Archive for outubro \31\UTC 2008

Preveja o imprevisível

outubro 31, 2008

A primeira música já tá no ar, ó.

E com essa esgoto minha cota Camelo do mês. Passar bem.

Marcelo Camelo e sua trupe: eles são (os) imprevisíveis

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Welcome to my time machine

outubro 31, 2008

Barbas fora de molho

outubro 31, 2008

Repercutindo o post abaixo: perguntei a Maurício Valladares, o MauVa, do Ronca Ronca, sobre o tal projeto novo do Marcelo Camelo (com quem, obviamente, aos 45 do segundão, não consegui falar).

A resposta taí.

Fãs de Marcelo Camelo que esqueceram a bola de cristal no bolso da outra calça (ou você acha que eles estavam felizes em te ver?) ficaram na pista. Durante quase duas horas, o Ronca Ronca, apresentado, às terças, por Maurício Valladares, na Oi FM, tocou sons esquisitões de uma banda nova. Perto da meia-noite, a stripper saiu de trás da cortina: para surpresa dos ouvintes, MauVa revelou estar em companhia d’Os Imprevisíveis, o (novo) novo projeto de Camelo – que conta, entre outros, com Alex Werner, empresário do ex-hermano e rapaz cuja de-quatrice pela Anna Júlia da vida real inspirou o hit do Los Hermanos. “Não revelei que era o Marcelo. As músicas entravam sem nenhum tipo de aviso e até pareciam gravação, tão boa era a qualidade”, disse o radialista, que só entregou o ouro nos últimos minutos do programa. “Como o Marcelo começou a falar sobre esse projeto junto com o da carreira solo, foi como se não tivesse falado. Ninguém deu atenção. Ele já estava para vir no programa e disse, ‘ei, Maurício, pode ser que eu escolha levar minha banda experimental’. Pensei, ‘opa, mais um lançamento!’. Achei ótimo”.

Experimental. Você leu direito. Se o máximo de experimentalismo que você suporta é seu irmãozinho de quatro anos castigando o teclado de brinquedo que ele ganhou no Natal, obrigado, volte sempre, melhor parar por aqui. “A banda não tem nenhum tipo de sonoridade ligada ao trabalho solo de Camelo. É um projeto abstrato, de música instrumental. Nada comercial para os padrões do rádio e do mercado”, alertou o apresentador do RR. Os Imprevisíveis, afinal, têm de fazer jus ao nome. “Ao longo do programa, eles iam trocando instrumentos. As músicas não tinham início ou fim. Tudo na base da criação coletiva feita na hora”, contou Maurício, que também apresentou no programa, duas semanas antes, a Little Joy, banda do hermano Rodrigo Amarante com o baterista do Strokes, Fabrizio Moretti.

Sobre as empreitadas musicais quase que simultâneas dos barbudos, Valladares afirmou: “Vindo deles, você pode esperar qualquer tipo de relação com a música. Independente do rótulo. O Rodrigo gravou o Little Joy por amizade ao Fabrizio, mas poderia estar fazendo coisa bem diferente. E nada impede que Camelo monte uma banda mais próxima ao Little Joy no futuro. Essas pessoas são como um carrossel, não são previsíveis”. E veio o risinho confidente antes de dizer: “São os imprevisíveis, né?”.

Um preview do som d’Os Imprevisíveis você confere aqui:

 

There will be beard

outubro 30, 2008

Vou ser telegráfica porque hoje é dia de pescoção no jornal e meu torcicolo tá que não se aguenta mais, ok?

A nova banda do ex (?) hermano Marcelo Camelo, Os Imprevisíveis, foi no Ronca Ronca, terça-feira, e lançou MySpace ontem (sem músicas ainda, só com um vídeo esquisitão). A título de Ginko Biloba: 11 músicas da Little Joy, projeto do Rodrigo Amarante com Fabrizio Moretti, baterista do Strokes, vazaram na semana passada – pouco antes da rodada de shows de Camelo no Tim Festival. O grupo de Amarante, aliás, foi lançado há duas semanas no mesmo Ronca Ronca. Não é a primeira vez que os cotovelos dos ex-companheiros de Los Hermanos se trombam na cena musical. A LJ já tinha adiantado três músicas no MySpace dias após faixas do primeiro solo de Camelo, Sou, pipocarem na rede. Que vença a melhor barba.

