Archive for março \29\UTC 2009

New killers on the lego block

março 29, 2009

Silêncio (dos inocentes) no estúdio! – O Musical.

Via Ectomo.

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Introdução à história do cinema*

março 26, 2009

*ou Tudo o que você nunca quis saber sobre cinema e sempre teve coragem de não perguntar

Já que citei Woody no post anterior, aqui vai um texto de 2005, quando o estilo alleniano era meu pastor… needless to say: FAIL.

Neste primeiro módulo, ensinar-se-á como a retaguarda audiovisual europeia se debruçou nos clichês mais inusitados e nos lugares-comuns menos visitados para alçar nomes como John-Luke Godard e Frank Truffaut à Imortalidade, um lugar especialmente agradável para quem está em dia com o aluguel e satisfeito com a cor de seu cabelo.

O caixeiro-viajante será um personagem bastante radiografado por aqui. Figura popular em países altamente impopulares, ele imprimiu forte fascínio em toda uma geração de artistas, literatos e vendedores de enciclopédia. Sua história de vida já inspirou tramas inesquecíveis, como os épicos E o Correio Levou… e Minha Vida de Inseto, ambas dirigidas por Alfred E. Newman, cineasta talentoso porém amargurado pela crescente suspeita de que sua mulher o traía com seu eu lírico toda vez que ele saía para comprar alcachofras.

Croach Fiction – Tempos de Correspondência talvez seja o mais belo expoente do movimento retaguardista, cujo principal conceito-fetiche é o uso de guaxinins enraivecidos para o papel da mocinha. O longa-metragem foi filmado em pleno Morro dos Ventos Uivantes – point mais badalado dos alternativos desde de que se descobriu que o ar da Colina das Brisas Sibilantes só era próprio para algumas espécies mais prosaicas de vida, como bactérias, arbustos e high schools americanos.

O corpo docente não deixa margem de dúvida quanto à excelência de seus catedráticos, começando pelo próprio diretor do curso, Andrrré Bazãn, fundador do histórico Cahiers du Cinemá e peso-pesado em todos os sentidos: não bastasse ser dono de uma perícia cinematográfica sem igual, ostenta ainda uma compleição física capaz de comportar uma gêmea Olsen em cada perna.

Air-Bargman, cineasta e sociólogo dedicado ao estudo de hábitos culturais e marchinhas de carnaval suecas nas horas vagas, é o responsável pela cadeira de Sociologia, Hábitos Culturais e Marchinhas de Carnaval Suecas nas Horas Vagas. Infelizmente, o mais provável é que a turma perca a maior parte de sua fala por causa do lendário problema fonodiólogo, que faz com que ele só consiga lecionar suas aulas aos gritos e sussurros. (O mais intrigante é o fato de sua audição ser, particularmente, bastante sensível, visto como toda vez que um aluno emite qualquer tipo de som da aula, ainda que para respirar ou recitar o refrão de I Will Survive em turco, ele imediatamente o xinga de Smultronstället e deixa a sala desabalado em ritmo de marcha atlética.)

Outro cineasta que costumava dar as caras por lá era Roman Polanski, a cargo do módulo sobre a decupagem de menores. Contudo, ele foi obrigado a abandonar a carreira por motivos de uma força menor de idade.

É claro que muitos outros nomes importantes já circularam pelos corredores da faculdade, mas a verdade é que, desde a última grande crise entre Bazãn e seu sanduíche de carne, que se recusava a ser chamado de hamburguer por uma nova geração de estudantes americanófilos, grande parte dos professores se aposentou. Acabaram em Hollywood, onde filmariam documentários sobre o acasalamento entre espécies completamente distintas do mundo do espetáculo, como estrelas de cinema e os Oscares de Melhor Efeito Especial e Edição de Som de 1996.

Até o fim do período, o aluno terá mudado para sempre sua relação com a Sétima Arte.  A começar pela capacidade recém-adquirida de citar a filmografia de Pasolini de trás para a frente e pulando numa perna só – o que no futuro lhe renderá, rigorosamente, nenhum sexo e algumas bolinhas de papel numa roda de discussão. O estudante passará da condição de iniciante para iniciado, conquistando, assim, o direito de desferir opiniões consideradas válidas pela Academia.

As regras básicas são: nunca deixar de falar mal do cinema hollywoodiano e passar manteiga no sapato de outros cinéfilos como prova de superioridade. Mas sem dúvida a maior lição a se aproveitar após um semestre de curso será a revelação de que a vida pode até ser curta; um filme de Fellini, contudo, nunca o é.

zepexercritica

Entendeu ou quer que Arnaldo Branco desenhe?

