Archive for agosto \26\UTC 2008

Era uma vez uma péssima contadora de histórias

agosto 26, 2008

O bom velhinho

Olha, tem uma coisa que você precisa saber sobre mim (som de claquete ao fundo): eu sou a pior relatora de causos que você já conheceu.

Tá, sei, exagerada, jogada a teus pés, eu sou mesmo exagerada. Mas é sério. Vou dar um exemplo. Esse final de semana fui cobrir dois dos shows mais hypados da temporada, ambos no Teatro Municipal do Rio.

Sexta foi Caetano Veloso e Roberto Carlos cantando Tom Jobim; domingo, João Gilberto, depois de cinco anos sem se apresentar no Brasil. Ambos esgotados em poucas horas. Cambista vendendo ingresso a R$700, R$800 e o escambau.

É isso aí. A felizarda blogueira que vos tecla estava lá. Baba, baby, baby, baba. E agora você me pergunta como foi. Fudeu.

Sabe, o problema todo é que, nesses momentos, viro o cigano Igor dos diálogos. A pessoa vai lá, esperando uma narrativa tomwolfiana da noite, e não consegue tirar de mim nada mais profundo que “ah, foi legal” ou “sei lá, não curti muito”, tudo proferido com o potencial dramático de Fernanda Lima recitando um prólogo shakesperiano (Romeu e Julieta 4ever, uma história de amor, 2008, Brasil).

Por isso, toda vez que alguém pergunta “e aí, Virginia, o que você achou do show?”, sinto uma vontade filá da puta de me fingir de morta, de, sei lá, inventar uma crise alérgica a alcachofra, de fazer playback usando uma opinião inteligentíssima do Nelson Motta sobre o espetáculo. O horror, o horror.

Mesmo assim, a pedidos (oi, mãe!), vou jogar algumas das minhas impressões, assim, livres, leves e soltas – e um tanto atrasadinhas (mea culpa, mea máxima culpa!) – sem o menor respeito com você, amigo de fé, irmão camarada, que espera posts fresquinhos e bem apessoados. Tomates no cesto à direita, fazendo favor.

Tantas emoções

Cotação: três e 1/2 tangerinas (máxima de cinco)

Tudo bem: o show de sexta was something to remember, foram tantas emoções, me arrepiei até o último fio do mullet, mas agora entre nós: não senti AQUELA sintonia entre os dois, não, desculpaê. Principalmente na hora dos duetos. Dessa vez achei Caetano meio duro como intérprete (“vai, Caê, faz uma robot dance pra gente, faz!”), como se não soubesse direito o que fazer com aquele corpo moreno, da cor do pecado.

Terráqueos, nós viemos em paz

Domingão do João

Cotação: quatro e 1/2 tangerinas.

A quem interessar possa: ao contrário da crendice popular, não teve essa de de João Gilberto mandar neguinho tomar o drinque preferido da Dercy, não. O engraçado é que geral passou a maior parte do show com o fiofó na mão, um patrulhando o outro com o indefectível “shhhh” a cada ranger de poltrona, como se a qualquer hora um celular com o ringtone de La cucaracha pudesse levar João a abandonar o palco (ato no qual é rescindente). Bobagem. Ele foi um amorzinho, declarou que dali não saía, dali ninguém o tirava, e até aprovou quando a platéia cantou junto Chega de saudade e Garota de Ipanema. Dava mais dez minutos no palco para ele tirar o saco vermelho e distribuir presente pra garotada. Ho, ho, ho.

Toda dia ela faz sempre tudo igual

agosto 21, 2008

Quatro da matina. Faculdade às 7h30. Anna Virginia PRECISA ir dormir.

E acordar para as aulas. E se formar. E largar de ser estag porque esta vida não é pra conta bancária dela, não, minha gente.  

Isto não é um diário

Foto da semana

agosto 21, 2008

Mentira, a imagem que você vê aí embaixo nem é recente, é de 2007. Mas a gente combina assim, tá: você finge que acredita, eu finjo que gozei e a Scarlett Johansson finge que sabe cantar. Life shall go on.

 Al dente é mais gostoso

*Crédito: Bjork, Spaghetti Nero, Venice, by Juergen Teller, 2007 (mas pode me chamar de 2008).

5×1, uma boa idéia

agosto 18, 2008

Má como picapá

agosto 18, 2008

Não sou seu amigo, não mexa comigo, sou o Mickey Rourke dos teclados.

Legofobia

agosto 15, 2008

Escritor’s bloco. Ai.

