Archive for the ‘descategorized’ Category

Quiçá Sessão da Tarde

janeiro 24, 2012

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While his guitar gently weeps

outubro 11, 2011

You say you want a revolution, well, you know.

Dando meu melhor

outubro 3, 2011

Via Fuck You Very Much

I’m cheaper

setembro 16, 2011

Um retrato da jornalista quando jovem

julho 27, 2011

Vi no 4Chan.

And grow up

abril 4, 2011

McDia Feliz

março 15, 2011

Vejo no New York Times que, em Hong Kong, já é possível casar no McDonald’s.

Imagino se você, noiva, improvisa um buquê com três casquinhas. Vislumbro você, noivo, fazendo juras de amor com uma aliança de batatinha. E Ronald McRonald vos declara marido e mulher.

You may french-frie-kiss the bride!

Essa história toda me fez lembrar de quando eu tinha 9, 10 anos e meti na cabeça que me casaria numa lanchonete de beira de estrada.

Daquelas bem fuleiras mesmo: café (frio) com leite (gelado) no balcão, o pão com manteiga feito numa chapa limpa na base do esfregão. 

Tudo administrado pelo gerente Jorge, um tipo suado que usa a mesma mão para servir cachorro-quente e coçar o saco (esperemos que nessa ordem).

Anos mais tarde, é verdade, meu bom senso foi parar numa kitschnette moral. Lugar onde casamento que se preze tem noiva chegando num unicórnio fake, com crianças dançando aos berros de “paz mundial”, “My Heart Will Go On” sung by Walder Wildner.

Mas, para a Anna dos anos 90, já metida a ser metida, um casório convencional não era cool o bastante.

Já hoje em dia, o casamento dos meus sonhos é um que me faça chegar a tempo de ver a reprise de “House”, ou pelo menos um filme do David Neves no Canal Brasil.

Por que F5?

março 5, 2011

Hoje vamos falar de gente que é mais legal no Twitter do que na vida real.

Essas pessoas emitem opinião sobre tudo? Sim, elas fazem isso.

Serei eu uma delas? Pode ser. A gosto do freguês.

Quero saber o que você pensa do exclusivíssimo descascador de batata que, por apenas R$ 9,99 a mais, reproduz “batatinha quando nasce” na voz do Billy Idol? Não, obrigada.

Também não faço questão de conhecer seus sentimentos sobre paz na Palestina, a barba do Bell Marques ou sexo com cabritos, ou sexo com a barba em forma de cabrito do Bell Marques na Palestina.

Se cruzo com semiconhecidos na rua, o mais provável é que saque o celular para atender Bóris, meu amigo imaginário, uma lagosta gigante que coleciona cupons de desconto descolados na revista pornográfica “Playgrill”.

Bóris tem lá seus defeitos (não existir, gosto por sapatos bicolores), mas certamente terá mais a oferecer do que uma conversa que começa com “te sigo no Twitter”.

A moral da história você já sacou: vivemos em tempos irritantes. Tempos em que todo mundo apita sobre tudo em jornada integral. Idiossincrasias que você espreme até não poder mais, como se faria a tubo de pasta de dente chegando ao fim.

Acredito que, lá no fundo, todos sabemos que esfria rápido essa feijoada de caracteres, memes e polegares pra cima. Um prato que não foi feito para se comer pelas beiradas, mas para cair em cima como carnívoros famintos pelo novo hype, até deixar só o osso no prato.

E confesso: mais preguiça ainda tenho da aristocracia cibernética com horror de dividir seus brioches com a massa de arrobas.

A vida real (seja lá o que se entenda por isso hoje em dia) talvez fosse mais emocionante se, ao ouvir algo bacana, a pessoa surgisse do nada com o polegar levantado e o olhar maníaco.

Ou fizesse um comentário vago sobre o tempo e, para respostas que extrapolassem 140 caracteres, gritasse um “corta!” ensandecido, batendo uma claquete de mentira.