Vira a página

março 26, 2009

Olá. Você vem sempre por aqui?

Pois eu tomei um belo porre de vergonha na cara e resolvi dar uma passadinha.

E é com coração mais apertado que cinta-liga na Vila Mimosa que vos digo: babou-se o que era douce.  @annavirginia is no longer following RJ on Twitter. Virei paulista. Troquei Santa Teresa por Consolação – e as piadinhas sobre consolo (opa) toda noite a blogueira dispensa. 

As condições, é verdade, por ora capengam. Exemplo: ainda sem computador em casa. Janto Miojo. Nos dias de sorte. E nem dá para dizer que “sou pobre mas sou limpinha” – do meu chuveiro, afinal, só sai água gelada. E fedida. Já experimentou se banhar em chuveirinho improvisado com mijo de Shrek nos confins da Sibéria? Algo por aí. Que venha o inverno.   

Sim, sim, eu danço cancan na cara do perigo. Mas a vida dura não dura para sempre – a não ser que você seja a Sylvia Saint e tope numa boa a vida ereta como ela é. Em breve compro meu laptop e, ao menos por aqui, dou mais as caras.  

Enquanto isso, saboreiem o novo conto de Woody Allen para a New Yorker, sobre um sujeitinho que certo dia cai morto e  reencarna como lagosta.  Para abrir o apetite, go Woody:   

Era seu destino cruel ser delicioso, virar o Especial do Dia, junto com batata assada e sobremesa. (…) Naquele momento, quem entra no restaurante e senta numa mesa próxima se não Bernie Madoff? (…) P.S.: tive um ataque cardíaco que pôde ser registrado em um laboratório de oceonografia de Tóquio.

Iluminado seja o vosso assassinato

março 22, 2009

Se Obayashi, Dalí, Jaspion e Samara se encontrassem para um chá (de cogumelo) das cinco, o resultado seria mais ou menos este aqui:

Luz no fim do túnel? Iluminado seja? Fiat Lux? Sei não…

Hamlet for dummies

março 17, 2009

(  ) Ser

(  ) Não ser

Conversas com Wagner

março 17, 2009

Matéria que fiz pra revista Domingo, do #jornaldebolso. O nascimento do capitão Hamlet, ou Capitão Nascimento Hamlet, ou… bah, algo por aí. Guenta porque tá grandinha.  

hamlet_wagner

Seis amigos perguntam e Wagner manda: não quer saber de um Hamlet “dinamarquês, lourão e deprê”

Hamlet é o Everest de todo ator. E notícia não  há de um que não tenha dado uma balançada que seja diante da avalanche de complexidades empilhadas sobre o príncipe de Shakespeare. Acontece que Wagner Moura é um alpinista teatral nato. E pode apostar: nada fácil é, neste mundo forever young de hoje, interpretar um personagem com 408 anos para pôr na conta. No palco, o ator baiano quica, pula e joga o dendê de uma baianice que jamais ousou disfarçar. Antes, diria ao camarada Zé Celso que não quer saber de um Hamlet “dinamarquês, lourão e deprê”. Se passar uma tarde em Itapuã com o dramaturgo inglês – um dos maiores que a História nos deu, senão o maior – é válido? A maior parte dos críticos parece dizer sim ao painho William, se depender da atuação, incensada pela  intelligentzia paulista, de Wagner no papel-título de Hamlet, dirigido por Aderbal Freire-Filho e desde quinta-feira em temporada carioca, no Teatro Oi Casa Grande.

“Essa história está entranhada em todas as culturas. Cada ator tem sua pegada, e a minha é mais emocional. Não quer dizer que nós vamos fazer Hamlet nas areias de Copacabana só por que estamos no Rio, mas na nossa peça os personagens se tocam, se abraçam. Na Dinamarca posso te garantir que não seria assim”, disse o ator, por telefone, à coluna, dois dias antes de estrear na cidade.  

Para Wagner, é simples: a erupção de questões – eis as eternas questões! – vinda à tona com o assassinato do pai do personagem funciona como uma espécie de Lav-Lev para a alma. E crise existencial, daquelas que rasgam nosso pré-conceito do mundo com a eficiência das facas Ginzu, não respeita sexo, idade ou país de origem. “Hamlet pode ser mulher, velho ou garoto. Todos somos Hamlet ou ninguém o é. Desconfio de qualquer discurso que deseje aprisionar o papel a um perfil assim ou assado.”

