Os velhos tempos voltaram, vamos gonzar outra vez

Let’s put it this way: se quando Deus te desenhou, ele estava namorando, e se Ralph Steadman é o Deus do cartunismo gonzo, quando Ralph Steadman te desenhou, ele estava traçando o primeiro lagartão que cantasse Amazing grace ao ritmo de Tchacabum – se rolasse um clima, claro. Tudo bem, tudo bem. O silogismo é barato, mas o artista, não.

Let me introduce himself: Ralph was the other man of wealth and taste. Trocando em miúdos (ou  em mescalina, ácido e o que mais estiver dando sopa), foi ele o guerreiro encarregado de dar cara à voz de Hunter S. Thompson. Comme il foutre

Cartunista e caricaturista britânico, seguiu à risca – de giz, no caso – as porra-louquices do jornalista americano, ilustrando a série Fear and lothing  in Las Vegas e  on the campaign trail 1972 -, além de muitos outros trabalhos do viajante (em todos os sentidos) amigo.  

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O lado sheena-punk-rocker de Ralph ficou de castigo por vários anos. E aí que no meio do caminho tinha um Hunter, tinha um Hunter no meio do caminho. O britânico, que era um tanto careta (para os padrões thompsonianos, isto é) e até então levava uma vida on the sunny side of the street, topou com o jornalista em 1970.

O caçador tinha sido escalado para cobrir a tradicionalíssima corrida de cavalos que há mais de centena de anos era orgulho-da-mamãe em sua cidade natal, Louisville, Kentucky. Ao lado de Ralph, encheu o pote e esvaziou a vergonha na cara ao longo de quatro loucos dias. Saiu fazendo tanta idéia de quem tinha ganho a corrida como você de o que diabos Stephen Hawking quis dizer com as tais cascas de nozes.

Deu no que deu: HST entregou ao editor da Scanlan’s Monthly artigo lisérgico sobre a sociedade sulista dos Estados Unidos – ela, sim, a quadrúpede que merecia atenção -, concentrando-se na platéia e ignorando qualquer detalhe da corrida. 

Iniciado na mescalina pelo amigo,  Ralph ficou a cargo das ilustrações da matéria: garranchos bestiais, carregados na psicodelia, com traços talhados a faca Ginzu no conservadorismo de uma nação. Como um bebê que não deu trégua e por nove meses levou River Dance à barriga da mãe, nascia o jornalismo gonzo, no ano-saideira da pilhadíssima década de 60.

O artigo “The kentucky derby is decadent and depraved” seria a primeira de muitas parcerias entre os dois, sepultada de vez com o suicídio de HST, em 2005. Cenas da dupla dinâmica você confere no (ótimo, por sinal) doc The life and work of dr. Hunter Thompson, exibido no Festival do Rio deste ano. 

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Uma resposta to “Os velhos tempos voltaram, vamos gonzar outra vez”

  1. tarcisio buenas Says:

    curto o trabalho desse cara e em breve no on the rocks farei um post sobre hunter thompson.

    até a próxima.

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