Posts Tagged ‘deus’

The jelly age button

abril 11, 2010

Via FFFFound!

O Ser é ele, o Nada somos nozes

março 16, 2009

Volto para casa na madruga e pego uma van. Daquelas com alma de van. Que na vida passada foram uma kombi. E que na vida passada à vida passado eram charrete popular, e na outra antes dessa um maluco que saía pelas ruas aleatoriamente a pegar estranhos no colo e perguntar onde eles queriam descer (a resposta quase sempre era: “Isto é um freio de mão ou você está feliz em me ver?”).

Nessa van, uma criança chora (você quer dar um pescotapa nela mas se controla), um elemento suspeito que na verdade é só um trabalhador volta pra casa (você se sente culpada, promete nunca mais pré-julgar alguém e cantarola “Cidade de Deus é o maior maior  barato” porque isso pra você é ser DO MOVIMENTO), algumas senhorinhas discutem se a vó Naiá deveria vazar do Big Bosta Brasil (você se pergunta onde estará o saudoso vô Nonô e depois lembra que ele ficou de fazer um filme porNonô, e especula se ele se apoiará na Bengala do Kid para manter a proposta ereta de pé). Por fim, o trocador grita “CENTRAL, CENTRAL, DOIS RÊAU” pra qualquer pessoa na rua achando que assim consegue convencê-la a entrar no veículo, ainda que ela esteja indo para a direção oposta (já aconteceu com você, mas disfarça).

Uma van como outra qualquer, alguns diriam. Uma everyday van. Provavelmente van mãe de família, com várias minivans pra dar de mamar (gasolina ou bastante álcool, como de praxe entre automóveis e os membros do clã Balloussier). E nessa mesma everyday van mãe de família como outra qualquer – com o nenê que chora, um elemento suspeito que é só um trabalhador, os quartos 203 e 502 da Santa Genoveva que discutem BBB, o trocador barítono e a velha a fiar – você encontra o adesivo, colado em cima do porta-luvas  

No adesivo – grande, com uns 60cm de comprimento e fundo brilhante brega estilo “Cauby Peixoto te despreza” -, a seguinte inscrição:

“DEUS SEM VOCÊ É DEUS. VOCÊ SEM DEUS É NADA.”

E de repente sinto um grande vácuo existencial se apossar de mim. Como se eu fosse a comida que é tirada das mãos de uma gordinha faminta e enfiada goela abaixo de uma bulímica. Regurgitada nesta nova e horrorosa realidade na qual o Senhor de Todos, Tudo e um Pouco Mais não só não precisasse de mim (até aí, nada de novo), como ainda tirasse onda em cima disso.

Cabisbaixa, peço para saltar no meu ponto e, andando a Gomes Freire adentro, sinto aquelas letras garrafais pesarem sobre mim como se fossem o primeiro sit-in de elefantes que se tem notícia.

DEUS SEM VOCÊ É DEUS. VOCÊ SEM DEUS É NADA.

Será que é assim que o Barba dos Los Hermanos se sente?

MARCELO E RODRIGO SEM VOCÊ SÃO MARCELO E RODRIGO. VOCÊ SEM MARCELO E RODRIGO É NADA.

Ringo?

PAUL E JOHN SEM VOCÊ SÃO PAUL E JOHN. VOCÊ SEM PAUL E JOHN É NADA.

Dilma?

LULA SEM VOCÊ É LULA. VOCÊ SEM LULA É NADA.

A tanguinha do Gabeira?

GABEIRA SEM VOCÊ É GABEIRA. VOCÊ SEM GABEIRA É NADA.

Junior?

SANDY SEM VOCÊ É SANDY. VOCÊ SEM SANDY TOCA NA 9 MIL ANJOS, OU SEJA, DO THE MATCH.  

Restante do elenco de House?

HOUSE SEM VOCÊ É HOUSE. VOCÊ SEM HOUSE É NADA.

Mas, olhem, o jeito é tocar a vida pra frente. Nós, os N.A.D.A. (Nulos de Afeto Divino Atemporal), precisamos nos conscientizar que passaremos por esta existência sem nunca ter levado do Paizão um tapinha nas costas. Por isso nos voltamos às drogas, essas pseudo-aliviadoras de barra tão facilmente encontradas em bocas de fumo, coffe shops holandesas e blogues de baixo calão.

E não adianta tentar chamar atenção batendo pé e emendando na dança do maxixe. O Criador te despreza. Você precisa Dele. Não o contrário. Você só é útil a ele na hora de debitar do Imposto de Renda Universal. Você está para Deus como os homens estão para Madonna: morre um, chega outro, ainda mais novinho e em folha (aliás, Jesus Luz? MADGE SEM VOCÊ É MADGE.VOCÊ SEM MADGE É NADA). Um grão de areia na praia de Copacabana. Uma reles gonorréia no exame ginecológico geral das meninas do Caldeirão do Huck. Pois é, amigão. Sartre passou raspando nesta: o Ser é ele, o Nada somos nozes.