Archive for junho \27\UTC 2008

My wariness amazes me

junho 27, 2008
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É pra lá que eu vou

junho 26, 2008

The Go! Team é uma das atrações do Motomix

Aviso aos meus mui caros três leitores (nem vem, sobraram 14 para o Xexéo): amanhã estou indo para São Paulo cobrir o Motomix. Volto segunda. Tentem não morrer de saudades. Dêem descarga. Salvem a Amy. Beijão.

SP Quiz

I’m gonna burn this city, burn this city?

I’m going to a town that has already been burned down?

Você decide, Tony Ramos

Continua, ela disse

junho 26, 2008

Foi expulso de casa e deu uma festa para comemorar. Chamou alguns amigos, juntou a cerveja e comprou o pó, mas sentiu que algo faltava. Ligou para Ritinha. O dia era: terça de. Manhã. Férias. A cada acrobacia nas cordas vocais da garota, tornava-se mais e mais consciente disso. Provavelmente, ela estaria curtindo uma senhora ressaca no momento em que cogitava se era possível transmitir o foda-se para o outro lado da linha usando apenas o poder da mente e talco polvilho. Há momentos na vida em que tudo parece conspirar a seu favor. Nenhuma terça de manhã, em plena férias, conseguiu se qualificar como um deles.

– Ritinha. É o Paco.
– Ahhhhifjskc…
– Tá acordada? Escuta. A velha chutou meus córneos pra fora do apê e pensei num esqueminha pra celebrar, uma festinha, sei lá.
– Afffjkcmnskmx…
– Olha, preciso saber se sua mãe vai precisar do carro à noite.

A louraça ajeitou a calcinha. No cu. E bocejou sono pra fora – se recompôs (na medida do possível).

– A única coisa que minha mãe precisa à noite é do Prozac dela.
– Perfeito. Me pega às 19h?
– Tanto faz.

19h07 ela já estava lá. Não era daquelas mulheres que atrasavam, tinham corrimento e discutiam a dívida externa do Djibuti. Não, a Ritinha era outra coisa. Não sabia falar com gente. Nunca soube. Assim como Godard, sempre foi fã de si mesma. Mas era muito mais gostosa. Além do mais, gostava de astrologia e de tudo a qualquer coisa dependia se Vênus isso ou Júpiter aquilo. De boquete na praia a triplo assassinato. O garoto não entendia porra nenhuma de nada do que ela dizia e, quando riscaram Plutão do mapa, pensou, “menos um planeta de merda pra encher o meu saco”. Eight to go.

Pararam em frente à loja dos Mímicos Retardados do Alabama: três baianos, uma enfermeira maneta e quatro macacos adestrados. Pediram para falar com o gerente. Um cara gordo com uma pochete escrota, jogada pro lado e soterrada por banha, saiu de trás do balcão. Não era o gerente. Um anão belga se apresentou. Com um duplo twist carpado. Ainda não era o gerente. Um Mímico Retardado do Alabama enfim anunciou: eu sou o gerente. Não era o caso. Paco e Ritinha começaram a se irritar e saíram da loja. Contrataram um mágico.

“Não que você se importe. Não que eu me importe. Não creio que ninguém no mundo se interesse pela minha história. E, Deus, tenho certeza que, se tivesse optado pelas Escolhas Certas, o Carro Certo, a Foda Certa, o Emprego Certo, as coisas não seriam diferentes. Talvez seja aquela velha história do foda-se. Talvez algumas pessoas nasçam desgraçadas. Eu poderia estar roubando. Eu poderia estar pedindo. Mas eu estou aqui, fazendo mágica… e nem criança tem nessa porra. Só um bando de viadinhos chapados. Que porra é essa, afinal?”

Três pessoas assistiam ao espetáculo. Uma delas, paralíptica, colocada ali de sacanagem pelos amigos, alternava “seus filhas da puta!” com “me tirem daqui!”, e finalmente “foda-se, viver não vale a pena”. Não falou mais nada. O mágico anunciou seu próximo número, Aquele em que a gilete corta meu pulso e eu tiro o pau da cartola. Ha-ha-ha, umas gordas riram mas Ritinha virou os olhos. Uma da matina e a festa já estava uma merda.

– Legal, seu retardado. Contratou um mágico maníaco-depressivo.
– E o que você queria?
– Você só tem amigos escrotos. Você é escroto. Aposto que você e seus amigos escrotos se orgulhavam de passar as tardes fazendo campeonato de punheta com a foto da tua mãe e depois ligavam para a Globo e mandavam o Chacrinha tomar no cu. Vou embora.
– Siga o seu coração.

A garota olhou pra ele com algo próximo de Carinho Incondicional e Desprezo Absoluto Pela Raça Humana. Lá fora, as coisas não estavam melhores. A cerveja estava mais quente do que o interior das calças do Michael Jackson no especial de fim de ano da Unicef. O mágico colocou a gola pra fora, o pau pra dentro. Uma das gordas vaiou. Outra delas se conteve com um uivinho de protesto.

Odiava quando ela fazia essa cara. De quem entende melhor um húngaro narrando uma partida de críquete em latim arcaico do que aquelas palavras. Pousou a mão dela em cima do seu pau. Vôo rasante. Agora faltava pouco. Quase duro. Pronto para uma standing ovation. Vai, Ritinha. Colabora, Ritinha. Assim, Ritinha. A festa estava só começando. peganomeupau, Pega. Seu toque era como se dissesse: step aside, ladies, today this lad is all mine.

– A gente não começou nada.
– E se tivesse começado?
– Então eu estaria terminando.

