Archive for the ‘just wondering’ Category

And grow up

abril 4, 2011

Por que F5?

março 5, 2011

Hoje vamos falar de gente que é mais legal no Twitter do que na vida real.

Essas pessoas emitem opinião sobre tudo? Sim, elas fazem isso.

Serei eu uma delas? Pode ser. A gosto do freguês.

Quero saber o que você pensa do exclusivíssimo descascador de batata que, por apenas R$ 9,99 a mais, reproduz “batatinha quando nasce” na voz do Billy Idol? Não, obrigada.

Também não faço questão de conhecer seus sentimentos sobre paz na Palestina, a barba do Bell Marques ou sexo com cabritos, ou sexo com a barba em forma de cabrito do Bell Marques na Palestina.

Se cruzo com semiconhecidos na rua, o mais provável é que saque o celular para atender Bóris, meu amigo imaginário, uma lagosta gigante que coleciona cupons de desconto descolados na revista pornográfica “Playgrill”.

Bóris tem lá seus defeitos (não existir, gosto por sapatos bicolores), mas certamente terá mais a oferecer do que uma conversa que começa com “te sigo no Twitter”.

A moral da história você já sacou: vivemos em tempos irritantes. Tempos em que todo mundo apita sobre tudo em jornada integral. Idiossincrasias que você espreme até não poder mais, como se faria a tubo de pasta de dente chegando ao fim.

Acredito que, lá no fundo, todos sabemos que esfria rápido essa feijoada de caracteres, memes e polegares pra cima. Um prato que não foi feito para se comer pelas beiradas, mas para cair em cima como carnívoros famintos pelo novo hype, até deixar só o osso no prato.

E confesso: mais preguiça ainda tenho da aristocracia cibernética com horror de dividir seus brioches com a massa de arrobas.

A vida real (seja lá o que se entenda por isso hoje em dia) talvez fosse mais emocionante se, ao ouvir algo bacana, a pessoa surgisse do nada com o polegar levantado e o olhar maníaco.

Ou fizesse um comentário vago sobre o tempo e, para respostas que extrapolassem 140 caracteres, gritasse um “corta!” ensandecido, batendo uma claquete de mentira.

Enquanto isso não acontece, fica uma questão no ar: por que F5?

Cara, caramba

janeiro 26, 2011

Prosopagnosia, basicamente, é a doença de quem não vai com a sua cara. Nem com a de nenhuma outra pessoa.

Os portadores desse mal têm dificuldade em reconhecer o rosto de outras pessoas. Na prática, é como se a multidão fosse um grande teste de Rorschach, aquelas manchas que o psicólogo põe na sua frente e pergunta do que se tratam.

Você quer desesperadamente “passar” no teste, enxergar o campeonato de polca para mímicos que qualquer pessoa sã veria, mas não consegue identificar nada além de… um imenso borrão.

Para não passar por louca (ou, pior, vegetariana), chuta que são cachorros fofinhos cantando “Imagine” em um latido uníssono e com uma leve pegada de tecnobrega. Sempre cola.

Pois bem, voltando ao ponto: não precisa ser psicótica graduada no Educandário Natália Klein para entender que a prosopagnosia é o grande mal do nosso tempo.

Para as mocinhas descrentes, sugiro uma breve pesquisa de campo.

Você vai a um bar, conhece um gatinho. Ele pede seu telefone. Você tenta sorrir de canto de boca, com classe, mas acaba oferecendo um spacatto labial que te credencia para qualquer casting do papel de Coringa.

Mesmo assim, o cara parece gostar de você. Ri das suas piadas (que na verdade não eram piadas, você realmente encontrou um japonês, um italiano e um português na porta do sex-shop). Uma coisa leva a outra e, quando você se dá conta, os dois estão em seu apartamento, fazendo o que qualquer casal de jovens bem esclarecidos na casa dos 20 e poucos anos faria: acordar seu roomate para testar o karaokê on-line (the very best of “sertanejo universitário” edition). 

Sim, minha cara, a noite foi boa. Você sabe disso, ele sabe disso, e o vizinho voyeur com certeza já espalhou a palavra pelo YouTube.

No dia seguinte, nenhuma ligação. Ótimo! Prova de que o gatinho não é um daqueles psicopatas que se autoconvidam para a festa de 89 anos da sua tia Margarete. Sem pé no acelerador. Ele sabe que, como os melhores vinhos, a relação precisa envelhecer.

O problema é que o casinho envelhece tão bem quanto a marca de biquíni da tia Margarete. Ele não liga a semana inteira, te ignora nas redes sociais e responde seu objetivo convite para um chope, via SMS, com uma descompromissada carinha feliz – como quem força um “hmmmm” para responder se o empadão de jiló com massa integral está gostoso.

