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Jards Macalé apresenta

julho 24, 2009

Matéria a jato, feita em meia hora (mesmo), pro site da @risos. Vou postar só porque pago pau pro cara.

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Ideia na cabeça ele tinha para dar, vender e fazer fiado na praça. A câmera na mão veio em 1969, quando Jards Macalé caiu “no meio da selva, num festival da Amazônia”, poucos dias após apresentar “Gotham City” no 4º Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho.

“Fiquei com essa filmadora até 1987, quando ela desapareceu magicamente”, contou o cantor, compositor e violinista, apontado como enfant terrible da música brasileira (contra sua vontade, pois ele acha a nomenclatura de uma bobagem sem igual). O passe de mágica, felizmente, não afetou o acervo de Super 8 do músico. Se assim fosse, uma chance preciosa escorreria ralo abaixo: sacar como era a vida da turma que zarpou para as bandas europeias durante a Ditadura Militar.

Tente imaginar isto: durante auto-exílio em Londres, Macalé e Caetano dividem apê. Gil, também escapulido do Brasil, dá sempre as caras. Na cidade também estão Glauber Rocha, Júlio Bressane e Rogério Sganzerla, o trio ternurinha do cinema brasileiro experimental. “Todos espalhados por lá. Tinha uma ‘tchurma’ boa”, Macalé viaja no tempo.

Agora, várias dessas cenas, a maioria inédita, poderão ser vistas no Multiplicidade, evento que rola nesta quinta, 23, no Oi Futuro do Rio de Janeiro. Quem deu um jeito no arquivo – para o músico, acima de tudo “um álbum de retrato de mim pra mim”, pelo qual “ninguém se interessava” – foi o cineasta Samir Abujamra, do coletivo experimental A Organização.

Na garupa da proposta multimídia do Multiplicidade, o “Cine Macalé” vai estar rolando enquanto o músico manda ver parcerias dele com Waly Salomão (“Vapor Barato”, “Dona de Castelo”) e músicas de Zé Keti (“A Voz do Morro”) e Moreira da Silva (“Acertei no Milhar”),  entre outras.

Vai ser uma boa chance de ter uma palhinha do que foram aqueles loucos anos 70 – quando a “hora do chá” podia trazer sabores bem mais lisérgicos do que aqueles indicados pela Rainha a seus súditos. Um dos filmetes em Super 8, por exemplo, mostram o primeiro ensaio de Transa, LP lançado em 1972 por Caetano Veloso. “Fizemos piquinique num parque e começamos a ensaiar lá mesmo”, explica Macalé, que fez arranjos para o disco, eleito pela Rolling Stone Brasil como a oitava melhor sacada de toda a discografia brasileira.

Para aquela “tchurma”, a união fazia a força. Estamos falando de uma época em que até o paleozoico Windows 3.x soaria papo de Jetsons. As notícias do Brasil, portanto, só chegavam via carta, telefone ou pessoas recém-chegadas na Europa. Mas Macalé insiste em um ponto: o que fazia com sua filmadora “não é muito diferente do que você fazem hoje com filmadorazinhas de última geração”.

A ideologia do flagra e da espontaneidade continua (“eu  não avisava, chegava filmando”). A qualidade é que ficou uma coisa gozada, segundo o cineasta amador. “É interessante, hoje, ver como o filme em si ganha tonalidade, parece pintura.” Dá para ouvir a gargalhada do outro lado da linha antes de a voz rouca, que caracteriza uma performance cheia de personalidade no palco, continuar: “Meio Van Gogh, sabe?”.

O filmes eram tremidos e, não raramente, fora de foco. A impressão que passa é de vídeo-arte proposital. Macalé, aliás, já se engraçou por essas veredas, em trabalhos com os artistas Hélio Oiticica e Lygia Clark, entre outros “A multimídia não é tão nova quanto pensam. É o ontem de amanhã com outro nome”, ele tira onda.

O desleixo das imagens pode até conferir ar cool aos filmes. Mas sufoco mesmo era rodá-los nos projetores. “As máquinas eram loucas! Comiam filmes. Verdadeiro horror.” O problema será resolvido em breve, já que boa parte do acervo está sendo digitalizado. O tesouro está a salvo.

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Direção perigosa pela via pública

julho 19, 2009

Não é só tempo perdido. É fazer do seu, do meu, do nosso dinheirinho papel higiênico de elefante. Vira e mexe o cara vai lá e pega uma graninha com a Lei RuaNele (que só manda mesmo é bom senso para o olho da rua). Tudo para cometer barbáries em nome do bom se velho cinema brasileiro.

Pior é que quem paga a conta é você, my fella espectador, acostumado a tantas cagadas no cinema mais perto de você – ou a gente acha que lamber o prato da curtura não é a mesma coisa do que limpar a bunda dos cineastas a serviço da nação? Talvez não seja o caso de falarmos em Retomada, e sim Freada – mais popularmente conhecida como Badalhoca, essa corrente de desopilamento da sétima arte brasileira. Cinema para os anais da história.

É claro que nem tudo é descargável. O problema é que, para cada Estômago, são 10 socos no estômago. E vale pra tudo. Entram no mesmo balaio filmes “de arte” (já ouviu falar de Siri-Ará, de Rosemberg Piriri, quer dizer, Cariry? não? continue assim) e garanhões da bilheteria como Divã (“Freud, explica?” “Agora? Tá na hora do jogo, porra!”).

E para não dizer que eu, como tantos, só faço reclamar, vai a CAIXINHA DE SUGESTÕES: a criação de uma lei para que todo cineasta patrocinado pelos cofres públicos ande por aí com uma plaquinha pendurada no fiofó. Nela, virão os dizeres:  “COMO ESTOU DIRIGINDO?”.

como-estou-dirigindo“Como um asshole”

Memórias que bebi, memórias que inventei

julho 19, 2009

Estávamos todos no bar, e aí Raulzito incorporou a Irina Palm e disse: “Toca Raul!”.

Poucas coisas são piores do que a combinação sexo, praia, areia, rego. Não transar é uma delas. Se tocar que o cara está fantasiado de Vera Loyola é outra.

Quando soube que o Michael Jackson havia morrido, eu usava blusa de florzinha, jeans, All-Star. E um cachimbo.

bed2“Ele se mexia muito durante o sono”

Propagandas improváveis de vingar algum dia

julho 13, 2009

enterrem-meu-coracao-na-curva-do-rio

O Rio Sul se vende como “o mais carioca dos shoppings”. Carioca, em tupi-guarani, quer dizer algo como “cafofo de branco”. A lição do dia é por conta da casa.

Dia de princesa

julho 1, 2009

Porque eu sempre soube que existe uma princesa dentro de cada uma de nós.

chapeu

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As imagens fazem parte do ensaio Fallen Princesses, de Dina Goldstein.  “Em todas as imagens as princesas são colocadas num cenário articulado com os conflitos correspondentes”, ela explica.

Felizes para nunca  – that’s the spirit, folks.