Archive for janeiro \26\UTC 2009

Rosto tem que estar em algum lugar aqui

janeiro 26, 2009

E daí que o sujeito vai com a sua cara. Pede para tirar uma foto, assim, do nada – e ainda tem a audácia de perguntar o que você acha do seu próprio rosto.

Mas deixe o spray de pimenta para uma próxima. O projeto é do fotógrafo Simon Hoegsberg, de quem ouvi falar, na verdade, por causa de outra parada maneiríssima (chega mais). É preciso muita cara (a dele) de pau e um tantão de amor pela arte. Vai, Simon:

De vez em quando vejo uma pessoa na rua que imediatamente atrai minha atenção. Fico fascinado pela aparência dela e sinto um forte desejo de me aproximar e dizer oi.

Fiquei um mês, sete horas por dia, zanzando pelas ruas de Nova Iorque à procura de pessoas que tivessem esse efeito sobre mim.Encontrei dez, e perguntei a elas a mesma questão: o que vocês acham do seu rosto?

Depois confere as outras aqui.

01_facesJoan Darrow, consultora de imagem, idade secreta

“Acho que Deus me deu uma bela face. Quando penso no Espírito Santo sinto como se estivesse projetando beleza. Logo, tenho um semblante lindo, louvado seja o Senhor. Também tem a ver com aceitar a face que tenho. Digo, poderia fazer uma cirurgia plástica. Aí eu pareceria uma pessoa diferente, então por que faria isso? Não me envergonho de como pareço.

 11_faces Allen Makere, cantor e compositor, 27

“Lembro de quando eu era criança, crescendo onde cresci na África. Olhei para mim e percebi que minha cara era diferente da maioria da população. Quando vim para os EUA me alarmou descobrir que, apesar de ser negro, ainda não tinha o rosto dos negros daqui. Então tive de correr atrás das origens, descobrindo que tinha uma face da Ruanda. A América é um lugar onde você vê um bando de imagens no contexto do cinema, da publicidade e por aí vai. Então rolou o distinto sentimento de ter a cara errada, ou impopular, neste país. E foi apenas quando essa ficha caiu que eu me toquei do que podia ser mágico em mim – meu nariz, meus lábios, meus olhos. A partir daí, dificilmente deixo a casa sem colocar um lápis de olho. Me disseram que sou bonito. Mas beleza não está presa a nada moralista na vida. Quando ouço alguém falar que sou belo, na maioria das vezes não digo nada porque… não há nada a dizer.”
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Genevieve Montgomery, atriz e roteirista, idade secreta 
 
“N0 meu próprio rosto vejo os retratos de Van Eyck ou Holbein. Quando vou ao Metropolin Museum, várias vezes me vejo lá. Porque não vejo minha aparência tão contemporânea quanto os europeus de outrora. Sinto como se outros aspectos de mim que tenham vivido em períodos diferentes se sobressaiam por meio da minha face. (…) Não correspondo ao padrão atual, com magreza intencional. Eu realmente me ligo à essência-deusa da mulher.”
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Me fiz a mesma pergunta e vamos combinar, né, a resposta era uma só.
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Um senhor desfile

janeiro 26, 2009

São Paulo Fashion Week no more. De volta ao Rio, cambada. E mais enferrujada que Homem de Lata com tétano na Vale do Rio Doce.

Pois fique você sabendo que uma semana de semana de moda é pauleira, viu? Obama chegou chegando na Casa Branca, e só se falava nos vestidos da primeirona. Little Joy logo aí, mas pequena alegria mesmo era ter tempo de almoçar biscoitinho de sala de imprensa. Saiu indicação ao Oscar e que se foda, pois Oskar, o Metsavath, goes to… 

Teve até gato mia no Bolsa (não a Gucci, gente) Família, e eu lá, ralando na boquinha da garrafa de Chandon (me dá um desconto, vai), trabalhando 16 horas por dia, roubando garrafinha de água pra não pagar frigobar mais tarde.

Mas ó, agora aguenta, coração. Enquanto eu encaro a rehab intelectual, vai uma matéria que fiz para a revista “Domingo”, do JB, sobre o desfile do Ronaldo Fraga.

