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Dai-me luz!

julho 30, 2008

A quem possa interessar: matéria minha sobre Santo Daime feita para a revista Domingo, do Jornal do Brasil. Foto de abertura by Álvaro Riveros 

Ricardo Tadeu e Maria Regina: aceita um chá?

Servido em copo de licor –embora recipientes descartáveis e conchinhas improvisadas com a mão possam quebrar o galho–, o líquido marrom e encorpado vai goela abaixo. É amargo. O cheiro enjoa.

Mas quem se voluntaria a tomá-lo não parece dar importância a isso. Pelo contrário: está, de certa forma, mais afinado com uma sabedoria popular em tempos de Orkut: “quando a bebida entra, a verdade sai”.

Poderoso, o chá de ayahuasca, produzido pela mistura de duas plantas amazônicas, é conhecido por revelar o que há de mais íntimo nas pessoas.

Não à toa, todos os entrevistados desta reportagem usaram das mesmas palavrinhas-chave para definir suas respectivas experiências com a infusão: autoconhecimento.

Velha conhecida dos índios, a ayahuasca –já malhada, em português para brasileiro entender, como “coisa de doidão”, devido à sua propriedade alucinógena– pode virar patrimônio cultural do país. O pedido foi enviado pelo povo da floresta e chegou às mãos do ministro da Cultura, Gilberto Gil, que o encaminhou ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Respaldo legal os apreciadores do chá já têm: ninguém sairá com estampa listrada e algemas em punho caso ingira a receita amazônica (mas atenção: apenas no contexto de rituais religiosos).

Os movimentos mais famosos ganham nomes de guerra familiares, como Santo Daime e União do Vegetal, e acumulam milhares de adeptos no país e no mundo.

O próprio Gil afirma já ter experimentado, em pleno ano que não acabou, 1968, o chá possante. De um hotel em Roma, em meio à turnê europeia, ele conversou com o Jornal do Brasil sobre a inserção da ayahuasca na cultura brasileira.

Ainda hoje, em tempos menos tropicalistas e mais engravatados, o ministro pensa na demanda como “absolutamente legítima”.

Reforça: no Acre, berço da prática, “o chá é muito bem recebido e adotado por setores de toda a sociedade. Das pessoas do povo aos militares e governistas”.  

Jagube, a planta espada do ayahuasca

Ricardo Tadeu dos Santos e Maria Regina Romeu dos Santos se preocupam. O tempo todo. A roleta mental da repórter aposta: querem saber o que ela tanto escreve no caderninho.

Devoto do Santo Daime desde 1984, o casal está à frente da Igreja Virgem da Luz, em Jacarepaguá, braço carioca do Centro Eclético da Fluente Luz Universal, o Cefluris, que fica na Vila Céu do Mapiá, no Amazonas –em brasileiro para daimista entender, a Jerusalém da ayahuasca.

E o que tanto desassossega os dois são as confusões frequentemente cometidas em torno da religião que elegeram para chamar de sua.

Na casa do Recreio dos Bandeirantes, explicam tintim por tintim sobre o processo de feitio do chá, a vocação cristã do Daime e colocam CDs com os hinos “não compostos, mas recebidos mediunicamente, entoados para evocar o poder da ayahuasca”, como esclarece Ricardo.

As letras soam como repentes daimistas, pregando paz e amor. Uma delas começa assim: A Rainha da Floresta / Vós venha receber / Estes cânticos aqui na mata / Que eu venho oferecer.

Rainha porque, afirma Ricardo, “são as mulé que mandam. Pode anotar aí. Tem a Virgem da Conceição, as madrinhas da Igreja…”. 

Sua esposa concorda com a cabeça. Minutos antes, a pedido do marido, foi preparar um café. Já deve estar no ponto.

“Tem de tudo, do professor universitário ao faxineiro, do brasileiro ao gringo. No ritual é assim: japonês ao lado do índio fica uma coisa indistinguível. Holandeses e alemães adquirem hábitos como comer feijão com farinha, falam em português e alguns até recebem os hinos na nossa língua”, diz o adepto do Cefluris.

O filho mais velho do casal, aliás, está em Amsterdã enquanto você lê estas linhas, ao lado da esposa –“uma cabocla da Amazônia, lá do Mapiá”, completa a mãe coruja–, tomando conta de uma igreja daimista.

