Archive for março \15\UTC 2011

McDia Feliz

março 15, 2011

Vejo no New York Times que, em Hong Kong, já é possível casar no McDonald’s.

Imagino se você, noiva, improvisa um buquê com três casquinhas. Vislumbro você, noivo, fazendo juras de amor com uma aliança de batatinha. E Ronald McRonald vos declara marido e mulher.

You may french-frie-kiss the bride!

Essa história toda me fez lembrar de quando eu tinha 9, 10 anos e meti na cabeça que me casaria numa lanchonete de beira de estrada.

Daquelas bem fuleiras mesmo: café (frio) com leite (gelado) no balcão, o pão com manteiga feito numa chapa limpa na base do esfregão. 

Tudo administrado pelo gerente Jorge, um tipo suado que usa a mesma mão para servir cachorro-quente e coçar o saco (esperemos que nessa ordem).

Anos mais tarde, é verdade, meu bom senso foi parar numa kitschnette moral. Lugar onde casamento que se preze tem noiva chegando num unicórnio fake, com crianças dançando aos berros de “paz mundial”, “My Heart Will Go On” sung by Walder Wildner.

Mas, para a Anna dos anos 90, já metida a ser metida, um casório convencional não era cool o bastante.

Já hoje em dia, o casamento dos meus sonhos é um que me faça chegar a tempo de ver a reprise de “House”, ou pelo menos um filme do David Neves no Canal Brasil.

Anúncios

Por que F5?

março 5, 2011

Hoje vamos falar de gente que é mais legal no Twitter do que na vida real.

Essas pessoas emitem opinião sobre tudo? Sim, elas fazem isso.

Serei eu uma delas? Pode ser. A gosto do freguês.

Quero saber o que você pensa do exclusivíssimo descascador de batata que, por apenas R$ 9,99 a mais, reproduz “batatinha quando nasce” na voz do Billy Idol? Não, obrigada.

Também não faço questão de conhecer seus sentimentos sobre paz na Palestina, a barba do Bell Marques ou sexo com cabritos, ou sexo com a barba em forma de cabrito do Bell Marques na Palestina.

Se cruzo com semiconhecidos na rua, o mais provável é que saque o celular para atender Bóris, meu amigo imaginário, uma lagosta gigante que coleciona cupons de desconto descolados na revista pornográfica “Playgrill”.

Bóris tem lá seus defeitos (não existir, gosto por sapatos bicolores), mas certamente terá mais a oferecer do que uma conversa que começa com “te sigo no Twitter”.

A moral da história você já sacou: vivemos em tempos irritantes. Tempos em que todo mundo apita sobre tudo em jornada integral. Idiossincrasias que você espreme até não poder mais, como se faria a tubo de pasta de dente chegando ao fim.

Acredito que, lá no fundo, todos sabemos que esfria rápido essa feijoada de caracteres, memes e polegares pra cima. Um prato que não foi feito para se comer pelas beiradas, mas para cair em cima como carnívoros famintos pelo novo hype, até deixar só o osso no prato.

E confesso: mais preguiça ainda tenho da aristocracia cibernética com horror de dividir seus brioches com a massa de arrobas.

A vida real (seja lá o que se entenda por isso hoje em dia) talvez fosse mais emocionante se, ao ouvir algo bacana, a pessoa surgisse do nada com o polegar levantado e o olhar maníaco.

Ou fizesse um comentário vago sobre o tempo e, para respostas que extrapolassem 140 caracteres, gritasse um “corta!” ensandecido, batendo uma claquete de mentira.

Enquanto isso não acontece, fica uma questão no ar: por que F5?

Banquete dos coxinhas

março 1, 2011

Via Fuck Yeah Dementia