Não tá essas coisas, não. Mas vale o registro porque a parada foi do cacete, te juro. Coisa linda de se ver. A foto do desfile é de Marcio “Descruze as Pernas!” Madeira (First View). O resto é do Lucas Landau, moleque de 19 anos que me acompanhou de última hora e mandou bem pacas. High 5, Lucas. Tá add no coração. 

Um senhor desfile

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Você vê moda em tudo. Mas não em todos. Manequins, por exemplo, exigem medidas diminutas não só na fita métrica, mas também no RG.

No tribunal da moda, essa é a lei. E Ronaldo Fraga – quem mais? – não teve receio em declarar culpa nesse cartório.

Na segunda-feira, sala 1, Pavilhão da Bienal, do estilista que tudo se espera mesmo a mais aberta das mentes a zapear pela São Paulo Fashion Week não poderia adivinhar o que estava por vir.

A irromper pela passarela, uma senhorinha de cabelos brancos, toda prosa com o vestido da coleção de inverno do designer com jeitão de performer. 

Tratava-se Laïs Pearson, das jornalistas de moda mais veteranas do Brasil. 

Seguiram-se a ela na passarela vovós e vovôs, encontrados em agências ou no dia-a-dia paulista, além de algumas crianças que mais pareciam saídas da hora do recreio. 

A ideia era uma só: humanizar a moda. Com gente de verdade. “Valores reais, e não em reais”, argumentou o mineiro, para tecer seu fio da meada com a destreza de quem faz mais do que passar os dias a tricotar novelo de lã.

“Por que modelos trotando de um lado para o outro? Quero gente viva!” Que seja feita sua vontade. “Dizem que ‘Ronaldo’ não gosta de tendência. Mas acho que a macrotendência é humanizar. Tenho modelos com mais de 90 anos, pessoas lindas e maravilhosas, porém invisíveis em nossa sociedade”, disse o mineiro. A vida real ao vivo, a cores, grisalha e bem resolvida.

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Ao começo, por favor: lá estava Ronaldo, em um aeroporto, com o iPod tocando a trilha sonora do espetáculo Giz, de Álvaro Apocalypse, morto em 2003 e criador do teatro de bonecos Giramundo. “Observei velhos e crianças passando e fui vendo móveis cobertos por lençóis brancos. Quis estabelecer um diálogo com a memória”. O estilista decidiu, então, falar do novo e do velho como início e fim do traço, e para isso se inspirou na obra de Apocalypse na hora de criar “personagens-bonecos, espelhos do homem comum, pendurados como o velho vestido esquecido no cabide”. Sapatinhos na forma de rato, nos pés de pequenos que não alcançavam dois dígitos de idade, representaram ratos a roer a carne de espuma, a pele de pano, os ossos de madeira. Mas sem chegar perto “da alma irônica desses bonecos de giz”. De ultrapassado, na moda, só o mais do mesmo. Finda a apresentação, certamente a mais emocionante da SPFW, que jogasse o primeiro óculos escuros aquele que não tivesse ao menos uma lagrimazinha no canto do olho. Um senhor desfile.

O tempo não para

Cigarro em mãos, as duas mocinhas – altas, magras e com rostos de fazer Michelangelo criar uma nova Capela Sistina especialmente para elas – subiam a galope as escadas do Pavilhão da Bienal. Pararam no meio do caminho. Sem fôlego. Pouco depois, no backstage de Ronaldo, um colega de profissão mostrava pique para dar e vender em atacado. “Quer que eu prove?”. Pois não: foi lá e alongou a perna até atrás da cabeça. Detalhe: Egídio Spaziani tem 76 anos. Mas com corpinho de 50 e mente de 42, garante. Enquanto ele – que virou ator e manequim aos 63 anos – contava mil estripulias sobre os tempos de comissário de bordo da Vasp, um senhor de fartos bigodes brancos puxa a repórter pelo braço: “Fala mais alto, ele não escuta direito!”. Opa. Recado dado. Outros nomes do tempo em que vovó era broto – Yvone, Imília, Rodolfo, Giacomina – estavam no cast que, dali a meia hora, surpreenderia a platéia, à espera das Giseles nossas de todo dia.

