Archive for novembro \28\UTC 2008

Are ya talkin’ to me?

novembro 28, 2008

Brasília 18% (e olhe lá)

novembro 27, 2008

Queria eu ter tempo para contar melhor sobre o Festival de Brasília, mas entenda, meu amor. Não rola. A semana vai ser cheia, o saco idem, neste exato instante tenho um elefante sentado sobre minhas pálpebras e ninguém lê post longo anyway. Ou ninguém lê post (meu), ponto.  

Mas uma coisa eu vou dizer: para mim, a curadoria mais errou do que acertou na mão. Não me leve a mal. O  Festival de Brasília não é o do Rio. Nada disso. No planalto é  diferente. Que se fodam os canapés, os globais, a social, Bárbara Borges na pré x pagando calcinha, Cláudio Assis no evento y mandando a senhora sua mãe tomar no cu, a senhora mãe da Nãna Shara tomando no dela no filme w, o Ego, a Caras, e as bundas também, a champa, o glamour, ah, o glamour, que se foda ele também: como Carlão Reinchenbach, um dos jurados, me disse, o lance de Brasília é o filme, “ainda a vedete do festival”. O problema é que, nesta edição, a 41ª, as vedetes não deram (pro gasto). Alguém apagou Luz del Fuego com um balde d’água fria. Da coroa de Carmen Miranda, só restou o abacaxi. Dercy Gonçalves veio de pernas e boca fechadas. Por lá, ninguém gostava de falar muito sobre isso, não, mas não resta dúvida de que, com festivais de cinema estourando pelo país feito prótese de silicone em bojo 34, o de Brasília – que só seleciona filmes inéditos – acabou levando a pior em 2008. Dos quatro primeiros longas (não vi Mocarzel nem Sarno), achei dois francamente ruins: Siri-ará, tão excitante quanto a lua de mel da Sandy em slow-motion e narração em off do Cid Moreira, e Ñande Guarani, um programa de índio (hehe) com seu jeitão de Globo repórter. Fiquei contente com o Candango para FilmeFobia, mas por pura falta de opção. Idéia boa gasta (quase) à toa. Como os planos que o Cebolinha montava para pegar o Sansão, sabe? Eles eram bons. Na teoria. E aí que fracassavam – mais por alguma falha na execução do que pelo mote original – e jamais ganhavam segunda chance. 

Flancamente, Blasília. Flancamente.

A quem interessar possa, meu ranking pra competição de 35mm, tudo na base da tangerinada. Primeiro dois curtas, depois o longa. Taí:

19/11

A mulher biônica, de Armando Praça. 5 tangerinas.

Que cavação é essa?, de Estevão Garcia e Luís Rocha Melo. 8 tangerinas.

O Milagre de Santa Luzia,   de Sergio Roinzenblit. 5,5 tangerinas.

20/11

Nº 27, de Marcelo Lordello. 5,5 tangerinas.

Cidade vazia, de Cássio Pereira dos Santos. 4,5 tangerinas.  

FilmeFobia, de Kiko Goifman. 7 tangerinas.

21/11

Brasília (título provisório), de Thiago de Castro. 5 tangerinas.

A arquitetura do corpo, de Marcos Pimentel. 7,5 tangerinas.

Siri-ará, de Rosemberg Cariry. 0,5 tangerinas.

22/11

Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso. 6 tangerinas.

Minami em close-up, de Thiago Mendonça. 7,5 tangerinas.

Ñande Guarani, de André Luís da Cunha. 1,5 tangerinas.  

Don’t be a chicken

novembro 26, 2008

FilmeFobia, melangé de documentário e ficção dirigida por Kiko Goifman, lambeu o prato no 41º Festival de Brasília (levou cinco Candangos, inclusive o de Melhor Filme). A idéia – pôr atores e não-atores em confronto com suas maiores fobias, num unidunitê entre o que é real e o que não é – ganhou o júri e rendeu cenas impagáveis, como a da frota de carrinhos comandados por controle remoto, com vibradores acoplados à garupa, acelerando rumo a uma mocinha, filha de ginecologista, cheia de dedos (ah, o trocadilho) para fazer sexo. Mas o mote não tem nada de original. Quer ver só? Dá uma olhada nesta convidada de um talk show qualquer (apurar pra quê, meu Brasil?), convocada a falar sobre seu pavor de… galinhas. Esqueça Paris Hilton: as literais mesmo. Saca só: enquanto a pobre coitada explica, aos soluços, sua fobia à platéia, o telão exibe os bichos assados, estilo franguinho de padaria. Pior são os dois gaiatos, vestidos com fantasia gigante e amarela da ave maldita, que colocam para correr atrás da moça. Não cante de galo perto dela. Com a palavra, o YouTube:  

