Archive for dezembro \29\UTC 2008

Ela é uma loura notável: boxa, dança, pula, rema, sapateia, sapateia

dezembro 29, 2008

laura_bush_fistDe dia ela é Maria

Curioso mesmo é isto. Se Laura Bush não estivesse tão preocupada em não parecer a bico largo 44 mais engraxadinha e ordinária do pedaço, aposto que teria se esbaldado com o bacalhau do Chacrinha, esse ícone que só perde em brasilidade para a fila do Mundial em dia de promoção da Nova Schin. Mas, ao que tudo indica, as marchinhas de carnaval do Velho Guerreiro (“o sapatão está na moda/ o mundo aplaudiu/ é um barato, é um sucesso/ dentro e fora do Brasil”) não fizeram a cabeça, muito menos os pés, da primeira-dama dos EUO (Estados Unidos do Obama, com possibilidade de se pronunciar “e-uó”, se sua onda for a republicana –  ou se você simplesmente estiver na a fim de não comer ninguém na festinha do trabalho).

É o seguinte: há anos, George Bush tenta deixar a oposição iraquiana no chinelo, mas o jornalista Muntazer al-Zaidi não quis nem saber e, na semana retrasada, deixou logo foi na sapatada o presidente americano. Esse episódio você conhece (se não, disfarça). A novidade é que Laurinha, no entanto, só abriu o bico (não o largo 44, gente, comportem-se por favor) a respeito do incidente agora, em entrevista à Fox News. E, ao contrário do maridão – que fez piada sobre o episódio ao afirmar que só sabia que os calçados com complexo de Padre Adelir “pareciam ser do tamanho 42” -, lady Bush foi logo cortando as asinhas do sapatão (opa) voador.

“Não achei graça. Foi uma agressão. É isso o que foi”,  a primeira-dama, que passa laquê até na sola, para jamais descer do salto alto, declarou. 

ed104gVai lá, Bush: só no sapatinho

Alivia essa aí, vai, Laura: “Pelo menos isso prova que os iraquianos se sentem muito mais livres para se expressar”. Mesmo que seja para dar um belo chute no traseiro de seu marido. 

Que, aliás, se deu bem, pois, “como vocês sabem”, a esposa zelosa assegurou, “(Bush) é um atleta natural”. Naturalíssimo. Medalha de ouro em tiro ao alvo nas Olimpíadas de Bagdá.   

Laura foi ainda questionada se Muntazer deveria ou não ser solto pelas autoridades do país. “Isso é da conta dos iraquianos”, ela ponderou. Mas também fez questão de lembrar: “Se Saddam Hussein estivesse lá, aquele homem não seria liberado. E provavelmente não iria – quer dizer, ele seria executado”. (Perde a cabeça, mas não perde a piada?)

Adeus, Sandálias da Humildade; olá, Sapatos da liberdade.

Eu ia ponderar sobre o ocorrido, mas é tudo de um ridículo tamanho (42, para ser mais exata) e o post se alongou tanto que eu deixo a situação falar por si. Laura Bush entrou na Casa Branca como primeira-dama e sairá como a Maria Sapatão e não se fala mais nisso. De resto…

chacrinha-globo-333-230708Vai um bacalhauzinho aí?

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Quando você menos esperar

dezembro 28, 2008

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Os pássaros, de Alfred Hitchcock, versão 2008.

Como uma pedra a rolar

dezembro 28, 2008

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Afinal de contas, é como já dizia a MPB (Música Presepeira Brasileira) de Sandy e Junior (vá lá, nove mil anjos não podem estar errados): “O que é imortal não morre no final”. Pop highlander e Robert Allen Zimmerman no portfólio, maneiríssimo por sinal, da agência de design francesa Hey Ho.

Para entender.

Para não entender.

Para se perguntar o que esta blogueira andou fumando.

Para passar bem.

Então foi Natal

dezembro 26, 2008

Espero que seu Natal tenha sido soberbo, amigo leitor. Que todos os seus  sonhos tenham se neoconcretizado – com direito a Ferreira Gullar, de zíper aberto, mostrando com quantas bisnagas (já sabe: quanto mais velha, mais dura) se faz uma boa enrabanada.

Espero que seus inimigos tenham engasgado  no peru (de Natal, não o caralhinho voador). E, acima de tudo, espero que Papai Noel, esse senhor fanfarrão de coração tão grande quanto a pancinha de, ic, eggnog, tenha trazido de lambuja um 2009 mais polpudo e menos bagaceiro para vocês e para esta Tangerina que vos escreve.