Da porta da casa à serventia da casa

outubro 29, 2008

Foi entre quatro paredes rosas que se conjugou o Pretérito perfeito de Gustavo Pizzi, documentário sobre os tempos meretrícios da Casa Rosa, com pré-estréia anteontem, no Unibanco Arteplex. Para acariciar o passado de veludo do nº 550 da Rua Alice, o cineasta recrutou ex-clientes como Lobão e Lan e a prostituta Ivanilda Santos de Lima, 65 anos. O filme entra no escurinho (opa) do cinema dia 31. Abaixo, matéria que fiz láááá atrás, para a revista Domingo de 4 de maio (algumas infos acrescentei hoje), sobre o filme. Boa noite e espero que este post tenha sido bom para você.

Ivanilda em frente à casa onde amor com amor (e algo mais) se pagava

E ai de quem conteste Cartola: as rosas, flor, não falam. Já as paredes rosas, cor, do nº 550 da Rua Alice poderiam passar horas discorrendo pelos cotovelos e ainda guardar um pratão de histórias para a sobremesa. Eis a Casa Rosa hoje: centro cultural e ponto de encontro para festas como o Verde e Amarelo, com o DJ Marcelo Janot nas carrapetas (quórum médio: 600 pessoas), e a feijoada dos domingos, com Batuque na Cozinha (700 pessoas). O cineasta Gustavo Pizzi, contudo, rebobinou esse rolo e foi ao encontro de tempos em que o casarão era um dos prostíbulos mais famosos do país, onde políticos, artistas e outros ilustres prolongavam, com o perdão do trocadilho, o happy hour de outrora. O assunto pegou de jeito o rapaz, que arrastava o pé nas noites de forró desde a reabertura da casa, já sem o predicado à Bebel, em 1996. Baixou o caboclo Glauber e, com câmera na mão e a tal da idéia na cabeça, ele foi realizar seu primeiro longa, depois de trabalhar com Karim Aïnouz, Bia Lessa e Jonathan Nossiter. Nele, recrutou personas que, de um jeito (a trabalho) ou de outro (dando trabalho), viraram risoto-de-festa no célebre prostíbulo, como os artistas Lan e Lobão, além da grande estrela do filme, Ivanilda Santos de Lima, 65 anos, que começou a trabalhar na Casa Rosa aos 15. O que caiu como uma luva – longa, de veludo, com uma piteira entre os dedos anular e médio – foi o título do filme, Pretérito perfeito, a ser lançado em outubro.

Primeiro, o tropeço. Gustavo partiu para a pesquisa e, com duas semanas na Biblioteca Nacional e café suficiente para encher uma piscina olímpica, conseguiu… nada. Se as informações relevantes sobre o passado meretrício da Casa Rosa apareciam em algum lugar, era nas entrelinhas – porque nas linhas das publicações, de fato, não estavam. “Muita gente importante circulava por lá, mas elas, por motivos óbvios, preferiam ficar na encolha”, o cineasta explicou. Político, então, tinha aos montes. Afinal de contas, o Palácio do Catete era logo ali e, volta e meia, reuniões se prolongavam madrugada afora no prostíbulo (o irmão do presidente Getúlio, Benjamin Vargas, era figurinha carimbada nos quartos rosados). Mas Gustavo acabou gostando da idéia de filmar no escuro (opa). Sem usar imagens de arquivo, fez um filme todo baseado na memória de pessoas que passaram pelo nº 550 antes de o bordel fechar as portas e recolher as cintas-ligas, em 1991. “Uma foto, por exemplo, empobreceria a experiência com uma idéia pré-estabelecida. Assim, cada espectador cria uma imagem diferente.”

A primeira vez de Gustavo Pizzi… atrás das câmeras

Depois, o tombo. Com a ajuda de Gilson, que trabalha na Casa Rosa desde os 16 anos (começou como segurança da cafetina da época e, hoje, é uma espécie de faz-tudo), Gustavo localizou várias mulheres que trabalharam lá. Esbarrou com mais de 30 delas. Em vão. Algumas tinham se transformado em “senhoras de respeito”. Outras viraram donas de outros bordéis – muitos na Vila Mimosa – e queriam cobrar pela entrevista. De porta na cara em porta na cara, acabou topando com dona Ivanilda.