Eterna nessaem Brasila

novembro 24, 2008

E meu Festival de Brasília foi: 144 horas longe do colo da mamãe, 594 minutos de filme – 179 deles dispensáveis, 166 whatever, 249 o meu número do sapato -,  7500 ml de Bohemia long neck, 10ml de uísque comboy (eu tentei), 80 reais de preju com deslocamento no celular, 54 reais em dois livros do Lourenço Mutarelli, uma Rolling Stone a menos para ler, 196 páginas da autobiô do Obama idem, zero linhas da apostila para a prova de amanhã ibidem.

Em breve, 17 impressões.

Peter Greenaway não joga verde

novembro 17, 2008

Entrevista minha com Peter Greenaway. Saiu no Caderno B (Jornal do Brasil) de domingo. Sem PDF, com preguiça, beijos mil.

notv_peter_greenaway_0542Peter Greenaway em ação na ‘Tulse Luper Suitcases VJ Performance’

Era 28 de dezembro de 1895 quando os freqüentadores do Grand Café do Boulevard des Capucines, em Paris, se maravilharam com aquela estranha geringonça, capaz de reproduzir imagens – em movimento! – de operários em fim de batente na usina Lumière. Assim, com um filmete de menos de um minuto de duração produzido pelos irmãos Auguste e Louis Lumière, o cinema se introduzia para o mundo como uma senhora arte. O prazer em conhecê-lo foi todo nosso. Passaram-se 113 anos e hoje ele está mais para uma arte senhora. Prestes a bater as botas, aliás. E já vai tarde. Pelo menos é o que pensa o (ontem) cineasta e (hoje) multiartista Peter Greenaway, que terça-feira leva ao Teatro Oi Casa Grande a Tulse Luper VJ Performance, espelho de uma sétima – oitava? – arte mais à vontade com nossos tempos multimídia. De seu estúdio em Amsterdã, Holanda, o diretor de O Cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante conversou por telefone sobre esse e outros tópicos com o Jornal do Brasil, mas não sem antes tirar o alfinete do bolso para a invenção velhinha de Graham Bell e lançar a seguinte proposta:

– Por holograma, você “vem” ao meu estúdio em Amsterdã fazer esta entrevista. Isso não seria maravilhoso?

E tem como negar? A sugestão inspirou-se no dia em que a CNN levou o mundo de volta para o futuro com a imagem holográfica da repórter Jessica Yellin (em Chicago) comentando a vitória do então candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama.

– O que a CNN fez ontem o resto do mundo vai fazer amanhã. Foi mais excitante do que qualquer coisa vista hoje no cinema – defende o galês, para quem a atual produção cinematográfica é motivo de bocejos. – É entediante e fora de moda. Do tipo em que bastam cinco minutos para saber o que vai acontecer dali para frente.

Calma lá: nem tudo está perdido. E esse triunfo não é tão recente assim. De repente, o espectador passou a ter na palma da mão – literalmente – o poder de participar ativamente do ritual audiovisual, como saúda o entusiasta das mídias digitais:

– Em 1983, o controle remoto entrou na casa das pessoas. A audiência conquistou o direito de escolher o que assistir ou não. O cinema parou de ser tão elitista. Ainda bem.

Do lado de lá da Linha do Equador ressoa a voz fantasticamente empostada, que lembra a do mestre-de-cerimônias de um circo – vinda do homem que, por suas posições ideológicas, quer mais é respeitar o respeitável público plugado no século 21.

