Oliveira. Continua em contato com eles?

O Bruno eu tive menos contato depois, mas o Domingos super me adotou. Ele conta que, assim que saiu da exibição do meu filme no Festival do Rio, saiu procurando minha mãe para saber se eu era um filho bastardo que ele tinha perdido por aí. Me chama para comer pizza, para viajar com os amigos, me dá conselhos amorosos e me ensinou que o melhor jeito de reconquistar uma garota é com uma dúzia de rosas brancas. Ele me convidou para ser assistente de direção numa peça que ele ia protagonizar e acabou me escalando para fazer o papel dele também. Entregou o Confissões de Adolescente para eu dirigir e diz que tem uns roteiros que adoraria que eu dirigisse.

Como é o novo roteiro? Você já falou de temer a “maldição do segundo disco”… (Na sessão de estreia da Mostra de SP, em conversa com a repórter, Souza comparou um novo filme “com o segundo álbum do The Killers”.)

Fiquei muito na dúvida de que tipo de filme fazer depois do primeiro. Fiquei analisando o que duas bandas que gosto muito fizeram após o sucesso do primeiro CD. O Strokes investiu no “mais do mesmo” tentando melhorar, é claro, mas fazendo coisas novas dentro do mesmo estilo. E teve momentos brilhantes como “The End Has No End” e “Under Control”. Já o Killers apostou numa nova sonoridade, em ampliar os horizontes, virar o U2 e blá blá blá. E tem momentos chatos como “Uncle Johnny”, mas de resto, Sam’s Town é meu CD favorito da banda. Então, na dúvida entre os dois caminhos, resolvi trilhar os dois ao mesmo tempo. Estou fazendo um filme chamado Por Enquanto (cujo título original, antes de me censurarem, era Não Deixe a Julia Ir Embora ou o Que Aconteceu Enquanto o Chinese Democracy Era Gravado), nos mesmos moldes do Apenas o Fim. Baixíssimo orçamento, ninguém ganhando nada, equipe formada por amigos. O filme fala sobre um cara que acordava todos os dias com uma frase na cabeça: “Não deixe a Julia ir embora”. Só que ele (o protagonista) nunca conheceu nenhuma Julia. No elenco estão Domingos Oliveira, Gregório Duvivier (meu Johnny Depp), Vitória Frate e eu. O segundo projeto, meu Sam’s Town, é maior. O filme (Pessoas Felizes) fala sobre duas pessoas muito infelizes que se encontram em certo ponto de suas vidas e decidem fazer algo para sair dessa situação. Criam e seguem então uma lista de coisas para fazer que chamam de “como ser feliz”, baseada numa série de livros de auto-ajuda, que tem itens como “se vingar de todas as pessoas felizes do planeta”.

Quando você terminou Apenas o Fim, ficou com medo que virasse “filme-de-um-público-só”?

Eu lia muitos livros de diretores e nove entre 10 diziam que o melhor jeito de aprender a fazer cinema era filmando. Então eu fui lá e filmei pra aprender. Nunca imaginei que o filme fosse ganhar prêmios, que fosse passar na Holanda e ser convidado para um festival na Eslovênia. É um filme, afinal que não sei é bom ou ruim, mas é bem simpático e funciona incrivelmente bem para um público determinado. É um filme jovem, feito por jovens, sobre um casal jovem. Mas, ao mesmo tempo, fala sobre o tema mais universal do mundo, relacionamentos. Qualquer um, de qualquer idade, já passou por um término de relacionamento. E é por isso que muitos adultos saem emocionados da sessão. Agora que vai ter gente que não vai gostar também, é um fato, e críticas fazem parte da profissão.

Qual foi o comentário mais esdrúxulo que recebeu pelo filme?

Alguém postou no Twitter que era o “fofomovie” do ano. Achei engraçado.

Jean Luc-Godard ou Kevin Smith?

Paulo Coelho (brincadeira). Impossível escolher. Um revolucionou o cinema, o outro me arranca lágrimas toda vez que eu assisto Procura-se Amy.

Lady Gaga ou Brigitte Bardot?

Scarlett Johansson (sério).

Uma canção que te defina.

“Eu Tô Tristão”, do Casseta & Planeta (brincadeira). “Cara Estranho”, Los Hermanos (brincadeira). “Creep”, Radiohead (brincadeira). “Eu Só Te Amo Porque Você Gosta do Woody Allen”, da minha antiga banda, Os Caras Legais. Se não valer, “I’d Rather Dance With You”, do Kings of Convenience.