Nós também, Wagner. Nós também.

E eles idem: nestas páginas, seis colegas que tiveram sua vez com o ícone shakespeariano, à frente ou atrás do palco, questionam o baiano sobre a responsa de encarar o  personagem que todo ator gostaria de encontrar no pé da meia em dia de Natal. Vamos nessa?

Zé Celso Martinez Corrêa, diretor, em 93 levou aos palcos montagem de Hamlet, o qual considera “mais forte que Jesus”

Minha pergunta ao nosso querido Wagner Hamlet Moura – ‘To be or not to be’ ou ‘Tupy or not Tupy’?

Wagner: Zé amado, queria tanto que você tivesse visto a peça aí em Sampa. Várias vezes eu me pegava em cena pensando: acho que o Zé vai gostar disso. Respondo categoricamente: TUPY OR NOT TUPY. Nosso hamlet em nada atende o desejo dos que querem ver aquele dinamarquês frio, lourão e deprê. Ele é  feito por artistas brasileiros, que têm em sua cultura a porta de entrada para o entendimento da tragédia de Shakespeare. Aqui as personagens se tocam sem medo. Não temos medo da emoção, tão cara ao povo latino, porque estamos embasados na compreensão que temos do texto. Nossa compreensão é só uma entre milhares, o lourão triste também é ótimo, mas eu não saberia fazê-lo.

Cláudia Abreu, atriz, aos 21 interpretou interpretou o personagem na peça Um certo Hamlet

Quando eu tinha 20 anos, o Abujamra me chamou para fazer Hamlet. Minha primeira reação foi ter medo de não dar conta da complexidade do personagem. Durante os ensaios, em algum momento, você teve vontade de pegar um táxi e ir embora por puro pânico?

W: Cacau, adoraria ter visto o seu Hamlet. O sucesso que ele fez  só comprova minha certeza de que estamos tratando aqui de um personagem inesgotável. Tenho certeza que cada pessoa tem aquele príncipe dentro de si. E que arte  tão superior a todas que é o teatro! Ali tudo pode. Adoraria ter visto, por  exemplo, Paulo Autran fazer Hamlet com 80 anos, tenho certeza que quando ele  pisasse no palco, ninguém iria estranhar. Essa complexidade, em vez de  assustar, só me deu coragem. Eu pensava: existem milhões de formas de fazer  esse personagem, eu não pretendo dar nenhum testemunho definitivo sobre ele, eu só vou apresentar o meu. E assim foi.

Antônio Abujamra, diretor teatral, responsável pela montagem de Um certo Hamlet, em 91

Quando você entra em cena, é capaz de olhar dentro de si mesmo sem susto?

W: Não, Abu.  Cada dia é um susto, todo dia tem susto. E o susto é fundamental. Eu tenho entendido muito o significado do termo work in progress com esse personagem. Esse Hamlet é um amálgama muito violento do que está sendo dito naquela hora e do que eu sou. O cara que estreou essa peça em junho de 2008 não é o mesmo que está aqui agora, portanto meu Hamlet vem se transformando muito, principalmente por conta dos sustos que eu me permito tomar todo dia. Esse canal está  permanentemente aberto. Desconfio muito dos críticos que vem com muito psicologismo pra cima de Hamlet (embora os psicólogos o amem). Digo isso porque creio que com esse cara não tem “não pode”,  não tem “ele não faria isso”, “não agiria assado”. Não acho que Stanislavski seja a melhor porta para Shakespeare. Os caras que vem com essa conversa não tem a menor ideia do que seja tomar um susto em cena.

Marco Ricca, ator, encarnou o papel-título em Hamlet, espetáculo dirigido por Ulysses Cruz, em 96

Quantos fantasmas você já “enxergou” além do Pai Hamlet enquanto estava em cena?

W: Fala, Ricca, meu irmão! Você bem sabe que a gente ali vê é coisa. Os
fantasmas são muitos…a peça é um mergulho muito grande na consciência de um personagem muito complexo, como eu disse, é inevitável o mergulho para dentro de si próprio. E os meus fantasmas são muitos. Mas eu não fujo deles, aquela arena é nossa, não dá para correr do touro ali. O mergulho na natureza humana que Shakespeare propõe é vertiginoso e tem dias que o negócio fica puxado. Mas eu tento estar muito presente ali, inteiro, entregue: meus medos, minhas dores, minhas culpas, meu sublime, meu trágico. A dor e a delícia de estar vivo. Não é para isso que serve esse negócio?