Desde pequenos, os dois herdeiros do casal tomam o chá. As propriedades terapêuticas, sempre lembradas quando se fala da ayahuasca, já curaram o primogênito de uma infecção braba no rim, quando criança, segundo seus pais. “O poder de cura é muito forte. Não é como tinta fresca. É o divino – marca e não sai”, afirma Ricardo.

No centro, Mestre Raimundo Irineu Serra, “o cara” do Daime

Confira como é realizado o ritual do Santo Daime, doutrina inaugurada por Raimundo Irineu Serra, neto de escravos, que fundou a corrente religiosa no Rio Branco (AC), em 1930:  

Vestimenta: Em dia de festa, terno branco e gravata azul para os homens; vestido branco e verde e coroa de brilhantes para as damas. Nos encontros regulares, eles se ornam com calça e gravata azuis + camisa branca; elas, de saia plissada azul, blusa branca e gravata borboleta. Como colegiais. “A idéia é simular uma sala de aula. O professor é o Daime”, explica Ricardo.

Contra-indicações: Hipertensos, cardíacos e pacientes psiquiátricos não devem tomar o chá sem acompanhamento médico. Grávidas estão mais do que liberadas. “Na hora do parto inclusive. Faz um bem danado”, atesta Maria Regina.

Efeitos: A maioria não sabe colocar em palavras. Tudo bem: a gente tenta. Muitos falam de luzes divinas, insights espirituais e de regressões à infância. Ricardo respira fundo e pondera: “O Daime dá visão de olhos fechados e abertos”. Alguns efeitos podem ser menos agradáveis – como exige a boa faxina espiritual. Incluem náusea e queda de pressão e a vontade de vomitar. “Mas a maior parte da limpeza vai mesmo por baixo”, Maria conta. O último a sair dê a descarga.  

Rituais: São feitos nos dias 15 e 30 de cada mês, e pede-se três dias de abstinência (álcool, drogas e sexo) antes e depois da cerimônia. Duram, em média, cinco horas, com ingestão de duas a três doses de ayahuasca no meio tempo. Não há sacerdote – de Santo mesmo, só o chá. Na hora da concentração, damas para um lado, cavalheiros para o outro – assim como a bebida, feita com o cipó jagube (princípio masculino) e a folha chacrona (feminino).

Eles já entornaram umas e contaram à coluna um pouco da experiência com a ayahuasca:

Perfeito Fortuna, produtor cultural.

“Convivi com aldeias indígenas, como a Yawanawá, na região amazônica, e conheci essa bebida no final dos anos 80. Não me ligo no lado religioso. Mesmo os primeiros pajés que tomavam a ayahuasca faziam o uso terapêutico. Para quem fala de charlatanismo, saiba que a ayahuasca já curava muito antes das primeiras faculdades de medicina. Não funciona assim, de se tomar unzinho em uma festa. A parada é radical.”

Eduardo Dussek, músico.

“Nos anos 90, tive uma experiência enriquecedora com o Daime ao longo de quatro anos. O poder terapêutico é incrível! Já testemunhei o chá curar neurótico, viciado em drogas… Aliás, não dá para confundir uma coisa com a outra: a ayahuasca não causa dependência ou overdose. A própria bebida encontra um jeito de se expelir do corpo, em casos de excesso. Já vi casos de roubaram uma garrafa com o chá, para uso sem contexto ritualístico, e ela se quebrar do nada. Ninguém consegue explicar. Tomar Daime, acima de tudo, é como estar em um constante Juízo Final.”

Ney Matogrosso, cantor.

“Tomei por um ano e meio, a primeira vez, em 1988. Não teve uma vez que, na fila para o chá, o suor frio não descesse pelo meu braço. Para mim, valeu mais do que 10 anos de terapia. Não é droga, algo que se toma para ir à rave. Parei porque estava muito acelerado, tendo muitos insights – hoje, só uma colherada (da ayahuasca) de vez em quando.”

Margareth Menezes, cantora. 

“Sou da União do Vegetal, o que é diferente do Santo Daime, mas o princípio também é a ayahuasca. Foi muito bom para mim, que vivia envolta à superficialidade da vida de artista. Mas todos têm conflitos – do mais pobre ao mais rico. O chá ampliou minhas percepções. É nossa comunhão. A Igreja Católica não tem o vinho? Que tem álcool? A ayahuasca é nosso vinho.”

Camila Amado, atriz.