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Para o cast, Ronaldo procurou agências de modelos e atores, mas chegou a recrutar senhoras e senhores em shopping e restaurante. Clara Troccoli, 66 anos, se disse “além de contente com o astral bom” – em quase todas as entradas, velha e infante guarda eram ovacionadas, feito que teve raros repetecos ao longo da semana de moda, como com as tops Gisele Bündchen (Colcci) e Raquel Zimmermann (Animale). Clara nem deu a mínima por não ter recebido um tostão de cachê: “Me basta ter sido convidada”. Outros receberam R$ 400 – mais ou menos o que uma modelo iniciante embolsa com uma voltinha na passarela. Tudo bem. As rugas estavam lá, só não eram as de preocupação. Valia a (voz da) experiência. Que o diga Laïs Pearson, “81 anos e meio, só não contei os dias e as horas”, jornalista de moda há 45 (a nossa primeira modelo na passarela), presente em mais de 20 edições da SPFW. “Achei as roupas muito bonitas. Mas, honestamente, não usaria tudo. Gostei de um macacão escolhido para mim, mas a roupa de sereia que também uso no desfile é muito ousada para uma senhora da minha idade”. Ao que um amigo interveio: “Que isso, dona Laís, ficou muito bem em você”. Com bochechas coradas, Laïs, por um momento, foi a verdadeira Dama de Vermelho. Mas passou. Estamos diante de uma profissional. Ossos do ofício. Com ou sem osteoporose.  

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He did it his way

janeiro 15, 2009

bush11   And now, the end is near…

bush22  And so I face the final curtain…

bush3  My friend, I’ll say it clear…

bush4  I’ll state my case, of which I’m certain…

Lado A,

Lado B.

Deu pau no computador

janeiro 14, 2009

The future came. Engole ou cospe?  

Seguinte: sexta-feira à noite, seca braba, a mulherada anda sem saco para o seu saco, o amigo de baixo vai batendo o forte o tambor e nada de tic tic tic tic no seu tac.

Calma, meu chapa. Seus problemas acabaram.

Um ex-engenheiro da Nasa usou a cabeça, ou melhor, as duas cabeças e criou o Real Touch. Se liga:  o dispostivo – espécie de cilindro high tech pronto para servir de cafofo a seu mascote – é introduzido (hehe) à porta USB do computador e, a partir daí, sincronizado com vídeos das mais diversas estrelas pornôs. A gosto do freguês.

Quando bati os olhos pela primeira vez, pensei de cara: “Podem me acusar de old fashioned, antivisionária e o cacete (mas o real). Isso é coisa de mané, e mané tem mais é de se fuder – e, por favor, de preferência sozinho, no banheiro, comme il fourtre “. Mas dei um desconto. Talvez a engenhoca (custo: US$ 150) seja  uma evolução natural de filmes e revistas pornográficos. Se o maluco arranjou uma forma de maximizar o prazer, bom pra ele. A OIT agradece. Menos jornadas abusivas de trabalho braçal no mundo.

Interessou? Clica no link e balança. Mas ó: só não vale trocar o “I’m coming”  por “I’m downloading” porque aí, vamos combinar, já é demais.  

   percushion_6Isso é um disco rígido ou você está feliz em me ver?

Forévis no seu coraçãozis

janeiro 13, 2009

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Em seu blog, Sérgio Dávila lembra que Graydon Carter, editor da Vanity Fair, deu um chute no saco do humor após o 11 de setembro (fazer o quê, né).

Por motivos distintos, Barack Obama, louvado seja, entrou no rol das personalidades tão intocáveis como uma Sandy pré-núpcias. As razões estão na pista pra negócio. O cara é negro e foi eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, que há meio século assassinava Martin Luther King. O cara tem “Hussein” no sobrenome e foi eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, que há cinco anos faria porco no espeto de qualquer infeliz sem um grandpa Carter ou um uncle Smith pra contar história. O cara tem orelha de abano e foi eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, que, bom, há cinco horas  ainda não dava bola na noitada para tipos candidatáveis a garoto propaganda da revista MAD.