Marco: Você já está de “saco cheio” de ouvir o quanto você é corajoso de montar esta peça?

W: Não. Tenho que admitir que gosto de escutar isso. Vou dizer porquê: essa coragem que nós tivemos é o oxigênio desse nosso negócio. Não existe arte sem risco, arte segura. Segura é a poupança. A coragem é inerente ao nosso ofício. Um ator tem mesmo que ser corajoso para pisar no palco, porque, se entrar em cena com o freio-de-mão puxado, vai ser engolido ali. O teatro não perdoa covardia. E é preciso mesmo um suplemento extra de coragem para dizer aquelas palavras escritas há mais de quatrocentos anos, sabendo que todo mundo já escutou aquilo alguma vez na vida. E muita gente queria escutar de um jeito que não é o seu. Então não vou negar: eu gosto quando dizem que montar Hamlet é um ato de coragem porque tenho consciência que, de fato, é, simplesmente porque não há como ser diferente.  Fico com a frase de Glauber: “Na minha arte, mais importante do que o talento é coragem”.

Enrique Diaz, diretor da Cia dos Atores, optou por descontruir a vida do príncipe em Ensaio.Hamlet

Quando ”conversa’ com Hamlet, você sente que nada importa, que não somos donos de nada (nem de nós mesmos, que dirá de nossas supostas conquistas), que estar preparado é tudo?

W: Kike, seu ‘Ensaio.Hamlet’ é uma obra-prima. Eu me sinto conversando, sim. Hamlet é o teatro da vida.  O efêmero, esse fogo que queima no teatro é também o fogo que queima na vida. Hamlet é um pouco deste périplo que é viver e a perplexidade dentro desse mistério. A peça lança (como nenhuma outra obra de arte que eu conheça) uma centelha de alívio a perguntas que não tem respostas: de onde viemos, para onde vamos, o que somos, o que caralho estamos fazendo aqui. Essa conversa se dá todos os dias quando piso no palco para dizer esse texto. É tudo fogo, o teatro, a vida… Estar pronto é tudo.

Diogo Vilela, ator, em 2000 descoloriu o cabelo e entrou de cabeça na montagem dirigida por Marcus Alvisi

Qual desses momentos que mais te emociona como ator? Que mais te pega, que mais te deixa próximo do personagem como pessoa?

W: Diogo querido, lembro bem de sua emoção. Vi seu Hamlet bem de pertinho do palco. Como eu disse, vou vivendo esse Big Brother com o príncipe e cada dia me surpreendo com ele e depois comigo, com a gente, com a mistura que somos e por aí vai. Mas desde que estreei, me emociono muito com o monólogo de Hécuba, na última cena do segundo ato, uma fala que exorta o poder dos atores e do teatro, dita por atores, num teatro. me emociona muito, todo dia. O teatro como revelador da verdade. É com o teatro que Hamlet agarra a consciência de Claudios. Que coisa linda em tempos de BBB. 

Todo dia é dia

março 16, 2009

A designer americana Brock Davis acorda. Bebe café. Brinca com o filho e a filha. Dirige até o trabalho (vai de bicicleta no verão). Tira o engarrafamento para pensar. Faz coisas para os clientes (trabalha numa agência de publicidade em Minneapolis). Tenta evitar reuniões. Volta pra casa. Brinca com o filho e a filha. Fica acordada até tarde fazendo coisas que gosta. Vai dormir.

Entre um ponto final e outro, arranja tempo para fazer alguma coisa legal todo dia em 2009.

Eis algumas delas:

 duxckCinco patinhos foram passear… um não voltou

dinniedarkoDonnie Darko gets a girlfriend

rulesCerto por linhas tortas

nadaFAIL

O Ser é ele, o Nada somos nozes

março 16, 2009

Volto para casa na madruga e pego uma van. Daquelas com alma de van. Que na vida passada foram uma kombi. E que na vida passada à vida passado eram charrete popular, e na outra antes dessa um maluco que saía pelas ruas aleatoriamente a pegar estranhos no colo e perguntar onde eles queriam descer (a resposta quase sempre era: “Isto é um freio de mão ou você está feliz em me ver?”).