“Foi o Vicente Pereira (1950-1993) quem levou eu, Ney (Matogrosso) e todo mundo. Ele disse que não era permitido me levar e que eu deveria ir algemada. Por quê? Sei lá! O importante é que o Daime foi um divisor de águas. É como o Yin e Yang chineses: tem o cipó, masculino, e a as folhas da árvore Rainha, feminina, e ambos se complementam – e trazem amor e equilíbrio. Todo mundo diz que é horrível, que você vomita, mas eu tomei por três anos e só vomitei uma vez, e mesmo assim foi maravilhoso. Senti que estava pondo para fora pensamentos ruins, como quando comemos algo estragado e precisamos expelir aquilo. Às vezes, sentia meu espírito deixando meu corpo. Me via a três metros de altura e pensava: “ai, meu Deus, esqueci meus óculos!

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E ela se chamava

julho 26, 2008

Os cabelos continuavam os mesmos. Foi a primeira coisa que notou. Os cabelos e as botas. De couro. Vermelho. Todo o resto era diferente. A boca era diferente. Os ossinhos da clavícula. O tumor. Agora se chamava Carlos Alfonso, 39: não duraria. E como poderia? Já teve maiores. Mais velhos. Alguns malignos. Conhecia-a. Bem. Demais, até. Falamos sobre coisas sérias (fez careta) e tirei doce da criança. Smoothly. O pobre diabo era eu. Tudo. O barulhinho do salto alto datilografando o chão. Tec tec tec, tec. Tudo era diferente. O rebolado. Do rabo. Do cabelo (que era igual). Tinha os dois pés no chão. E pouco tempo fez, também as duas mãos. Do rebolado. O rabo. Quarto 205. Pelo cabelo. O nome dela é Maria. Prazer, Maria.

Prazer, Walrus

julho 25, 2008

Se o Carecão de Ouro gosta, o Santo desconfia e pede truco, eu sei. Mas confesso que este aqui, indicado a Melhor Curta-Metragem no último Oscar, ganhou um cafofinho pra chamar de seu no coração desta blogueira.

Breve sinopse: em 1969, Jerry Levitan, 14 anos, deu um jeito de chegar ao quarto de hotel de John Lennon e registrar alguns zumbidos do célebre besouro em seu gravador. Quase 40 anos depois, o diretor Josh Raskin pega essa entrevista e a justapõe aos traços ensandecidos de James Braithwaite, com animação de Alex Kurina. O resultado você confere cá abaixo, no curta I met the Walrus. Da série Como gastar bem cinco minutos da sua vida.     

Resumo da (soap) ópera

julho 24, 2008

As aventuras da intrépida repórter Anna Virginia Balloussier no fantástico mundo do Santo Daime, em breve, neste blog.

So far, depoimentos de Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Perfeito Fortuna, Margareth Menezes, com participações especiais de Ricardo Tadeu e Maria Regina, do Centro Écletico da Fluente Luz Universal (Cefluris). Só falta o papa.

Aguardem.

Anna Virginia R.I.P. (1987-2089)

julho 21, 2008

“Nossa, que gracinha, parece comigo mais nova!”

Dercy Gonçalves, à blogueira que vos digita, numa das últimas aparições públicas, no Festival Paulínia de Cinema, três semanas antes de pendurar as chuteiras nas bolas do Senhor.

Vem achar a luz no fim do meu túnel, vem

Quem ama o feio Belo lhe parece

julho 16, 2008

Agora, vamos combinar, assustador mesmo é isso aqui.

A volta do que não foi

julho 16, 2008

Entrevista que fiz com José Mojica Marins, publicada na revista Domingo, do Jornal do Brasil, na coluna da Heloísa Tolipan, mais conhecida como ganha-pão. Fiquei com preguicinha de reescrever para o blog, então vai quase na íntegra, sem muita tom wolfice no meio de campo pra chutar que é tua, Tafarel!, d’accord? Fico devendo essa. Beijo nas crianças.