O filme que você gostaria de ter rodado.

Uma Escola Atrapalhada, com os Trapalhões, o Supla e a Angélica. Deve ter sido a coisa mais divertida do mundo. E eu sempre choro no final.

Qual foi a referência pop mais tosca que você já usou?

O protagonista do Apenas o Fim diz que Transformers é melhor que todos os filmes do Godard juntos. E o filme passou em Paris, com um crítico da (revista de cinema) Cahiers du Cinema na platéia. Baita situação. Mas sério, Bumblebee + Megan Fox não dá pra resistir, a Nouvelle Vague que me perdoe.

Domínio público

Maio 30, 2009 por anna virginia balloussier

Pop goes my heart

Maio 30, 2009 por anna virginia balloussier

Nada como Lou Reed (“Metal Machine Music”, no mínimo) na segunda, um Mozartezinho de leve na terça, dodecafonismo na quarta e… McFly na quinta. Yeah, baby. Pop to the core. Para quem acabou de voltar de Marte, McFly é a versão “do mal” do Jonas Brothers. Para quem acabou de voltar de Plutão, Jonas Brothers é o novo Hanson – três irmãos bonitinhos que fazem a cabeça da garotada. Fui cobrir o show no Via Funchal, quinta (28), e fiz resenha. A versão “gêmea boazinha” taqui, no site da Rolling Stone. A gêmea malvada, versão uncut, veio pra cá. As fotos são do Stephan Solon. Saboreie com moderação.

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Não se deixe levar pelas aparências. A turbe de garotas (maioria) e garotos (poucos, mas páreos em nível de histeria) que se aglomerou na noite de quinta, 28, na Via Funchal, para o show dos britânicos do McFly, pode parecer inofensiva, a julgar pelas espinhas no rosto e altura que ainda espichará bons centímetros nos próximos anos. Entre os seis mil na plateia da casa de shows paulistana, inclusive alguns pais em dupla jornada de babá-motorista da prole, a idade média era de quem tinha chegado aos dois dígitos de idade há, no máximo, cinco anos. Mas a fúria dos jovenzinhos para defender com unhas (quase sempre coloridas) e dentes (de leite não faz tanto tempo assim) seus ídolos é tão intensa que, por um instante, leva a repórter à reflexão. Será que, perto disso, uma festinha do Hell’s Angels seria tão intimidante quanto um patinho de borracha?

O show começa cinco aceitáveis minutinhos após o horário marcado, 21h30, cerca de 100 horas depois da apresentação de outro fenômeno pop atual, o Jonas Brothers, na capital paulista. E a promessa, rezam a lenda e o marketing, é uma reedição da disputa sessentista entre os bonzinhos Beatles (ao menos no começo de carreira) e os rebeldes Rolling Stones. Enquanto os irmãos da Disney vestem a auréola do pop, adotando o polêmico anel de virgindade, Tom Fletcher (vocal e guitarra), Danny Jones (vocal e guitarra), Dougie Poynter (vocal e baixo) e Harry Judd (bateria) gastam 1h30 para fazer um “pop ‘n’ roll do mal”.

Com reforço do tecladista Jamie Norton (nota dissonante ao quarteto, com sua aparência quase andrógina e jeito de pacato cidadão), o grupo seguiu repertório semelhante ao tocado em Manaus, Fortaleza e Recife, cidades pelas quais já passaram na série de shows pelo país – eles estiveram por aqui há poucos meses e voltaram graças à insistência de fãs, que chegaram a organizar abaixo-assinado pela volta dos rapazes. Para abrir a noite, “One for the Radio”, que de cara mostra a que a banda veio: com faixas banhadas em elixir pop e apoiadas por extremo carisma dos integrantes, o McFly faz por merecer os dias de jejum no recreio, para que muitas meninas pudessem gastar a mesada com álbuns, pôsteres e afins.

