Forévis no seu coraçãozis

obamis

Em seu blog, Sérgio Dávila lembra que Graydon Carter, editor da Vanity Fair, deu um chute no saco do humor após o 11 de setembro (fazer o quê, né).

Por motivos distintos, Barack Obama, louvado seja, entrou no rol das personalidades tão intocáveis como uma Sandy pré-núpcias. As razões estão na pista pra negócio. O cara é negro e foi eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, que há meio século assassinava Martin Luther King. O cara tem “Hussein” no sobrenome e foi eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, que há cinco anos faria porco no espeto de qualquer infeliz sem um grandpa Carter ou um uncle Smith pra contar história. O cara tem orelha de abano e foi eleito presidente da nação mais poderosa do mundo, que, bom, há cinco horas  ainda não dava bola na noitada para tipos candidatáveis a garoto propaganda da revista MAD.

Ora, essa. O sujeito que inspirou uma geração de Barackinhas nascidos (“Barack Carter III”, “John Barack”, “Barack William”, já pensou?) a partir de 2008 só não é mais famoso por ter declinado convite do Ego para ser o Garoto Paparazzo do mês. Daqui a uma semana, his black ass suas nádegas afro-americanas (com hífen? sem? depois das 3h não tem acordo ortográfico, foda-se, é a lei)  deitará sobre os mesmos lençóis nos quais o glúteo dumb ass de George Herbert Walker Bush repopôzava na Casa Branca, e isso é goddamned motherfuckin’ awesome júbilo puro, ou melhor, júbilo multicultural.

Mas daí a fazer de Obama essa persona irrepreensível, messiânica e escudada de qualquer piada que seja é demais. O Dávila, dos camaradas que mais aprecio na cobertura da polititica internacional, diz bem ao afirmar que “não existe humor político a favor, nem figura política insatirizável”. Obama não é exceção. As condições que o levaram ao poder, talvez. Aplaudo. Peço bis. Compro caneca no mercado livre com a cara do novo presidente. Mas Obama não é nem pode ser exceção alguma. É claro que  não existe um Redneck Human Rights para chiar quando ligamos as asneiras de Bush à “postura típica de um caipira branquelo do Texas”. Troçar com Obama por ele ter raízes quenianas, zero berço político e ser negro é uma situação mais delicada e estúpida, claro, ou melhor, miscigenado: taí o contexto histórico que não me deixa mentir. Mesmo assim, como várias reportagens lá fora apontam, comediantes têm ficado no vácuo quando ousam usaro nome de Barack Obama em vão.     

A camiseta feita por Sandro Menezes, estampada com o Mussum aí em cima, é um “ipe ipe urra” ao espírito irreverente que não deve jamais ser exorcizado, principalmente em relação a uma figura tão poderosa quanto o presidente dos EUA. E a isso aplaudo, peço bis e deixo os tomates de prontidão no cesto à direita. Just in case.   

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