Breve dossiê Ivanilda: expulsa de casa aos 12, perde a virgindade aos 13, vai trabalhar na Casa Rosa aos 15 e, depois de passar por quase todas as zonas de prostituição da cidade, tem, aos 65, casamento aberto, alguns clientes de longa data e uma ONG sob sua tutela, a Fio D’alma, que zela pelas profissionais mais antigas do mundo e realiza campanhas de prevenção a DSTs. E Ivanilda, que hoje também se considera “uma educadora sexual”, bate no peito com orgulho: prostituta, sim. Com bold e tudo. “Falar ‘profissional do sexo’ muda alguma coisa, oras?”, ela dá o pé na bunda do politicamente correto. Ao ser questionada se happy hour só mesmo para a clientela ou se é possível tirar uma casquinha, manda o bate-pronto: “Prazer? Às vezes acontece esse acidente de trabalho”. Ultimamente, Ivanilda andou com vontade de ter casa própria. Na zona. O estabelecimento só teria maiores de idade, mas ela desistiu, já que seu desejo era uma ordem – de prisão, isto é. “A sociedade primeiro usa, depois acusa. Quando estão por cima, jogam R$100, R$200. É só sair e nos jogam direto na cadeia”, lamenta. Nelson Rodrigues disse, certa vez, que Copacabana vivia, por semana, sete domingos. Se depender de dona Ivanilda, essa afirmação se estende também àquele pedacinho rosado das Laranjeiras, no qual trabalhou quando tinha apenas 15 anos. A convite de Gustavo, voltou para a Casa Rosa meio século depois. Pretérito perfeito ou imperfeito? Está mais para a primeira opção. “Me senti de volta a uma época em que era linda, jovem, sem juízo. Nunca achei que ia voltar.”

A casa (rosa) dos artistas

A casa podia até ser, mas o mar nem sempre era de rosas. Quando os homens de farda chegavam para fazer uma batida policial, um plano de fuga era acionado: meninas e clientela saíam em debandada para a escada e escapavam por uma portinha, que desembocava em um trecho mais acima na Rua Alice. Daí em diante, era cada um por si. Roberto Amaral, o Marujo, cliente célebre, conta que a casa era dos poucos lugares em que se podia falar de política à vontade nos anos chumbados da Ditatura. As especulações sobre quem batia o ponto na lista de visitantes é alta. Fala-se do presidente Getúlio Vargas e seus ministros, dos cantores Nelson Gonçalves e Waldick Soriano e do piloto austríaco Nick Lauda. E, no meio de campo, a equipe do Fluminense (que treinava lá pertinho) e a trupe campeã da Copa de 70, que teria ido comemorar os louros da vitória com as louras (e também morenas e ruivas) da casa.

Seu Juca, dona Ivanilda e Roberto Amaral, o Marujo

Quem é rato da Lapa já derramou alguns (ou vários) canecos de chopp na Taberna do Juca. Poucos sabem, no entanto, que o dono do estabelecimento – e do célebre bigodão branco – era dos mais assíduos na Casa Rosa. Quando a cerveja acabava, era Juca, a pedido da cafetina, quem trazia novos cascos do Bar Serafim. Cresceu, encorpou o bigode e, hoje, é dono do Serafim e de outros seis points do ramo.

O plano de Lobão era montar uma banda de rock para ser o rei do iê iê iê e, na garupa do sucesso, descolar algumas gatinhas. A teoria não era de todo ruim. A prática é que mandou mal para caramba. “A banda parecia um monastério, a gente ensaiava sete, oito horas por dia”, conta. Foi preciso quase 18 anos e uma boa dose (dupla, sem gelo) de coragem para girar a maçaneta da Casa Rosa, no fim dos anos 70, e ter a sua primeira vez. Que, pelo jeito, ele nunca esqueceu. Após “virar homenzinho” na casa, Lobão logo sacou que contrair DSTs, na época, era a maior tiração de onda entre a galera. “Uma questão antropológica interessante. Gonorréia era um charme!” O músico teve duas.

O italiano Lan se mudou para o Rio em 1952 e, no mesmo ano, deixou-se iluminar pela luz vermelha da Casa Rosa pela primeira vez. Na época, foi-lhe dito que o prostíbulo era tão ou mais importante que o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. De fato. E de quatro também. Passou de turista a habitué em uma piscadela de olhos. Numa das vezes, champanhe vai, champanhe vem, e o cartunista acabou se desculpando com a acompanhante e capotando na cama.

Fotos: Mauro Kury

Amarelaram o verde

outubro 28, 2008

Chora eu, chora tu, só não chora cavaco – o de Dudu Nobre com certeza não.

Pois é, minha gente. A onda verde-e-amarelada de Fernando Gabeira quebrou na praia, e a marola eleitoral acabou molhando os pezinhos do novo prefeito do Rio, o PMDebilista Eduardo Paes. Em vão, portanto, foi a gaiatice em seção de Copacabana, onde certa mesária, coisa de 20 e poucos anos, pedia assim para os eleitores, ó:

– Confirma no verde!