Mostrando-se cientes de que a crise na indústria fonográfica não está para brincadeira, os britânicos entre 21 e 24 anos sabem que precisam tratar cada cliente-fã como se fosse o único. Não à toa, Harry, escondido na bateria a maior parte do tempo, se interrompe certa hora para falar que “gostaria de beijar cada uma de vocês” (a cortesia se restringe ao público feminino, porque eles são rebeldes, mas nem tanto).

mcfly2 Saca o pontinho  branco ? Olá, Danny

À segunda música, “Everybody Knows, sucede-se “Do Ya” – uma aula de pop, com melodia que remete aos grupos vocais dos anos 1950 e a despretensão na medida certa para atingir os ouvidos dos mais taciturnos críticos do rock. Porque uma coisa é importante compreender: se é para ver o McFly em ação, melhor jogar o preconceito a uns três metros de seu corpo. Apesar da etiqueta “rebelde”, conquistada em grande parte pela comparação com a fábrica de hits da Disney Jonas Brothers, o McFly é tão malvado como Mickey Mouse fazendo uma tattoo. De henna. A traquinagem não passa disso. Sai na primeira lavada. O que eles querem mesmo é fazer a audiência desafiar a gravidade, ficando o maior tempo possível com o pé fora do chão.

E, com a sequência Obviously” -“Tranny” -“Corrupted”, eles fazem o público pular como se não houvesse amanhã – aliás, amanhã de manhã, já que a maioria acordava cedinho para a escola. Nessa última, Dougie, o mais “coelhinho Duracel” dos pilhados britânico, simula movimentos sexuais, alisando as mãos no tórax e ondulando o corpo com um doce balanço a caminho do mar de fãs. Terminada a faixa, vem a primeira frase em português. “Oi, tudo bem, tudo bom. Bem-bom.” A garotada talvez não tivesse pescado a ambiguidade da expressão “bem-bom”, mas um pai-babá não conteve a risadinha

A banda engata com “Falling in Love”. É o tipo de música que cabe, perfeitamente, em uma daquelas cenas clássicas de um filme de escola norte-americano, em que o mocinho irrompe a cantar no meio do refeitório, trepado nas mesas, com um coro de estudantes – tudo com a naturalidade de quem pede: “Passe o sal, por gentileza”. Quase seis mil corações deram um duplo twist carpado ao longo do número, com a esperança de que a letra melosa fosse direcionada a cada fã em particular.

O nome McFly vem de Martin McFly, da franquia De Volta Para o Futuro. Mas, ao contrário do viajante do tempo interpretado por Michael J. Fox, o britânico se afasta das boy bands do passado. Esqueça os passos coreografados, as megaproduções com cenários e fantasias quase carnavalescos e a tipificação de cada “boy” – um visivelmente mais roqueiro, outro no estereótipo do latino, outro com pinta de “filhinho da mamãe”. Os britânicos, pelo menos para quem não tem know-how de um fã de carteirinha, são mais homogêneos nesse sentido. São apenas eles, no palco, quicando de lá para cá com seus instrumentos, com a boa aparência de quem foi capitão do time durante os tempos de escola. 

As próximas canções foram “Room on the 3rd Floor”, “That Girl”, “Down Goes Another One”, “Star Girl”, “P.O.V.” e “All About You”. Nesta segunda parte a apresentação, a banda dialoga mais entre si. Tom, a pedido dos outros integrantes, rebola no palco, para mostrar que é “shaky-shaky”. Dougie bate um papo com seu baixo em voz de bebê, com se ele fosse sua namoradinha e precisasse ser mimado. Tom pergunta se todo mundo segue a Tom com uma linguinha digna de Gene Simmons, o “diabo” do Kiss – não, eles não se beijam, mas é por pouco: o “bromance” (corruptela para “brother + romance”, adotada para caracterizar afeto entre amigos homens) não vai além de um estalo molhado no pescoço do guitarrista. Danny anuncia “uma canção muito sexy”. Dougie solta um senhor arroto. Eles elogiam os peitinhos (!) das brasileiras. O baterista mostra o que aprendeu em português: “Soltar pum!”. Pequenas cenas que fazem cada ala do Unidos do McFly se sentir trocando uma ideia com os britânicos, de repente não mais os inatingíveis astros internacionais.

Antes do bis, anuncia-se, com falso fatalismo, a última música: literalmente, a faixa “The Last Song”, um pequeno hino pop-rock, que posiciona a banda entre Jonas Brothers e Blink 182. Eles voltam, ainda, para tocar “Lies” e “5 Colours in her Hair”, com Dougie ricocheteando pelo palco, e os guitarristas se contorcendo como uma pomba gira. Com um “massive trank you”, se despedem jogando à plateia pequenos souvenires: inclua aí toalhas encharcadas de suor e até um chafariz de água, gargarejado e cuspido em direção às primeiras filas. O nojo de um é o triunfo de seis mil outros.

mcfly3Harry Judd: “Eu quero beijar cada uma de vocês!”