Mojica dá o sangue pelo cinema. Às vezes, literalmente

Por trás dos estoques vitalícios de groselha e das caretas de horror em eras pré-botox, o coveiro Zé do Caixão fez história no cinema brasileiro. Mas, dessa vez, estávamos falando com o criador da criatura, o cineasta José Mojica Marins. O homem de corpanzil inchado, em camisa vermelho-sangue e calça social preta, bebericou um gole da Steinhagen com água tônica, pedida no balcão do hotel, em Campinas, onde repousava antes de pegar a estrada rumo ao primeiro Festival Paulínia de Cinema. Uma última tragada de ar. Clichê. E começou: “Me vi caindo de um palco, com tudo rodopiando ao redor. Escorregava e batia a cabeça. Mil vozes vaiavam, e havia sangue por toda parte”. Olhos arregalados. Em bate-papo exclusivo com a coluna, Mojica narrava o que, a ouvidos incautos, poderia soar como cena de um filme seu. Resposta errada. Tratava-se de um pesadelo do mestre do horror brasileiro, engendrado, na noite anterior, pelo cinema mais macabro que existe – nossa própria mente. Não é de se espantar que sentimentos como medo e ansiedade o tenham dominado horas antes da primeira exibição de seu novo filme, Encarnação do demônio, que estreou, quarta-feira, no Theatro Municipal de Paulínia, candidata à mais nova meca cinematográfica do país. Afinal de contas, não era um pit-stop qualquer em sua carreira. Os 97 minutos de fita fecham a mítica trilogia do mal, precedida por À meia-noite levarei sua alma (1964) e À meia-noite encarnarei no teu cadáver (1967). Um projeto, diga-se, há 42 anos na geladeira – ou, para se estar mais a caráter, no nono círculo do inferno, onde há frio, não fogo – e com seis versões diferentes de roteiro até que o produtor Paulo Sacramento e o roteirista Dennison Ramalho selassem parceria criativa com o diretor. O cérebro, no entanto, prega-nos peças, e o pesadelo do cineasta não teve vez naquela noite. Em vez de vaias, aplausos. Ao que tudo indica, quando lançado, em agosto, à meia noite Zé do Caixão nos levará ao cinema. E nas sessões das 14h às 22h também. São essas as preces – ou maldições, a gosto do freguês – de equipe, patrocinadores e entusiastas do cinema brasileiro em geral. Que seja feita a vontade d’Ele. Para o bem ou para o mal. Ou melhor: para cima ou para baixo.

Zé Celso e Zé do Caixão em Encarnação do demônio

Parece muita coisa. Afinal, Zé do Caixão era o barbecue do cinema brasileiro – e não só para o povo, que lotava as salas em busca de um terror genuinamente nacional, mas também para intelectuais de peso. Dizem que Glauber Rocha, assistindo, na primeira fila, À meia noite levarei sua alma, ruborizou senhoras com uma verdadeira roleta russa de palavrões, de tão entusiasmado com a obra de Mojica. Mesmo assim, mais de quatro décadas se passaram até que o Alfred Hitchcock do Brás (bairro pobre de São Paulo, onde o cineasta cresceu) conseguisse levar “sua melhor obra”, “a bíblia do pavor na América Latina”, como definiu, às telonas. Explica-se. Com o passar do tempo, a carreira de um cineasta pode evoluir, desandar ou tropeçar de um lado para o outro feito bêbado. A de Mojica já teve dias piores. Um dos desafios foi sobreviver à censura política que por pouco não deu cabo à sua carreira em tempos de ditadura. “Achavam que, por baixo do terror, havia a tal camuflagem política. O engraçado é que nem eu, nem os milicas jamais a descobrimos”, disse. Mas o buraco não parava nos porões do Dops. Chafurdava mais. A dificuldade de investimentos no gênero, por exemplo, sempre pesou: “Há um preconceito contra o terror, disso não tenho dúvida. Eu não vou ganhar prêmios que não sejam em festivais temáticos. Sei bem disso”*.    

Nem sempre é fácil discernir criador de criatura. A fala mansa de José, volta e meia, embriaga-se com o tom sinistro de Zé. O cineasta – ou seria seu alter-ego? – conta à coluna três momentos em que ficção e realidade, arranhadas ou não pelas longas unhas, andavam de mãos dadas, em vínculo difícil de esfarelar:

+ No Natal de 1967, ganhou, do funcionário de um necrotério, um pote de vermes achados em corpos humanos. Bela ceia. “Ele achou que ia guardá-lo como prova de afeto.”

+ Em 1982, um médico de Campinas lhe presentou com outro tipo de pote. Dessa vez, havia um feto dentro

+ O pior episódio, contudo, ocorreu há 16 anos. Em Curitiba, foi convidado para um evento, no qual deveria ir caracterizado como Zé do Caixão. “Evento? Aquilo era era uma seita! Tinha trono e tudo, todos estavam pelados, tatuados, barbados, e realizavam um ritual em minha homenagem. Até que me perguntaram se o  melhor a fazer era sacrifício humano ou animal”, disse Mojica. Solução: pôr na cabeça dos seguidores que, enquanto os bichanos tinham energia póstuma, o homem ficava cada dia mais irracional. Moral da história: como sacrifício, dava uma bela marmelada.     