Ora, essa. O sujeito que inspirou uma geração de Barackinhas nascidos (“Barack Carter III”, “John Barack”, “Barack William”, já pensou?) a partir de 2008 só não é mais famoso por ter declinado convite do Ego para ser o Garoto Paparazzo do mês. Daqui a uma semana, his black ass suas nádegas afro-americanas (com hífen? sem? depois das 3h não tem acordo ortográfico, foda-se, é a lei)  deitará sobre os mesmos lençóis nos quais o glúteo dumb ass de George Herbert Walker Bush repopôzava na Casa Branca, e isso é goddamned motherfuckin’ awesome júbilo puro, ou melhor, júbilo multicultural.

Mas daí a fazer de Obama essa persona irrepreensível, messiânica e escudada de qualquer piada que seja é demais. O Dávila, dos camaradas que mais aprecio na cobertura da polititica internacional, diz bem ao afirmar que “não existe humor político a favor, nem figura política insatirizável”. Obama não é exceção. As condições que o levaram ao poder, talvez. Aplaudo. Peço bis. Compro caneca no mercado livre com a cara do novo presidente. Mas Obama não é nem pode ser exceção alguma. É claro que  não existe um Redneck Human Rights para chiar quando ligamos as asneiras de Bush à “postura típica de um caipira branquelo do Texas”. Troçar com Obama por ele ter raízes quenianas, zero berço político e ser negro é uma situação mais delicada e estúpida, claro, ou melhor, miscigenado: taí o contexto histórico que não me deixa mentir. Mesmo assim, como várias reportagens lá fora apontam, comediantes têm ficado no vácuo quando ousam usaro nome de Barack Obama em vão.     

A camiseta feita por Sandro Menezes, estampada com o Mussum aí em cima, é um “ipe ipe urra” ao espírito irreverente que não deve jamais ser exorcizado, principalmente em relação a uma figura tão poderosa quanto o presidente dos EUA. E a isso aplaudo, peço bis e deixo os tomates de prontidão no cesto à direita. Just in case.   

Toma essa

janeiro 12, 2009

Esta aqui veio de ótima entrevista feita por Mário Sérgio Conti com Lula, em dezembro, para a Piauí (e publicada na íntegra pela Folha). 

A conversa girou basicamente em torno da relação do presidente com a imprensa. Num determinado momento, vem o pitaco presidencial sobre alguns jornalistas: Merval Pereira (“de um pensamento só, ou seja, contra o governo”), Elio Gaspari (“profundo respeito”), Clóvis Rossi (“muito amigo”), Ali Kamel (“profundo ressentimento”), Jânio de Freitas (“sou um admirador, mesmo quando fala mal do governo”), Paulo Henrique Amorim (“mesmo quando critica, você percebe que tem fundamento”), Luis Nassif (“indepentemente de qualquer coisa, ele é um dos grandes analistas econômicos do Brasil”).

A respeito de Diogo Mainardi, ah, Dioguinho,  esse que bate na mesma tecla antilulista com a fúria de um River Dance sobre o plástico bolha (com direito a trilha sonora do Olodum, salve, salve, Oxalá)?   

Presidente: eu te confesso que não leio.

gretchen1“É que com o Lula eu tenho um pé atrás…”

Uma rapidinha (opa): o Conti bem que podia ter perguntado sobre o Larry Rohter, né não? Senti falta. 

Vista privilegiada do amor

janeiro 9, 2009

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Roubei.

Aquecimento BBB

janeiro 9, 2009

Moral do dia:

{carregando}

Só um instantinho porque agora o papo é reto

janeiro 9, 2009

O Rodrigo Fonseca, do Segundo Caderno, repete “estreia” (e maneira na hora de usar variantes como “que estreou”, “lançado”, “saído quentinho do forno da casa de mamãe”) umas quatro vezes na mesma matéria. o G1 consegue, numa manchete de seis palavras, usar três delas já na grafia recauchutada (acho que era algo como Cruzeiro para por vomito e diarreia). Neguinho vai lá, manda o trema para a gramática que o pariu e, se bobear, encaixa “pinguim” até em reportagem sobre a superlotação das casas de sauna em Bangu.