– Devemos rir, rir, rir de tentativas como as de Oliver Stone e Martin Scorsese e seus filmes antiquados. Laptop, TV, hologramas, celular e tudo mais – essa é a linguagem na qual devemos apostar. Devemos encarar os novos tempos com entusiasmo. Que joguemos fora os antigos métodos de se produzir cinema! – recomenda Greenaway. – Agora, 10 mil novos artistas podem fazer seus próprios filmes com os novos aparatos digitais.

O multiartista acredita que a experiência de passar algumas horas no escurinho do cinema, e posição passiva ao que se vê na tela, vale também como atestado de burrice.

– Precisamos fugir das limitações. Hoje, ir ao cinema deixou de significar ‘ir àquela sala escura’. Não se pode mais fazer arte como antigamente. Não tem por quê. Eu, por exemplo, faço filmes para redes tão diversas como celular e Second Life.

notv_peter_greenaway_61011Oliver Stone, Martin Scorsese: “hahaha”

Na performance de terça, integrada ao projeto Multiplicidade, sob curadoria de Batman Zavareze, Greenaway conta a vida do escritor e projetista Tulse Luper – nascido em 1911 e desaparecido em 1989, depois do vaivém em prisões – com a ajuda de uma interface touch screen de alta definição. O multiartista cria uma modalidade imersiva e eletrônica de cinema, que manda a linearidade às favas. Embora pareça um tanto experimental demais, a apresentação costuma atrair mais do que alguns gatos pingados.

– Estive em toda sorte de lugares com Tulse Luper. Discotecas, praias, casas de ópera… Só em Moscou, foram 8 mil pessoas. Todo mundo parece achar a experiência fantástica.

A edição da narrativa, avisa, é feita na hora e varia de lugar para lugar. Só assim os limites físicos da telona poderão ser página e frame virados na história da sétima arte. Esse filme você, literalmente, ainda não viu. Nem vai poder ver de novo.

Camelo e Mallu, o casal da piada pronta

novembro 16, 2008

E esta agora, hein? Parece mesmo que Janta, dueto de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães no disco solo do hermano, Sou, virou prato cheio para trocadilhos com esse namoro dos sonhos de qualquer versão indie da Caras. Tudo bem, ele parece mais (para Marcelão, 30 carnavais tiverem seu fim), e ela não é exatamente o Jordy do século 21 (está só a dois aninhos de poder mostrar o preço da sua flor no central da Playboy). Mesmo assim, se os amassos com o vanguartista Hélio Flanders, 23 anos, já davam (bom, se dava mesmo a gente não sabe, especula) o que falar, é claro que a galera não perdôou a ascensão de Marcelo: de hermano a papa. E como aqui a gente perde o amigo mas não perde a tangerinada, vai abaixo trechinho de entrevista que a Folha Online fez com Marcelo Camelo. O negrito é cortesia da casa.  

Folha: Essa mudança de rota não te faz ter medo de perder fãs?

Camelo: Eu faço música para me entreter como ouvinte mais do que como executor. É lógico que eu me importo [com os fãs], é com isso que eu pago meu aluguel. Mas pagar o leitinho das crianças nunca vai ser a desculpa para eu fazer música. É algo que eu preciso pra respirar. Mas eu me preocupo um pouquinho.

parmalatE aí, Mallu? Tomô? Cuspiu? Engoliu?

Nada mal

novembro 15, 2008

Mas o que sempre lembrarei é de eu saindo de uma festa em 2003. Fui abordada por outro convidado, um autor consagrado. Ele me perguntou sobre o homem com quem eu estava falando. Mansamente me disse não saber que Barack Obama era um convidado da festa, e que tinha pedido a ele para arrumá-lo um drinque. Em menos de seis anos, Obama passou de alguém confundido com um garçom entre a elite nova-iorquina para presidente eleito.

Katherine Rosman, The Wall Street Journal

Via Panopticist.

Rorschach in love

novembro 13, 2008

Você já se apaixonou hoje? O cosmos sim.

matthewporter_2

Para conferir a foto ao som de “I can’t liiiiiiive, can’t live without you” sung by Wander Wildner, e se possível sussurando “baby, nosso amor está escrito nas estrelas” no ouvidinho do/da amado/amada. A arte é de Matthew Porter, e a interpretação rorschachiana – eu vejo um bigodudo e uma madame se beijando de mãos dadas. e você? – é da blogueira mongol mesmo. E uma boa noite para você também.