À meia-noite apararei suas unhas

Especulações em torno de um possível terceiro mandato não deixaram a cena. Mas, caso a pessoa política bata as botas, o efelenfíssimo presidenfe do paíf, Luiz Inácio Lula da Silva, pode de antemão saber que tem vez em um filme de Mojica. “Se fizesse uma fita minha, ele com certeza abandonaria o planalto. Penso nele como uma espécie de lobisomem. A lua apareceria e ele se descobriria como o sétimo filho – o amaldiçoado”, confabulou.  

Uma das vontades veladas de Mojica: fazer uma versão fantástica do clássico … E o vento levou (de Victor Fleming, 1939). Scarlett O’Hara, a mocinha interpretada por Vivien Leigh, “não se apegaria à terra coisa nenhuma, e sim ao sangue. De ovelha, boi ou porco. Se for humano, ainda melhor”, o cineasta matutou. Na reeleitura sinistra, a pose de galã de Clark Gable (Rhett Butler) iria por água (ou terra, de preferência a sete palmos) abaixo. Ele seria um sádico, ela, uma masoquista. O mestre do terror arremedou: “Óbvio”.

Em Encarnação do demônio, Mojica reuniu o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, o ator Milhem Cortaz e os ícones do cinema marginal Helena Ignez e Jece Valadão (1930-2006), em seu último papel, além das pontas deluxe do DJ Johnny Luxo e do estilista Alexandre Herchcovitch. Porém, os convidados mais especiais, no entanto, foram as três mil baratasque contracenaram com a novata Leny Dark – acompanhante de Mojica na entrevista. “Foi nossa cena mais difícil. Com ela, descobri que não é só mulher que tem medo de barata. No dia, todo mundo foi de bota, e mesmo assim o pessoal passava longe”, relevou.

O terror bee de Johnny Luxo e Alexandre Herchcovitch

* Ele voltou da tumba, a crítica reconheceu. No encerramento do Festival de Paulínia, três dias após a entrevista com a coluna, Mojica abocanhou, com direito a canino e tudo, sete prêmios com Encarnação do demônio, incluindo o de Melhor Filme.

Jean-Luke… I’m your father

julho 11, 2008

Ou dá ou desce. Ou filma.

Trufô no cu de Godar é Lola (Países Baixos, 2008). Direção de Danny DeVito. Estrelando Matheus Natchergaele, Verne Troyer, Giulietta Masina, ET, Toulouse-Lautrec, María Antonieta de Las Nieves, Grande Otelo, Carolina Pavanelli e Pequeno Elenco. Nos anos 60, estudantes de cinema verticalmente prejudicados constroem uma máquina do tempo a partir de ambicioso experimento envolvendo conceitos de tempo, espaço e macarena ídiche. Decididos a desafiar a prisão temporal em busca do filme perfeito, começam uma jornada sensacional pela história do cinema. Contudo, por motivos de força menor, caem no apartamento do herdeiro biba de Jean-Luke Godar – renomado cineasta que, a essa altura do campeonato, passava as tardes trancado no apartamento, tricotando papel higiênico e assustando vizinhos com uma interpretação mocoronga de Ferris Bueller, contra-plongé, bengala de fora. Instruídos por Lola Godar, filhota queima-rosca do ícone da cinémathèque française, o grupo aos poucos esfarela certezas sobre o fazer cinematográfico, tendo como ponto G de partida (e entrada, e partida, e entrada) correntes posteriores aos bambas da nouvelle-vague. Com Lola, os estudantes aprenderão que é possível descer do salto e ainda assim estar à altura e grossura de gigantes do cinèma. Passando por obras-primas do Cinema de Retaguarda, como a pérola O Demônio dá onze horas, até a releitura cartesiana proposta pelo manifesto revolucionário O discurso do méto tudo mermo, e daí?, dedicado a discutir se a extensão da res cogitans de um cineasta faz ou não diferença afinal de contas, os viajantes do tempo terão sua visão de mundo e outros pontos do seu ser alargados após a experiência de inestimável valor fálico. Um clássico para baixinhos de todas as idades.

A insustentável leveza

julho 4, 2008

É bobo. Adoro. Mais William Lamson aqui.

Papo neo-cabeça

julho 3, 2008

Rubik generation, de Nadia Plesner, 2008.

Quer mais? Pegaqui.