Numa noite em que bastava estar na casa dos 20 anos para já ser tomado por “tiozinhos e tiazinhas”, o fim da apresentação foi sinal para que as lágrimas começassem a desabar. O público paulistano ganhou a honra de ter ouvido que foram “a melhor audiência que já tivemos no Brasil”. alguém mais cínico desmereceria o cafuné alegando que “eles dizem isso para todas”. Mas, no coquetel molotov de hormônios, cinismo não tinha poder de fogo. Deixa isso para o tal do rock ‘n’ roll.

Agora a gente sabe o duro que ele deu

Maio 23, 2009 por anna virginia balloussier

Texto feito na pressa nossa de cada pauta, para o site da Rolling Stone. Tinha visto o filme há séculos, no Festival de Paulínia, então a memória não era nenhum pão fresquinho quando escrevi. Enfim. Boa mesmo é esta notícia aqui. 

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Wilson Simonal costumava ser o Pelé das rádios. Mas acabou chutado para as últimas divisões da música brasileira.

Na década de 60, fez e aconteceu: regeu um coro de 30 mil pessoas no Maracanãzinho com “Meu Limão, Meu Limoeiro”, levou com um pé nas costas dueto com a sempre intimidante diva do jazz Sarah Vaughan e gozou de popularidade que só encontrava rival à de Roberto Carlos. Dele surgiu, ainda, o bordão “alegria, alegria”, devidamente caetanizado depois.

Mas, a partir da década de 70, sua carreira desancou ladeira abaixo. E desceu o fundo do poço. Lá ficou até a morte do cantor, em 2000, aos 62 anos, por problemas de saúde decorrentes do alcoolismo. Em 1971, um episódio nefasto, que lhe salpicou com a pecha de “dedo-duro da ditadura”, fez com que a breve menção de seu nome disparasse sirenes entre a classe artística. Outrora amado pelas massas, encontrou o fim da linha justamente quando todo um novelo de sucessos ainda estava para se desenrolar à sua frente.

Em cartaz nos cinemas, o documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei, codirigido por Cláudio Manoel (sim, o “Seu Creysson” de Casseta e Planeta), Micael Langer e Calvito Leal, quer ver essa história passada a limpo – e não em nuvens brancas. E, em 84 minutos, vai atrás do vespeiro que, por quase quatro décadas, ninguém fez questão de cutucar. Seja para ver se dali saía o mel de um dos artistas mais populares que o país já teve, seja para encontrar o fel de um colaborador do regime militar, num momento em que vários artistas iam parar no saguão do aeroporto, rumo ao exílio; ou, pior, num lugar onde o buraco era mais embaixo: os famigerados porões do DOPS.

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Pai dos também músicos Max de Castro e Simoninha, o cantor foi comentado, no filme, por detratores da época, como Ziraldo, Sérgio Cabral e Jaguar – todos d’O Pasquim, jornal famoso por jogar política e sátira na mesma panela para ver no que dava. Com ou sem mea culpa. Já Boni, então chefão da Rede Globo, confessa que o cantor chegara a ser boicotado na emissora. Simonal pegava mal, com o perdão da rima. Do outro lado, foi lambuzado de elogios por Pelé, Nelson Motta e Chico Anysio – que viu a queda do típico “boa-praça” carioca como fruto “de um tempo de intolerância”.

A acusação de ser informante do SNI (Serviço Nacional de Informações) começou quando Simonal quis dar basta a uma coceira chatinha: desconfiava que seu contador estava o passando para trás. O músico, que – hoje a tese mais difundida – não bambeava nem para a direita, nem para a esquerda, tinha uns camaradas no DOPS. Alienado (o que não necessariamente quer dizer “aliado”) dos choques políticos do país, mandou um segurança seu (o tal agente do DOPS) ir lá “dar uma coça” no sujeito. E o cara chamou os amigos. Todos do órgão de repressão. Entrevistado pelos documentaristas, o contador, hoje recluso, negou a denúncia – alegou ter inventado a confissão após uma dura dos oficiais.