A praça é nossa

novembro 7, 2008

1213387734_foto_o_natimorto_edit21‘O natimorto’, sucesso na (jerk) off-Broadway paulistana

Há um punhado de anos, a Praça Roosevelt era uma espécie de Sapucaí da marginalia paulista. Prostituta, trafica, mendigo… em se plantando tudo dava. E dava com gosto. Daí que, à boca dos anos 00, vieram os artistas, ah, os artistas, esse povinho pra frentrex sempre disposto a dar um abraço – praticamente uma carcada – na causa cult que é ter como companheiro de calçada um morador de rua que joga cocô nos transeuntes – uma versão roots do “merda pra você!” tão caro a classe teatral, digamos assim. A primeirona a se instalar por lá foi a companhia Os Satyros, e em sua cola chegou toda sorte de bacanas sedentos a dividir idéias, copos de cerveja e quiçá algumas DSTs. A cena boêmia entrou na puberdade, se trancou no banheiro e, hoje, sai de lá como um pólo teatral alternativo já crescidinho da área.

Abre parênteses.

Bom, antes de continuarmos, acho importante dizer que eu não curto teatro. Quer dizer, nada contra a (terceira? quarta? sétima eu sei que não é) arte, claro, claro, teatro, chega mais, vamos tomar um drinque lá em cima, let’s kiss and make up. Mas em verdade vos digo, caros leitores, e não com orgulho, que minha experiência teatral não vai muito além de três, quatro peças assistidas por ano e alguns “yeah, baby, isso, vai, estou chegando lá!” na hora do bem-bom.

Fecha parênteses.

No entanto, comecei a me interessar pela Praça Roosevelt após cobrir a estréia carioca de O natimorto, com texto de Lourenço Mutarelli (O cheiro do ralo) e direção do dramaturgo mauzão Mário Bortolotto – que também marca presença no Rio com Hotel Lancaster, texto seu dirigido por Marcos Loureiro. Assumo que conhecia Mário mais por fama do que por trabalho. Afinal, o filme Minha vida não cabe num opala, baseado em peça sua, não era parâmetro dos melhores, já que o resultado não desceu na goela do cara – como o próprio me disse, em bate-papo rápido no Teatro do Leblon, “ele (o diretor da fita, Reinaldo Pinheiro) cagou para mim, quis fazer o dele em cima do meu trabalho. Encheu o roteiro de falas merdas”.

Voltando ao Natimorto, peça (simplificando aqui) sobre um sujeitinho nervoso (Nilton Bicudo) que acredita ler o futuro nas imagens bizonhas estampadas no verso do maço, correlacionando-as às cartas de tarô. Não vou me estender e muito menos me meter a besta de fazer uma crítica sobre a peça. Basta falar que o espetáculo é o número certo do sapato para qualquer um que, assim como eu, saia daqui desejando ter sido o autor da frase genial que colo abaixo, do ‘Agente’, o protagonista do espetáculo. Take care.

Alguém me disse que a vida é uma doença fatal… e sexualmente transmissível.

Todo mundo tá feliz, tá feliz

novembro 5, 2008

Sim, amigos da Rede Globo, agora foi: McCain jogou a toalha e Obama já é ei, ei, ei, nosso rei. Para celebrar deixo vocês com este joguinho fanfarrão, no qual o NOVO PRESIDENTE DOS EUA, BABY estrela versão própria de Super Mario World. A primeira etapa é enfrentada no cafofo de Sarah Palin, o Alasca, onde o NOVO PRESIDENTE DOS EUA, BABY (e eu me canso?) precisa matar porquinhos (em vez de tartarugas cascudas do mal) e pegar quantas bandeiras americanas for possível (no lugar daquelas moedinhas de ouro, tá ligado?). A ZenSoft, criadora do game, já prometeu novas fases, ambientadas em Illinnois, D.C. e Arizona. Se tranque neste armário você também!

google-reader-1000_1222917227510 Que Mario?