Eis que o Ministério do Pé na Bunda adverte: o buraco, minha querida, é mais embaixo.

Porque já é fim de semana e, para curar a fossa, você se prepara para cair na esbórnia, se possível com um duplo twist carpado. Põe seu melhor vestido, aquele tubinho fosforescente que mais parece um letreiro em neón: PIRIGUETE LTDA. Chama só as amigas solteiras, almoça na tia do cachorro-quente por uma semana para poder torrar seu dinheiro em álcool. A noite promete.

Mas, rápido no gatilho, Murphy dá tchauzinho para você do outro lado da balada (rapaz, como essa vodca desce rápido!).

Você e o gatinho, claro, se cruzam na festa. Lá, ele é acometido por uma súbita crise de prosopagnosia aguda (a única explicação) e passa reto por você, como se seu rosto fosse tão fácil de reconhecer quanto um bom papel de Murilo Benício.

Essa epidemia, tão comum no século 21, tem como grupo de risco rapazes entre 23 e 29 anos, com cabelos milimetricamente desgrenhados, barba por fazer, gosto por cinema, adoração por bons vinhos e, ainda sim, heterossexuais. Vê-se, portanto, que a doença só ameaça 0,00018% da população paulistana.

Pra não dizer que as flores não falaram de mim

outubro 31, 2010

Confesso que só três eleições me emocionaram de verdade:

-> Lula (2002)

-> Obama (2008) 

-> “Enchente, Quem Salvará Nossos Filhos?” (Intercine, 1999).

Mas, vamos lá. Vai que é tua, dona D.

Luz, câmera e ação no fim do túnel

outubro 13, 2010

Sou como Mãe Dinah consultando os astros para Stevie Wonder: já vi tudo.

O drama dos mineiros chilenos vai virar filme.

À la Eddie Murphy em “Professor Aloprado”, Antonio Banderas se desdobrará no papel dos 33 trabalhadores que só viram menos luz do sol do que Donatella Versace e os longos invernos na clínica de bronzeamento artificial.

A coprodução Estados Unidos/Chile/Brasil contará ainda com Rodrigo Santoro, Gael García Bernal e Javier Bardem.

A participação especial ficará por conta de Tom Hanks –de mullet, bigodinho e corrente de prata, ele interpretará o primo distante de um dos mineiros, vindo diretamente da capital do Brasil (Buenos Aires).

Seu auge cênico será saltar com um cavalo para dentro da mina –ao som de Celine Dion cantando Gloria Estefan– e salvar o primo Jesus Juan de las Dores. Nenhum animal será ferido durante as gravações. Só dois estagiários de edição e a tia do lanchinho.

Penelope Cruz e Salma Hayek assumirão o front feminino. Gisele Itié fará uma pontinha e, nos créditos, aparecerá como “moça do decote #2”.

Fernanda Montenegro ganhará o papel da sábia matriarca, que eventualmente soltará a lição de moral do filme: “Como no cu do seu tio Gomez, o buraco é sempre mais embaixo!”.

Anota aí: você leu primeiro na Tangerina.

Lula somos nozes

setembro 17, 2010

Dia desses um amigo a chamou de lulista.

Sentiu-se ofendida, claro, mas lá no fundo sabia se tratar de falsa injúria. Como quem passa de minissaia na frente do canteiro de obras, ou vai de sigilo fiscal para o bloco carnavalesco e faz de conta que não foi violada (na minha Receita ou na sua?).

O fato é que, sim, ela vai com a cara do homem. Pior: é gratuito.

Veja bem: Luz Para Todos, no seu caso, só balayage em promoção no salão da esquina.

PAC, naturalmente, nada mais é do que Programa de Acasalamento Cerceado –também conhecido como “fase da seca”, ou ainda “morra, você que tem uma vida sexual mais movimentada do que Praça da Sé às seis da tarde”.

A única Bolsa Família que recebeu na vida foi uma daquelas Gucci paraguaias onde cabe qualquer coisa, do laptop novo à coleção de perucas da Cher (não que ela tenha laptop).

Enfim, seu arsenal contra Lula é infinito. Mensalão. Aloprados. José Sarney. Rabo preso. Língua presa, e língua solta também.

Não custa lembrar que ela fica de fora dos “mais pobres e menos escolarizados” –que, como os “entendidos” gostam de acreditar, viram massinha de modelar nas mãos dos poderosos. Também não bate ponto no petismo ou em qualquer outra corrente partidária.

Ainda assim, o Nosso Guia, como já diria Elio Gaspari, tem apelo irresistível para a moça.

Simpatizar com o presidente, diga-se de passagem, não significa preferir Dilma a Serra, ou vice-versa. Tampouco a faz ser condescendente com Lula e as besteiras que vez ou outra ele solta por aí, como a vista grossa para atropelos aos direitos humanos no Irã.