Tem também a dos mesários de Santa Teresa que, em resposta à espertinha de Copa, criaram versão mais, digamos, esplanada da preferência.

– É só falar para dar um tapinha no verde!

Todo o chucrute à garoa

outubro 24, 2008

Matéria caretinha feita para a próxima revista Domingo (JB) sobre o Wim Wenders, a quem entrevistei (toma essa, amigo cinéfilo) na Mostra de SP. Foram 15 minutos cravadinhos de papo, então, vamos lá, perdoai a repórter nervosa, ela não sabe o que faz. D’accord? 

Wenders, no Aeroporto de Garulhos

No anexo do Espaço Unibanco paulista,  mechas grisalhas e revoltas enroscam-se nas anteninhas cinéfilas, todas em polvorosas. 

Peixe mais graúdo a cair no radar da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Wim Wenders, como comenta uma fã à repórter, “tem aquele look cool” que, de cara, nos martela na cachola: “Tá na cara que é o  Oswaldo Montenegro cineasta”.

A primeira impressão, contudo, logo se vai. Introspectivo – tímido, até -, o diretor de Asas do desejo circula como um Dalai Lama sabor chucrute pelas salas que exibem os 15 filmes escolhidos por ele para integrar a Mostra, no projeto “carta branca”.

Um deles é Os primeiros anos de Wim Wenders, de Marcel Wehn. De título auto-explicativo, a fita lembra momentos como os cerca de mil filmes assistidos pelo alemão na Cinemathèque, em Paris, ou ainda o colapso circulatório que quase fez o jovem Wim travar uma conversa de botas batidas com o Senhor, após infeliz combinação de três biscoitos de haxixe com doses cavalares de uísque. “É engraçado falar um filme no qual você é a vítima”, confessou o cineasta ao introduzir o filme na noite anterior, no Cine Bombril.

De volta ao Espaço Unibanco: antes de começar o papo com a coluna, Wim, alheio que alguém o observa, tira do gancho o telefone de um orelhão próximo, confere se há sinal e desliga em seguida. A ação pode parecer boba, até inconsciente, mas parece dizer um bocado a respeito do alemão, que, tal qual um Quixote da sétima arte, busca solução cinematográfica para a linha cruzada entre pobres e ricos.

“Quero agora dedicar meu trabalho à maior questão do planeta, a pobreza. Com a crise, os mais ricos ficaram um tiquinho mais pobres, enquanto os mais pobres ficaram ainda mais pobres.”

Nesse ponto, aliás, ele dá uma estrelinha dourada para o Brasil do amigo Walter Salles. “Aqui é um lugar excitante para as mudanças sociais”.

À sobrancelha em anzol da repórter, acostumada com um Brasil que, fora de campo, só dá bola fora, Wim exemplifica: “Dois meses atrás estive em Salvador, que não visitava há 10 anos. A cidade estava cheia de shopping. Da outra vez, não vi um para contar história. As coisas mudam muito rápido por aqui, não acha?”. Pode ser, Wim. Pode ser. 

O homem de 63 anos comentou ainda a afirmação dada em sua última visita ao Brasil, em agosto – na ocasião, lamentou que, por conta do ainda recente nazismo, o cinema alemão era órfão (Fritz Lang seria uma espécie de avô distante). “Agora vêm os filhos. O novo cinema novo alemão novo é profundamente rude, realista.”

Wim – que não põe muita fé em um cinema global (“eu só acredito no que é local, no que pertence a algum lugar. O filme que quer uma verdade maior e não específica tende a ser entediante e inútil”) – acredita que já, já a revolução digital chegará à distribuição, e não apenas à produção cinematográfica.

“A porta continua estreita. Mas muitos já preferem ver filmes na Internet a ter de esperar pelo cinema, mesmo com a qualidade, que ainda não é das melhores.”

Sobre o nariz torcido de boa parte dos críticos a seu novo filme, Palermo shooting, o diretor fez contorcionismo ainda maior com a napa: “Muitos deles não deixaram que o filme os tocasse. Falar de morte não pode. A crítica não deixa”. 

Rapidinhas no confessionário

outubro 16, 2008

Padre Cardoso é meu pastor e nenhum pedaço de roupa me faltará.