Ano que vem, se Deus não quiser, tem mais. Porque aqui a gente sempre dá um jeitinho de espremer até o caroço.

E last but not least, deixo vocês com a versão roots (doravante weeds) do Presente de Natal de João Gilberto.

Eu faria assim 2

dezembro 26, 2008

A Globo lança a versão 2009 para seu velho tema do novo ano. Rola coro paz-amor-e-harmonia com os globais bom-mocistas de sempre.

Versão Tangerina

A Globo lança a versão 2009 para seu velho tema do novo ano. Entra em cena um Dado Dolabella bebaço e manda “hoooje é um novo dia…”. Quem toma a palavra é Fábio Assunção, mais ligadão do que Arapuã em você: “… de um novo tempo que começou…”. E por aí vai.

Eu faria assim

dezembro 26, 2008

No especial na(f)talino deste ano, Roberto Carlos chama Neguinho da Beija-Flor no palco e puxa um “chóóóra, cavaco”. Rola um sambão paz-amor-e-harmonia a dois.

Versão Tangerina

No especial na(f)talino deste ano, Roberto Carlos chama Neguinho da Beija-Flor no palco e puxa um “chóóóra, cavaco”. O rei olha para a câmera, muito sério e compenetrado (ou só penetrado mesmo), e começa: “DEEEEESDE OS TEMPOS MAIS PRIMÓRDIOS / O CARALHO TAÍ, TAÍ, TAÍ“. E por aí vai.

01441410700Quem não gostou vai pro caralho

Ela é puro êxtase

dezembro 18, 2008

Vamos lá. Você é Maria Antonieta de Las Nieves e está prestes a dar à luz todo o Dream Team 92. A porta de saída será o buraquinho por onde papai plantou aquela sementinha, uhn, branca e protéica na mamãe. Então já sabe: a noite vai ser boa.

Isso mesmo, mulheres. Se vocês não estivessem tão preocupadas em manjar o estetoscópio no bolso da calça de George Clooney (ou você  achou que ele estava feliz em te ver?), perceberiam que ER ensinou tudo errado para a gente. Esqueça a dor. Dor é balela. Nove meses se foram e chegou a hora de despachar o rebento via sedex vaginal. Quando você o fizer, e se fizer da maneira certa, os únicos urros serão de puro prazer. Afinal, parir é uma coisa linda, alto astral, é praticamente um pagode da Cohab pra ficar legal.

Você pode até ter gozar while at it, baby. Acredite.  

A tese maluca está no documentário Orgasmic birth, de Debra Pascali-Bonaro, mãe de cinco e vagina pentacampeã mais feliz do Oeste. O filme acompanha 11 mulheres que fazem o trabalho de parto parecer fichinha, em vez daquele suplício tão pavoroso que dá  vontade de se virar para o fedelho e falar “eu te odeio, feto filha da puta, quando você nascer eu te obrigo a assistir à TV educativa e ouvir cantigas de ninar na interpretação dodecafonista de Tom Zé para você ver o  que é bom pra tosse”. Em miúdos: na hora de ter  o bebê, a mulherada geme, beija, ri e chega a ter um orgasmo. Ou vários.  

marta_suplicyA bolsa estourou? Relaxa e goza!

Essa, garante Debra – ela própria educadora de parto por mais de 20 anos -, é a típica “win-win situation”, na qual mamãe e nenê só têm a ganhar neste processo “mais natural e saudável”. Reproduzo (opa) o argumento da documentarista, surrupiado daqui, ó.

Espero estimular a discussão para  que mulheres jovens e homens considerem como o uso excessivo de cirurgia cesariana, máquinas e drogas está transformando o que poderia ser uma experiência agradável – mesmo orgásmica – em algo às vezes traumático.   

Mas e aí, Debra?