Não sabe se é lulista no armário, lulista de botequim, lulista para recall. Suspirou. Provavelmente a opção d): todas as alternativas.

God fffffound

julho 31, 2010

Texto que escrevi em abril de 2004. Eu tinha senso de humor. Se bom ou mau humor, aí é com vocês. E, agora, fiquem com Deus:

Sobre heresia, macarrão instantâneo e nozes

No início, Deus criou o céu, a terra e, talvez por decidir que um mundo sem jazz, abridor de lata e McLanche Feliz não teria graça, resolveu criar o ser humano.

É verdade que sua intenção inicial era colocar-nos acima do bem e do mal, mas esse andar já estava ocupado pelo departamento de Assuntos Celestiais. Desde então, o almoxarifado do sistema solar passou a ser chamada de Terra.

Então, entediado das trevas, Deus ordenou que se fizesse luz. Mas, por conta da temporada de apagões que o universo passava no período, Ele teve de criar o dia e, como medida econômica, a noite.

Logo depois, interessado em sediar os jogos olímpicos da galáxia (que aconteciam de quatro em quatro anos-luz), Deus tentou agilizar o projeto e acabar a Terra em sete dias. O Cômite Olímpico Lácteo, contudo, achou que ainda não havia estrutura suficiente para um evento de tamanha dimensão, até porque eram muitos os vulcões em ativa na época, e um dos avaliadores tinha alergia a enxofre.

A raça humana, como todos sabem, é a espécie mais inteligente do planeta, uma vez que é o única espécie capaz de refletir sobre o seu próprio reflexo, falar da própria fala e se conscientizar quanto à própria consciência, e isso tudo enquanto combina a cor da meia com a da gravata.

E tem mais: a humanidade gosta de debater sobre física quântica, falar sobre ela na terceira pessoa e, sempre que pode, faz questão de jogar na cara dos outros animais o tal lance dos polegares opositores –o que, modéstia d’Ele à parte, foi essencial para que o homem pudesse manusear ferramentas, jogar fliperamas e estourar plásticos-bolha.

Inventamos o macarrão instantâneo, os programas de auditório e gostamos de tomar sopa com colher, embora estudos já tenham comprovado que o canudo, nesse caso, é muito mais apropriado para evitar queimaduras na boca.

Deus que nos fez à Sua imagem e semelhança, o que torna um tanto estranho o fato de alguns de nós parecermos com Margaret Tatcher ou o Sr. Madruga. Concedeu-nos o livre arbítrio para que pudessemos exercer nosso pleno direito de implantar ditaduras, entupir-nos de carboidratos ou simplesmente andar na rua com uma caixa com os dizeres “cabeça humana”, só pela graça disso.

Contudo, nada disso tira d’Ele o Cinturão de Criador, O Princípio de Todas as Coisas e Tudo o Mais. Afinal, estamos falando de um cara que já acumulou em sua estante uma quantidade respeitável de prêmios, como o Grande Prêmio de efeitos especiais por todas as Grandes Guerras, a melhor intervenção divina no Festival Internacional de Milagres com o cancelamento de Dawson’s Creek e que, nos tempos vagos, ainda concorreu para Miss Divindade Via Láctea (que teria ganho de Alá, se não fosse por aquelas duas polegadas extras no quadril).

Cara de muitos amigos, ainda mais inimigos e alguns simpatizantes, Deus é tema de infinitos fã-clubes, sociedades secretas, grupos terroristas e, numa cidadezinha mineira, ainda dá o nome para um pequeno sex shop atrás da vídeolocadora da cidade.

Deus é, de fato, onipresente: está no pão nosso de cada dia, na maioria das letras de pagode e no discurso de tudo quanto é político às vésperas de eleição.

É verdade que, ao longo da nossa história, Deus já morreu várias vezes e de várias formas, inclusive de tanto rir com cada nova tentativa do homem em tentar achar o sentido da vida (que Ele mesmo não sabe qual é, embora tenha, nos últimos séculos, desenvolvido uma teoria de que possa ser o fato de milhões de árvores no mundo serem plantadas acidentalmente por esquilos que enterram suas nozes e não lembram onde eles as escondem).

Ainda hoje muitos de nós perguntarmos se Deus realmente existe ou se Ele seria uma invenção que a humanidade criou para aliviar seu profundo sentimento de desamparo existencial, uma vez que vivemos num mundo com tanta miséria, unhas quebradas e homens que se chamam Astrogildo. Deus já foi sepultado pelos positivistas, rejeitado pelos niilistas e transformado em caixinha de dízimos pela Igreja Universal –e isso sem falar nos agnósticos, que andaram espalhando por aí que Deus teve um filho com Britney Spears só para difamar Sua imagem.