Say goodnight to the lady

agosto 15, 2008

Outro texto antigaço, de 24.01.06. Carinho por ele. Fez sentido na época.

Eu perguntei, Short or long story?, e aí que ele me fitou com um par de lasers azuis e falou uma coisa, não entendi, Repete, ele repetiu, Enfia no cu, então procrastinei a parvoíce e concluí pra eu mim mesma, Short it is, e disse que estava deixando-o e ele quis saber o porquê e Pois é, retruquei que não dava um duvideodó para o quanto meu blog é capital, é inicial, é transcendental para todos os meus três leitores, mas que essa vida não era mais pra mim, que jogasse o primeiro teclado, levantasse o mouse, piscasse um emoticon quem nunca tivesse parado para pensar em querer mais, respira, em escrever uma reportagem que faria Zaratustra emudecer, respira, uma monografia para Fredo ulular, respira, um romance que faria Derrida dar pulinhos de satisfação, e continuei continuei continuei a ir à baila, falei que minha vontade encheria um Madison Square Garden, que ela não cabia mais no espelho de cá, que havia espichado horrores depois da puberdade, mas penso que ele achou que eu estava meio chapada porque logo em seguida me deu um tapa na bunda e torceu o canto da boca, Vem pra cama, mulher, eu fui.

Três frases da semana

agosto 13, 2008

 

Olha só, o David Lynch é a ca-ra do Pequeno Príncipe!

Confidência de Yasmin Brunet à blogueira que vos fala, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, segunda-feira, com to-da ca-ra de entender tanto de David Lynch quanto eu da página 197 de A crítica da razão.

Os Jonas Brothers são basicamente como os Beatles, só que mais talentosos e tãããão mais bonitinhos.

Josh Eells, crítico da revista Blender, após afiançar com quatro estrelas (máximo de cinco) o novo CD dos meninos, A little bit longer.

Estes não são cartões-postais safados da praia. São indubitavelmente pornô. Alguns deles, inclusive, bastante obscuros, com lesbianismo e animais cometendo felação. É bastante desagradável. (…) Ainda hoje, estas descobertas estariam na prateleira de cima.

Dr. James Hawes, especialista da Oxford em Franz Kafka (1883-1924), depois de trazer à tona um lado mais dirty do tcheco que toda vez que chegava em casa sonhava com a barata da vizinha na cama dele.

She don’t use jelly, she uses tangerines

agosto 12, 2008

WordPress diz:
Estes são os termos que as pessoas utilizaram para encontrar o seu blog:

tangerina e seu poder de cura

Eu digo:
Aleluia, irmãos, aleluia!

You scream, I scream, we all scream for ice cream

agosto 12, 2008

 Oe, oe, oe, ele é mais caps que você

Screamin’ Jay Hawkins (1929-2000) era CAPS muito antes de você nascer, queridinha.

O bluesman americano era como o irmão gêmeo (malvado?) que Zé do Caixão pediu a Deus – ou ao Diabo, a gosto do freguês. Nos shows, saía de dentro de um caixão, sempre com um crânio flamejante chamado Henry a tiracolo. E, assim como o coveiro fã de groselha do cineasta José Mojica Marins, Hawkins não dava descanso para seu DNA. Teve várias mulheres e, já no leito de morte, liberaria um Rosebud em particular: era o papai orgulhoso (?) de supostos 57 filhos (há quem suba esse número para 75), a maioria espalhada mundão afora. Para localizá-los, a biógrafa do cantor, Maral Nigolian, chegou a lançar um site na ocasião – o jaykids.com, já fora do ar.

Eu vim a este mundo pelado, preto e feio. Pretendo cair fora daqui da mesma forma. Eu não sou um homem bonito; pessoas  já se desviaram do caminho para fugir de mim. Mas isso não importa. A  única coisa com a qual me preocupo é a sua felicidade. Enquanto eu puder fazê-los sorrir, minha missão estará cumprida.            

Outra info relevante: a música I put a spell on you, imortalizada na voz de Nina Simone, é de SJH, gravada pela primeira vez em fevereiro de 1956. Embora as duas versões dividam cama (ui) no meu Top 10 Músicas Pra Vida, a performance original (trilha de Estranhos no paraíso, aliás), com todos os gritinhos e gemidos a que tem direito, ganha a maior parte da coberta. Quem me conhece sabe do meu gosto musical peculiar, e essa aí do SJH, vamos combinar, põe no bolso a chave do quarto 666 na Casa da Mãe Joana. Sua opinião pessoal sobre a obra de SJH você forma aqui: