Archive for maio \26\UTC 2010

Antes que dê merda

maio 26, 2010

Patricia Travassos é lenda urbana, assim como a troca de corpos, num remake de “Freaky Friday”, entre o vulcão Apichatpong Weerasethakul e o cineasta tailandês Eyjafjallajökull.

Cheguei a essa conclusão outro dia mesmo, quando estava com um bloqueio literário daqueles. Sentei para escrever o roteiro do meu primeiro filme, uma chanchada faroeste chamada “Brokeback Moustache: Além do Bem, do Mal e do Feio”. Seria a história de amor do caubói Snietzsche Esporas e seu fiel pangaré, o Assim Relinchou Varatrusta III.

Noite vem, noite vai, e não saí da primeira linha. Lá pela madrugada, umas 4h, o quarto foi tomado por uma grande nuvem de pum. Dela sai Patricia Travassos, materializada na minha frente para exaltar os milagres da Activia Literária.

“Como vai seu intelecto hoje?”

“Ahn, normal, eu acho.”

“Você não deve descuidar do intelecto, viu? Meia horinha de Twitter e ele fica todo desregulado!”

“É…”

“Quel tal um potinho da deliciosa Activia Literária? Perfeita para você, cheinha de merda na cabeça!”

E Patricia se foi, envolta na mesma nuvem de pum, para socorrer outra pobre blogueira constipada com sua prisão de mente.  

Eu sei, eu sei. Minha vida é uma comédia da vida privada. Minha biografia, pura literatura de banheiro. Bah, que o último a sair dê descarga.

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Frank é um funkassauro

maio 25, 2010

Mas não é a mamãe, não é a mamãe!

Música santa

maio 4, 2010

Desde tempos imemoriais e desmemoriados, rock e religião se trombam nas esquinas da história.

Jesus Cristo, afinal, foi pioneiro do hair metal e dono dos primeiros groupies de que se tem notícia, os apóstolos. Os shows aconteciam lá onde Judas perdeu os coturnos, minutos antes de  J.C. transformar água em vinho – o que lhe rendeu uma senhora ressaca de 40 dias e 40 noites. 

Foi J.C. quem montou a primeira banda de rock, a A.C./D.C. O nome ele nunca patenteou porque, afinal, se todo mundo é filho de Deus, ficava difícil convencer o cara do cartório de que o cabeludo no R.G. era ele mesmo, e não Cid Guerreiro no especial de fim de ano da Globo.

Rolling Stone daquela época, a Bíblia também era chamada de Higher Times. A edição ficava sob responsabilidade de Lúcifer, o vizinho maloqueiro que morava no subsolo. 

O Livro Sagrado, a bem da verdade, foi deturpado ao longo dos séculos. Muitos escritos originais se perderam, principalmente após a instalação da política de corte de custos, que trocou papel por seda – um mau negócio por motivos óbvios, já que nunca se queimaram tantos livros em praça pública.  

Mas os laços permanecem. E algumas das bandas mais famosas dos novos tempos fizeram questão de resgatar, de forma mais ou menos subliminar, a herança religiosa do rock.    

Rolling Stones, por exemplo, é uma óbvia alusão à movimentação de Lázaro para sair da tumba. Beatles, uma nítida referência às pragas do Egito. Weezer reproduz o barulhinho que Ele fez ao descobrir que o filhão gastou todo a mesada em larica de pão e porre de vinho. E Cansei de Ser Sexy seria o que mais senão Maria Madalena puta da vida?