Nessa van, uma criança chora (você quer dar um pescotapa nela mas se controla), um elemento suspeito que na verdade é só um trabalhador volta pra casa (você se sente culpada, promete nunca mais pré-julgar alguém e cantarola “Cidade de Deus é o maior maior  barato” porque isso pra você é ser DO MOVIMENTO), algumas senhorinhas discutem se a vó Naiá deveria vazar do Big Bosta Brasil (você se pergunta onde estará o saudoso vô Nonô e depois lembra que ele ficou de fazer um filme porNonô, e especula se ele se apoiará na Bengala do Kid para manter a proposta ereta de pé). Por fim, o trocador grita “CENTRAL, CENTRAL, DOIS RÊAU” pra qualquer pessoa na rua achando que assim consegue convencê-la a entrar no veículo, ainda que ela esteja indo para a direção oposta (já aconteceu com você, mas disfarça).

Uma van como outra qualquer, alguns diriam. Uma everyday van. Provavelmente van mãe de família, com várias minivans pra dar de mamar (gasolina ou bastante álcool, como de praxe entre automóveis e os membros do clã Balloussier). E nessa mesma everyday van mãe de família como outra qualquer – com o nenê que chora, um elemento suspeito que é só um trabalhador, os quartos 203 e 502 da Santa Genoveva que discutem BBB, o trocador barítono e a velha a fiar – você encontra o adesivo, colado em cima do porta-luvas  

No adesivo – grande, com uns 60cm de comprimento e fundo brilhante brega estilo “Cauby Peixoto te despreza” -, a seguinte inscrição:

“DEUS SEM VOCÊ É DEUS. VOCÊ SEM DEUS É NADA.”

E de repente sinto um grande vácuo existencial se apossar de mim. Como se eu fosse a comida que é tirada das mãos de uma gordinha faminta e enfiada goela abaixo de uma bulímica. Regurgitada nesta nova e horrorosa realidade na qual o Senhor de Todos, Tudo e um Pouco Mais não só não precisasse de mim (até aí, nada de novo), como ainda tirasse onda em cima disso.

Cabisbaixa, peço para saltar no meu ponto e, andando a Gomes Freire adentro, sinto aquelas letras garrafais pesarem sobre mim como se fossem o primeiro sit-in de elefantes que se tem notícia.

DEUS SEM VOCÊ É DEUS. VOCÊ SEM DEUS É NADA.

Será que é assim que o Barba dos Los Hermanos se sente?

MARCELO E RODRIGO SEM VOCÊ SÃO MARCELO E RODRIGO. VOCÊ SEM MARCELO E RODRIGO É NADA.

Ringo?

PAUL E JOHN SEM VOCÊ SÃO PAUL E JOHN. VOCÊ SEM PAUL E JOHN É NADA.

Dilma?

LULA SEM VOCÊ É LULA. VOCÊ SEM LULA É NADA.

A tanguinha do Gabeira?

GABEIRA SEM VOCÊ É GABEIRA. VOCÊ SEM GABEIRA É NADA.

Junior?

SANDY SEM VOCÊ É SANDY. VOCÊ SEM SANDY TOCA NA 9 MIL ANJOS, OU SEJA, DO THE MATCH.  

Restante do elenco de House?

HOUSE SEM VOCÊ É HOUSE. VOCÊ SEM HOUSE É NADA.

Mas, olhem, o jeito é tocar a vida pra frente. Nós, os N.A.D.A. (Nulos de Afeto Divino Atemporal), precisamos nos conscientizar que passaremos por esta existência sem nunca ter levado do Paizão um tapinha nas costas. Por isso nos voltamos às drogas, essas pseudo-aliviadoras de barra tão facilmente encontradas em bocas de fumo, coffe shops holandesas e blogues de baixo calão.

E não adianta tentar chamar atenção batendo pé e emendando na dança do maxixe. O Criador te despreza. Você precisa Dele. Não o contrário. Você só é útil a ele na hora de debitar do Imposto de Renda Universal. Você está para Deus como os homens estão para Madonna: morre um, chega outro, ainda mais novinho e em folha (aliás, Jesus Luz? MADGE SEM VOCÊ É MADGE.VOCÊ SEM MADGE É NADA). Um grão de areia na praia de Copacabana. Uma reles gonorréia no exame ginecológico geral das meninas do Caldeirão do Huck. Pois é, amigão. Sartre passou raspando nesta: o Ser é ele, o Nada somos nozes.  

oSenhor_diz:

março 15, 2009

cristiasn

Via Ectomo.

Rapidinha

março 11, 2009

“Tem DADO na Universal?” é, definitivamente, uma frase que merece entrar para os anais. Da história, claro.

(Papador de mosca, entenda aqui.)