Enquanto isso não acontece, fica uma questão no ar: por que F5?

Cara, caramba

janeiro 26, 2011

Prosopagnosia, basicamente, é a doença de quem não vai com a sua cara. Nem com a de nenhuma outra pessoa.

Os portadores desse mal têm dificuldade em reconhecer o rosto de outras pessoas. Na prática, é como se a multidão fosse um grande teste de Rorschach, aquelas manchas que o psicólogo põe na sua frente e pergunta do que se tratam.

Você quer desesperadamente “passar” no teste, enxergar o campeonato de polca para mímicos que qualquer pessoa sã veria, mas não consegue identificar nada além de… um imenso borrão.

Para não passar por louca (ou, pior, vegetariana), chuta que são cachorros fofinhos cantando “Imagine” em um latido uníssono e com uma leve pegada de tecnobrega. Sempre cola.

Pois bem, voltando ao ponto: não precisa ser psicótica graduada no Educandário Natália Klein para entender que a prosopagnosia é o grande mal do nosso tempo.

Para as mocinhas descrentes, sugiro uma breve pesquisa de campo.

Você vai a um bar, conhece um gatinho. Ele pede seu telefone. Você tenta sorrir de canto de boca, com classe, mas acaba oferecendo um spacatto labial que te credencia para qualquer casting do papel de Coringa.

Mesmo assim, o cara parece gostar de você. Ri das suas piadas (que na verdade não eram piadas, você realmente encontrou um japonês, um italiano e um português na porta do sex-shop). Uma coisa leva a outra e, quando você se dá conta, os dois estão em seu apartamento, fazendo o que qualquer casal de jovens bem esclarecidos na casa dos 20 e poucos anos faria: acordar seu roomate para testar o karaokê on-line (the very best of “sertanejo universitário” edition). 

Sim, minha cara, a noite foi boa. Você sabe disso, ele sabe disso, e o vizinho voyeur com certeza já espalhou a palavra pelo YouTube.

No dia seguinte, nenhuma ligação. Ótimo! Prova de que o gatinho não é um daqueles psicopatas que se autoconvidam para a festa de 89 anos da sua tia Margarete. Sem pé no acelerador. Ele sabe que, como os melhores vinhos, a relação precisa envelhecer.

O problema é que o casinho envelhece tão bem quanto a marca de biquíni da tia Margarete. Ele não liga a semana inteira, te ignora nas redes sociais e responde seu objetivo convite para um chope, via SMS, com uma descompromissada carinha feliz – como quem força um “hmmmm” para responder se o empadão de jiló com massa integral está gostoso.

Eis que o Ministério do Pé na Bunda adverte: o buraco, minha querida, é mais embaixo.

Porque já é fim de semana e, para curar a fossa, você se prepara para cair na esbórnia, se possível com um duplo twist carpado. Põe seu melhor vestido, aquele tubinho fosforescente que mais parece um letreiro em neón: PIRIGUETE LTDA. Chama só as amigas solteiras, almoça na tia do cachorro-quente por uma semana para poder torrar seu dinheiro em álcool. A noite promete.

Mas, rápido no gatilho, Murphy dá tchauzinho para você do outro lado da balada (rapaz, como essa vodca desce rápido!).

Você e o gatinho, claro, se cruzam na festa. Lá, ele é acometido por uma súbita crise de prosopagnosia aguda (a única explicação) e passa reto por você, como se seu rosto fosse tão fácil de reconhecer quanto um bom papel de Murilo Benício.

Essa epidemia, tão comum no século 21, tem como grupo de risco rapazes entre 23 e 29 anos, com cabelos milimetricamente desgrenhados, barba por fazer, gosto por cinema, adoração por bons vinhos e, ainda sim, heterossexuais. Vê-se, portanto, que a doença só ameaça 0,00018% da população paulistana.

O que é cool para você?

janeiro 9, 2011

Diz pra mim, Terry.