O que é um parto orgásmico?  Algumas mulheres o descrevem como o orgasmo de suas vidas, tão pleno e sensual, o bebê se movendo pelo corpo da mais feliz e amorosa maneira. Outras definem a experiência da mesma forma que eu definiria como orgásmica a sensação de comer um bom pedaço de chocolate. Um êxtase incrível. 

mallu_magalhaes3_resizeEm 1992? Ah, eu estava, da mais feliz e amorosa maneira, dançando dentro de minha mãe mesma…

Sem tomar posições (a favor, contra ou de cócoras) a respeito da proposta, digamos,  intrigante de Debra, a blogueira se contenta em cruzar os dedos (não as pernas) para que a experiência maternal da amiga leitora seja tão prazerosa como as das mulheres de Orgasmic birth, tudo no trailer abaixo. Fica a dica: antes de clicar no play, certifique-se de que o som não está muito alto e de que não tenha alguém – sua avó, por exemplo – a pelo menos cinco metros de distância. Você vai entender.

Os velhos tempos voltaram, vamos gonzar outra vez

dezembro 17, 2008

Let’s put it this way: se quando Deus te desenhou, ele estava namorando, e se Ralph Steadman é o Deus do cartunismo gonzo, quando Ralph Steadman te desenhou, ele estava traçando o primeiro lagartão que cantasse Amazing grace ao ritmo de Tchacabum – se rolasse um clima, claro. Tudo bem, tudo bem. O silogismo é barato, mas o artista, não.

Let me introduce himself: Ralph was the other man of wealth and taste. Trocando em miúdos (ou  em mescalina, ácido e o que mais estiver dando sopa), foi ele o guerreiro encarregado de dar cara à voz de Hunter S. Thompson. Comme il foutre

Cartunista e caricaturista britânico, seguiu à risca – de giz, no caso – as porra-louquices do jornalista americano, ilustrando a série Fear and lothing  in Las Vegas e  on the campaign trail 1972 -, além de muitos outros trabalhos do viajante (em todos os sentidos) amigo.  

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O lado sheena-punk-rocker de Ralph ficou de castigo por vários anos. E aí que no meio do caminho tinha um Hunter, tinha um Hunter no meio do caminho. O britânico, que era um tanto careta (para os padrões thompsonianos, isto é) e até então levava uma vida on the sunny side of the street, topou com o jornalista em 1970.

O caçador tinha sido escalado para cobrir a tradicionalíssima corrida de cavalos que há mais de centena de anos era orgulho-da-mamãe em sua cidade natal, Louisville, Kentucky. Ao lado de Ralph, encheu o pote e esvaziou a vergonha na cara ao longo de quatro loucos dias. Saiu fazendo tanta idéia de quem tinha ganho a corrida como você de o que diabos Stephen Hawking quis dizer com as tais cascas de nozes.

Deu no que deu: HST entregou ao editor da Scanlan’s Monthly artigo lisérgico sobre a sociedade sulista dos Estados Unidos – ela, sim, a quadrúpede que merecia atenção -, concentrando-se na platéia e ignorando qualquer detalhe da corrida. 

Iniciado na mescalina pelo amigo,  Ralph ficou a cargo das ilustrações da matéria: garranchos bestiais, carregados na psicodelia, com traços talhados a faca Ginzu no conservadorismo de uma nação. Como um bebê que não deu trégua e por nove meses levou River Dance à barriga da mãe, nascia o jornalismo gonzo, no ano-saideira da pilhadíssima década de 60.

O artigo “The kentucky derby is decadent and depraved” seria a primeira de muitas parcerias entre os dois, sepultada de vez com o suicídio de HST, em 2005. Cenas da dupla dinâmica você confere no (ótimo, por sinal) doc The life and work of dr. Hunter Thompson, exibido no Festival do Rio deste ano. 

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No cinema mais perto de você

dezembro 11, 2008

É dia de formatura na High & Stoned School Musical  e  Amy Winehouse vive* o papelote de sua carreira como a doce e pura (aliás: purinha, doutor, pode confiar) Chapadelle. Ao  longo de duas horas, nossa heroína (opa) exibe todo seu balacobarraco, ziriguidum, telecoteco e forrogoró para descolar do mesmo bagulho que afinal teria deixado seu Príncipe tão Encantado. Para embalar, empacotar ou apertar (a gosto do freguês) a aventura da nossa Bela Entorpercida, a fina flor – erva também serve – da música de Beck, o californiano que, muito antes de a economia americana sacar o outro lado da história – o clássico “tomar no cu” -, acusava a MTV de propiciar o crack na bolsa da galera.

amy_winehouse2_thumb1The hills are alive with the sniff of music

*Até o fechamento deste post, a informação verbal procedia. Não  fode. 

Sonífero para as massas

dezembro 3, 2008

Porque há  mais coisas entre o bidê e o troninho do que sonha nossa vã literatura de banheiro.