Festival do Rio, livro 3

outubro 16, 2008

E já que a moda é (é?) chutar cachorro morto (é sim, ué), aproveito que a repescagem termina hoje e posto as saideiras do Festival do Rio. Não se interessou? Está vendo aquele quadradinho ali? Vermelho? Com um X branco? Alto da página, ponta direita? A serventia é da casa.    

6/10

A história de Jen, de François Rotger. 6,5 tangerinas.

7/10

Romance, de Guel Arraes. 4 tangerinas.

8/10

Todo mundo tem problemas sexuais, de Domingos Oliveira. 8,5 tangerinas.

Um homem bom, de Vicente Amorim. 1,5 tangerinas.

14/10 (repescagem)

Gonzo: um delírio americano, de Alex Gibney8 tangerinas.

15/10 (repescagem)

E Buda desabou de vergonha, Hana Makhmalbaf. 8,5 tangerinas.

Os problemas sexuais de Pedro Cardoso

outubro 14, 2008

E por falar na zona (com trocadilho, por favor) que o mundo virou: logo quando a crise econômica resolveu deixar todo mundo nu com a mão no bolso, Pedro Cardoso fechou o zíper da moral e dos bons costumes ao ler o tal manifesto antinudez antes da sessão de Todo mundo tem problemas sexuais, semana passada. 

A gente já tinha falado disso no JB (é só ler o post abaixo), mas segunda-feira a Ilustrada deu capa, lembrou da Graziella Moretto (namorada do ator) pagando peitinho em Feliz natal e o assunto veio à tona.

Olha, vou ser bem sincera: se foi golpe de marketing, como andam desconfiando por aí, eu não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. O fato é que, para mim, a discussão já deu. E deu sem gosto. Deu sem relaxar e gozar. Deu com meias, de luzes apagadas e afastando a cueca para o lado.

Não que eu discorde integralmente dos pontos levantados por Pedro. Nudez gratuita? Essa pelada (opa) o audiovisual brasileiro adora bater –muitas vezes, gratuita e deslavadamente mesmo.

É o último bêbado do Bar Esperança que não quer sair deste corpo que não lhe pertence, pronto para fazer um agrado a Rogério Sganzerla, aquele que buscava o que “o povo brasileiro espera de nós desde a chanchada: fazer do cinema brasileiro o pior do mundo”. 

Para não perder o fio da meada: sabe o que mais pegou para  mim? O Pedro Cardoso foi generalizante até dizer chegar. Pior: abriu espaço para a defesa de que o nu é aceitável apenas se fundamentado artisticamente.

De primeira a afirmação soa até bacana. Basta estar disposto, claro, a aceitar a arrogância dos que se pressupõem aptos a separar o que é sensacionalismo e o que é “intenção artística”. 

Enfim. O texto está longo; e a paciência do leitor, imagino, não deve ser tão bem dotada assim. Só vou pedir licença para rebater rapidamente comentários postados por Pedro aqui, citando os depoimentos que colhemos, semana passada, sobre o imbróglio.

Tudo bem, tudo bem. Longe de mim achar que os caminhos da vida enveredarão Pedro Cardoso até esta Tangerina com jeitão de marmelada. Mas pelo menos a alma eu penduro no varal.

Pedro diz: Eu gostaria de agradecer também àqueles que se manisfestaram através do jornal. Todos são igualmente bem-vindos.

Tangerina diz: Glad to serve.

Pedro diz: Percebo, pela opinião de alguns, que eles falaram sem ter lido o meu texto antes, apenas provocados pela pergunta do jornalista.

Tangerina diz: Todos os entrevistados foram comunicados de que o texto estava disponível na rede. Alguns pediram inclusive para que dessemos um tempinho para que lessem antes de dar o pitaco.  

Pedro diz: E este blog, onde o texto está integralmente publicado, é a única fonte confiável. Edições por outros, geralmente, corropem o sentido e a intenção do que eu disse.

Tangerina diz: Qualquer edição, obviamente, está sujeita à parcialidade do jornalista. Contudo, o endereço do blog foi publicado em matéria do Caderno B, do Jornal do Brasil, no mesmo dia. Quem quis correu atrás.

Pedro diz: Eu gostaria também de responder ao cineasta Walter Lima Júnior porque ele me dirigiu palavras ofensivas. (…) Ele se considerou envolvido por seus próprios critérios e consciência. (…) Ele deve ter me ofendido num momento infeliz, e tenho certeza que ele está imaginando uma maneira gentil de se desculpar.

Tangerina diz: Fica a dica, Walter.

Se você disser que eu desafinei, amor…