Eh, Ritinha, ah, Ritinha. E não adianta fazer balanço dos anteriores. Foram ruins, foram ótimos. Foram maravilhosos. Foram superfantásticos. Step aside, ladies. Olhem para ela. Olhou para mim. Riu e ri também mas ela o fez por último. Imaginei se no dia seguinte os jornais dariam destaque à Incrível loura que foi embora para seguir seu coração, a imprensa é uma filha e uma puta.

Já o meu segui até o banheiro dos fundos, Playboy, página 17. Me fudi.

Lalala I can’t hear ya

junho 26, 2008

You’ve been watching this for 1:46:33. Have another beer!

Ruth Cardoso R.I.P.

junho 25, 2008

Pau pra toda obra

junho 25, 2008

Como diria Kid Bengala, a vida é dura. Em 1929, ano em que a economia dos EUA foi para o buraco, outros orifícios já vinham sendo explorados por uma turma conceituada – mas anônima, vale lembrar – de animadores no curta Eveready Harton in buried treasure. Segundo aqui e aqui, os tataravôs sacanas da Pixar produziram o filmete, um dos primeiros cartoons pornôs que se tem notícia, em três estúdios diferentes de NY. Motivação? As comemorações de aniversário de Winsor McCay, animador picão (trocadilhos à parte) do qual você provavelmente nunca ouvir falar, mas Walt Disney, em prepúcio princípio* de carreira, já. Fica a dica.

Para conferir, é só tirar as crianças da sala, clicar no vídeo acima e – bom, have fun (não muita dela, ou Kleenex na mesinha de cabeceira, fazendo o favor). 

*Tiradinha roubada na cara ereta dura, do TDUD?. Didi, Lele, Polly, me add no mens depois!   

Entendeu ou quer que eu desenhe?

junho 24, 2008

Seu nome era João e João só se fudia

junho 24, 2008

Não que ele procurasse pelos problemas. Os problemas é que procuravam por ele. O rapaz, no entanto, não esquentava a cabeça. Nunca achou que o universo fosse o lugar mais apropriado para se nascer, mas não era como se não gostasse de estar ali. Porque João era um crédulo, e dos mais fervorosos. Sempre acreditou que havia algo de especial na Terra, pelo qual valia a pena viver por. Sexo e mulher. Sexo com mulher. Nos dias de sorte. Por mais simplória que fosse, a arte da existência definitivamente era a obra que mais o agradava.

Foi uma matrona, a primeira puta que João comeu. Tinha sete vidas, cinco dentes e pelo menos algumas doenças venéreas. Uma matrona e também sua primeira mulher. Ele tinha dezesseis anos quando começou a se fuder justamente por fuder com os outros. Pouco tempo depois, ainda garoto, se resolveu por sempre olhar por onde andava. Não comia nada sem conferir o prazo de validade. Cada compota. Cada filé. Cada cu. Sua dívida com o decoro era eterna.

Os amigos logo recriminaram o xiitismo do dia-a-dia, mas João não salgou o cu doce. Se decidiu por ir ter com a vida sozinho. Sozinho e incorruptível. Viver era uma profissão de risco. Virou um guardião da boa causa e dos bons costumes. Se todo mundo tinha duas personalidades, por que usar a mais feia? Aos poucos, foi parando de dar o ar de sua desgraça nas cercanias. Passou a criar galinhas, e cabritos, e vergonha na cara. Recusava todos os convites para as festas da cidade. Em breve, sequer os receberia. Era um cara novo. Novo e durão. O mais durão.

Mas João não era feliz assim. Se vegetariano, seu subconsciente mataria por um rosbife. Nenhuma punheta era capaz de satisfazer mais de uma cabeça ao mesmo tempo. Além disso, viver passou a ter tanta graça quanto uma trupe de 17 gordas fazendo hidroginástica: só divertia os espectadores.

Todos da pequena cidade onde morava o tinham como um louco, um demente e um alucinado. Dia após dia besuntado pelo preconceito daqueles porcos simplórios por todo canto em que passava. O que só fazia João se afastar mais e mais à procura de algo que nunca soube definir. Procurou independência, mas achou solidão, e também verrugas no saco. O Pau Mais Solitário do Mundo.

Puxa, quanta eficiência

junho 23, 2008

Papo sério agora: John Kilduff pra presidente do mundo. Ao mesmo tempo, o cara (que é artista-performer-porra-louca e não apenas porra-louca, ok, tem diferença – e menos graça) apresenta seu talkshow, corre numa esteira, peganopinceldeleebalança, gasta de bartender e atende telefonemas de espectadores – detalhe que, na primeira metade do vídeo, todas as ligações parecem ser de membros de gangues, falando merda uns para os outros.

Tudo bem. Sou uma pessoa razoável. Pago imposto. Depilo o suvaco. Doaria 1/10 do contracheque pela causa Amy. Não me levem a mal. Não exijo de ninguém a capacidade de, numa só tacada, dançar o créu a balalaica, ver o canguru boxeador Je vous salue, Marie e discutir sobre o último post do TDUD? tempo diegético segundo a ótica deleuziana.

Mas confesso ter sido uma daquelas crianças retardadas – que mais parecem Stephen Hawking dançando o tchacabum, sabe? – sempre que tentava fazer duas coisas simples ao mesmo tempo, como pedalar e olhar para frente (não à toa jamais aprendi a andar de bicicleta), ou me dedicar a qualquer tipo de dança mais complexa que macarena, na qual eu devesse mexer, simultaneamente, quadril, braço direito, dedão do pé esquerdo e a 1537ª hemácia do sistema arterial, contando de trás para a frente. Por isso, John Kilduff? Meu herói.

A arte de fazer sentido

junho 22, 2008

 

Wanna change?

 Da série E se…

Norah Jones regrava Tom Waits.”

Scarlett Johansson filma novo Wong Kar-Wai.”

 

Gente. Sério. Sexta-feira muito louca nelas, já!