Ah, não, assim também é demais. Não me leve a mal. Acho lindo a falta de resistência maior a uma proposta que, em última instância, puxa o tapete do mané que andava por aí com hífen lubrificado para carcar qualquer um menos instruído nos doutos sabores da língua mater. Aplaudo. Mas é impressão minha ou tem meio mundo querendo mostrar que aprendeu direitinho a usar o acordo ortográfico?

Será que os jornalistas (“a carapuça pra mim é tamanho P, por favor!”) acreditam prestar serviço de utilidade púbica ao dar uma brazilian wax naquelas regrinhas pentelhas da nossa gramática?

Bom mesmo seria a adoção do acordo nos telejornais. Da apresentadora loura (“posso dar uma olhadinha em outros modelos de carapuça?”): “A idÊia do ministro é encomendar cinCÔenta kits de segurança para o carnaval…”.

Mas vá lá, os que estão tendo dificuldades em se adaptar aos novos tempos e se perguntam ó, e agora, quem poderá nos defender? já podem contar com a astúcia deste site aqui (dica do B., que, por sinal, propôs outro dia acordo horTografiKKu miguxês. Candidatos, um passo à frente). Basta digitar e voilà, todas as regras antigas da gramática em bom e novo português. Só faz o favor de deixar de ser chato e implicar com a grafia mofadinha de exacto no link.

Ps. Este blog está em crise de identidade, assumo. Leva acento? Trema? Hífen? É casado? Tem filhos? Suplicyo que não acaba mais…    

Feliz ano velho

janeiro 7, 2009

O futuro chegou e, lamento informar, ele acabou de passar a mão na bunda da sua tataravó.

Pois é, fellow citizens. Para ser moderno, agora, é preciso ir fundo nos anais da história. Como vocês sabem, ou desconfiam, ou puta que o pariu, fecha isto aqui e vá ler algo mais útil, a missão do Google na Terra é catalogar toda a informação mundial e, de quebra, deixar tudo arrumadinho para nós, os mortais. Trocando em miúdos: o mundo como a gaveta de cuecas do vizinho neurótico, organizada por tamanho, cor, estampa, tecido, “manchas de freada”, “hoje eu vou me dar bem” e “para ser usada em datas festivas”. E daí que vamos maneirar no papo de dominação global, povo, que eu não tenho mais idade para acreditar em Papai Noel, Michael Moore ou Mino Carta. Tem coisa legal que pode sair desse saco, sim. Uma delas é o arquivo de fotos da LIFE, agora disponível na URL de Larry Page e Sergey Brin.    

Muitas imagens online vêm de páginas nunca dantes navegadas, já que a maior parte do material não chegou às vias de fato e de gráfica, ao ser descartada pelos editores da famosa revista norte-americana, fundada em 1883. E é coisa pra chuchu: são 10 milhões de itens no acervo, entre retratos e gravuras produzidos a partir de 1750. É como se, de todo esse everest fotográfico, apenas a graminha tivesse sido publicada. O resto foi ladeira abaixo rumo a arquivos empoeirados, que por anos resguardou negativos antigos, slides, gravações, placas de vidro e pinturas. Até chegar a hora de jogar a naftalina para o espaço – virtual, claro.

O Google informa que, por ora, cerca de 20% da coleção estão disponíveis. And counting. Vai lá e testa: quer saber o que a pequena Zelma Levison traquinava no quintal de sua casa, no nº. 314 da Livingston St., no Brooklyn, em 19 de julho de 1886? Disponha. O que Getúlio Vargas segurava, além de pepino, em 1940? Pegaqui. Orson Welles, fanfarrão, no carnaval do Rio de Janerio (sic) de 1942? Opa! Mas veja lá: de Barack Obama ainda não tem nada. Muito recente. E também não vale ficar, literalmente, muito excitadinho com a novidade. A única ocorrência que faz jus ao verbete “porn” é esta.     

ali2Muhammad Ali ante o Alvin “Alvo” Theatre, 1968 

beatles1 Os Beatles batem asinhas na piscina, 1964   

poorAlegria de pobre dura custa pouco, 1938

mascarasjamesJames Dean: modelo de uma geração, 1956 

ellaElla Fitzsgerald canta, canta, minha gente, 1946

peleO rei Pelé em close, 1966

Last but not least…

euA primeira ocorrência de “Virginia”, 1951