Daí para Simonal ser acusado de entregar diversos colegas da classe artística foi um pulo. E a queda foi feia. Isso tudo sem que um nome sequer de “dedurado” tenha surgido. Em entrevista ao site da Rolling Stone Brasil, Max de Castro lamenta “pelas coisas que aconteceram como aconteceram”. Mas diz que seu pai dançou no tribunal histórico sem ter direito de se defender. “Ele acabou sendo vítima do processo.” Mas e quanto à fatídica noite de 24 de agosto de 1971, quando agentes do DOPS estacionaram o Opala do artista à porta da casa do contador Raphael Viviani? “A atitude que ele tomou naquele momento…” Do outro lado da linha, uma pausa. “A gente tem que entender que todo ser humano erra. Errar faz parte da essência humana.” Max Também não teve vontade alguma de encarar o pivô do baque do pai. “Não tenho nenhum vínculo emocional.”

A tese do filme é clara: por ingenuidade, alienação ou pleno desinteresse, Simonal não ligava para política. Sua vida não era Ipanema. Definitivamente, ele não fazia, sequer o desejava, parte da intelligentzia carioca. Sua boemia era suburbana – e com orgulho. Para ele, as coisas se resolviam no braço, “entre homens”, mas isso não quer dizer que ele fez jus à fama de “dedo-duro” que tanto o assombrou.

O documentário não dá um ponto final no caso, mas abre novo capítulo de um livro que por muito tempo o Brasil tentou esconder na prateleira mais alta, da estante mais afastada. Mais do que ir atrás dos porquês,  é vital entender como o país conseguiu despachar “para a Sibéria” (termo usado pelo já falecido jornalista Artur da Távola) um artista tão onipresente nas paradas brasileiras.

O assunto não era muito tocado na casa dos Simonal, “pois éramos pequenos para entender”, disse Max. Mas o músico lembra de que a família teve de deixar Ipanema (“coração da intelligentzia carioca; onde o clima era muito hostil”) para “fugir das perseguições”. Acabaram se mudando para São Paulo, em parte para aliviar “os problemas emocionais que minha mãe teve”.

Além do documentário, no que já vem sendo chamado de “ano Simonal”, está para sair uma caixa com nove álbuns feitos entre 1961 e 1971 e a biografia Nem Vem Que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal, do jornalista Ricardo Alexandre. Para Max, os 84 minutos de fita não teriam como dar conta de tanta história. “Assistindo ao documentário, parece que todo sucesso de meu pai aconteceu da noite para o dia. Mas foram anos. Desde shows em boates, para público de 40, ou quando ele estreou no Beco das Garrafas (famoso pico da boemia carioca da época, em Copacabana) até os 30 mil do Maracanãzinho.”

Simonal 08

Simonal, para o filho, deixou seu legado, ainda que “muita gente – principalmente os que nasceram dos anos 1970 para cá – não pudesse nomear, reconhecer a referência”. Djavan, por exemplo, começou cantando o repertório do autor de “Nem Vem Que Não Tem” em bares de Alagoas. “O próprio Luiz Melodia chegou para mim, em uma pré-estreia (do doc) no Rio, e disse que foi influenciado por meu pai, no início da carreira. Mas de repente alguns músicos sacaram que talvez não fosse tão bacana citar meu pai como referência. Isso poderia queimar o filme do cara.”

A iniciativa de Cláudio Manoel em levar o filme adiante foi, ainda hoje, um ato corajoso, afirma Max. Desde a primeira reunião, em 2001, muita gente tentou murchar o projeto. E não só antigos difamadores do cantor. “Mesmo amigos de Simonal, que temiam o tipo de abordagem que seria feita. Cláudio acabou vendendo o apartamento (para realizar a obra). Foi algo tipo, ‘mexeram no meu brio, agora eu vou fazer de qualquer jeito!’”, contou Max.

Para o músico, nascido um ano depois do malfadado capítulo da história da MPB, “o que mais me saltou aos olhos foi a questão de Simonal ser o primeiro popstar negro do país”. Ele continua: “Outro dia mesmo, um repórter negro veio me entrevistar. Eu cheguei e disse: ‘Bom, em 1967, meu pai tinha um programa no horário nobre da Record, a líder da época. E hoje? Que artista negro tem isso?’. O cara ficou sem resposta.”

Pois é, Simonal. Talvez  agora, finalmente, o Brasil saiba o duro que você deu.