Mesmo assim o Chefão continua, trocadilhos à parte, com os índices de popularidade lá nos céus. O fato é que a humanidade ainda não está preparada para se livrar d’Ele de uma vez por todas, até porque o ateísmo não tem nem tanta graça, nem tantos feriados.

Ícone pop por excelência, Deus estará sempre conosco no planeta que nos arrendou para que reinemos soberanos, até que um dia um garoto canadense esqueça de dar a descarga no banheiro da escola e, por algum motivo fora de qualquer compreensão possível, esse fato desencadear uma cadeia altamente improvável de acontecimentos que resultará na invasão do planeta pela raça alienígena Ordnave, que detestará cada pedaçinho de matéria terrestre, com exceção de pretzels (que os lembrariam da forma de seu planeta de origem) e do cabelo da Cher (para isso, não haveria qualquer tipo de explicação lógica). Amém.

Só dá vuvuzela, ela, ela

junho 16, 2010

E as cantadas, hein?

“Na minha vuvuzela ou na sua?”

E os pornôs, hein?

“Vuvuzela Profunda”

E as quarentonas bem resolvidas que adoram um trabalho de sopro, hein?

“Sex and the Vuvuzela”

E o olhar kantiano sobre a falência epistemológica do humano, hein?

“Crítica da Vuvuzela Pura”

Haja trabalho de sopro

Antes que dê merda

maio 26, 2010

Patricia Travassos é lenda urbana, assim como a troca de corpos, num remake de “Freaky Friday”, entre o vulcão Apichatpong Weerasethakul e o cineasta tailandês Eyjafjallajökull.

Cheguei a essa conclusão outro dia mesmo, quando estava com um bloqueio literário daqueles. Sentei para escrever o roteiro do meu primeiro filme, uma chanchada faroeste chamada “Brokeback Moustache: Além do Bem, do Mal e do Feio”. Seria a história de amor do caubói Snietzsche Esporas e seu fiel pangaré, o Assim Relinchou Varatrusta III.

Noite vem, noite vai, e não saí da primeira linha. Lá pela madrugada, umas 4h, o quarto foi tomado por uma grande nuvem de pum. Dela sai Patricia Travassos, materializada na minha frente para exaltar os milagres da Activia Literária.

“Como vai seu intelecto hoje?”

“Ahn, normal, eu acho.”

“Você não deve descuidar do intelecto, viu? Meia horinha de Twitter e ele fica todo desregulado!”

“É…”

“Quel tal um potinho da deliciosa Activia Literária? Perfeita para você, cheinha de merda na cabeça!”

E Patricia se foi, envolta na mesma nuvem de pum, para socorrer outra pobre blogueira constipada com sua prisão de mente.  

Eu sei, eu sei. Minha vida é uma comédia da vida privada. Minha biografia, pura literatura de banheiro. Bah, que o último a sair dê descarga.

Música santa

maio 4, 2010

Desde tempos imemoriais e desmemoriados, rock e religião se trombam nas esquinas da história.

Jesus Cristo, afinal, foi pioneiro do hair metal e dono dos primeiros groupies de que se tem notícia, os apóstolos. Os shows aconteciam lá onde Judas perdeu os coturnos, minutos antes de  J.C. transformar água em vinho – o que lhe rendeu uma senhora ressaca de 40 dias e 40 noites. 

Foi J.C. quem montou a primeira banda de rock, a A.C./D.C. O nome ele nunca patenteou porque, afinal, se todo mundo é filho de Deus, ficava difícil convencer o cara do cartório de que o cabeludo no R.G. era ele mesmo, e não Cid Guerreiro no especial de fim de ano da Globo.

Rolling Stone daquela época, a Bíblia também era chamada de Higher Times. A edição ficava sob responsabilidade de Lúcifer, o vizinho maloqueiro que morava no subsolo. 

O Livro Sagrado, a bem da verdade, foi deturpado ao longo dos séculos. Muitos escritos originais se perderam, principalmente após a instalação da política de corte de custos, que trocou papel por seda – um mau negócio por motivos óbvios, já que nunca se queimaram tantos livros em praça pública.  

Mas os laços permanecem. E algumas das bandas mais famosas dos novos tempos fizeram questão de resgatar, de forma mais ou menos subliminar, a herança religiosa do rock.    

Rolling Stones, por exemplo, é uma óbvia alusão à movimentação de Lázaro para sair da tumba. Beatles, uma nítida referência às pragas do Egito. Weezer reproduz o barulhinho que Ele fez ao descobrir que o filhão gastou todo a mesada em larica de pão e porre de vinho. E Cansei de Ser Sexy seria o que mais senão Maria Madalena puta da vida?