No princípio era a verba

Se algum dia (ou sete deles) Deus tirar uma folguinha de nosso tão aperreado planeta e decidir criar um universo paralelo onde Anna Virginia Balloussier seja alguém com suficiente massa encefálica para discutir política, pode apostar que nele estarão:  

1) Stephen Hawking dando aulas de lambaeróbica

2) candidatos eleitos só podendo fazer o discurso de posse mediante dança no poste –cuja manha poderá ser apreendida em vídeo institucional estrelado por Dilma Rousseff, simultaneamente presidente da nação, mocinha da novela das oito e pôster central da Playboy.

Nessa nova e estranha realidade, todo concurso de beleza será apresentado por sósias do Zé Bonitinho, e coroar-se-ão as candidatas com os melhores repentes envolvendo uma sopa de mexilhão, o nome do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethaku e, no lugar do grampo, a xuxinha de cabelo do Gilmar Mendes.

Os críticos musicais babarão não só o ovo, mas omeletes inteiras para Entubaruba, cover-homenagem feito por Bruna Surfistinha a Mallu Magalhães.

Qualquer cinéfilo que se preze colocará o bonequinho (e não só a braguilha) aplaudindo de pé após assistir a cinebiografia das gêmeas Olsen. Elas serão interpretadas com maestria por Paris Hilton e Nicole Richie por meio de uma inovadora técnica de atuação, que consiste em, durante os takes dramáticos, imitar bonecões do posto e, paralelamente, ponderar quantos catetos a hipotenusa levou para a cama.

Enquanto esse dia não chega, confesso me sentir mais confortável não rachando, mas fechando o bico sempre que alguém da rodinha puxa assunto sobre o novo corte (orçamentário, não o de cabelo) do nosso presidente.

Ou quando alguém questiona se o buraco na economia americana já é mais embaixo –e se já alcançou aquele lugarzinho especial onde o sol não bate (a cova, naturalmente, não vá pensar besteira).

Mas, enfim. Se de política eu não manjo nem metade do que gostaria, ou melhor, suportaria, uma boa frase de efeito não me passa despercebida. E aqui vai uma do Senador Bernie Sanders, independente do estado de Vermont, sobre a TPM mais estridente da economia americana desde o “banho de sangue” de 1929.

Por anos, eles nos disseram que não podemos pagar – que o governo prover cuidados médicos para todos é apenas inimaginável, não pode ser feito. Nós não temos o dinheiro para reconstruir nossa infra-estrutura. Nós não temos o dinheiro para acabar com a pobreza. Nada disso podemos fazer. Mas repentinamente, claro, nós temos US$700 bilhões para a fiança de Wall Street.      

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