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Brasília 18% (e olhe lá)

novembro 27, 2008

Queria eu ter tempo para contar melhor sobre o Festival de Brasília, mas entenda, meu amor. Não rola. A semana vai ser cheia, o saco idem, neste exato instante tenho um elefante sentado sobre minhas pálpebras e ninguém lê post longo anyway. Ou ninguém lê post (meu), ponto.  

Mas uma coisa eu vou dizer: para mim, a curadoria mais errou do que acertou na mão. Não me leve a mal. O  Festival de Brasília não é o do Rio. Nada disso. No planalto é  diferente. Que se fodam os canapés, os globais, a social, Bárbara Borges na pré x pagando calcinha, Cláudio Assis no evento y mandando a senhora sua mãe tomar no cu, a senhora mãe da Nãna Shara tomando no dela no filme w, o Ego, a Caras, e as bundas também, a champa, o glamour, ah, o glamour, que se foda ele também: como Carlão Reinchenbach, um dos jurados, me disse, o lance de Brasília é o filme, “ainda a vedete do festival”. O problema é que, nesta edição, a 41ª, as vedetes não deram (pro gasto). Alguém apagou Luz del Fuego com um balde d’água fria. Da coroa de Carmen Miranda, só restou o abacaxi. Dercy Gonçalves veio de pernas e boca fechadas. Por lá, ninguém gostava de falar muito sobre isso, não, mas não resta dúvida de que, com festivais de cinema estourando pelo país feito prótese de silicone em bojo 34, o de Brasília – que só seleciona filmes inéditos – acabou levando a pior em 2008. Dos quatro primeiros longas (não vi Mocarzel nem Sarno), achei dois francamente ruins: Siri-ará, tão excitante quanto a lua de mel da Sandy em slow-motion e narração em off do Cid Moreira, e Ñande Guarani, um programa de índio (hehe) com seu jeitão de Globo repórter. Fiquei contente com o Candango para FilmeFobia, mas por pura falta de opção. Idéia boa gasta (quase) à toa. Como os planos que o Cebolinha montava para pegar o Sansão, sabe? Eles eram bons. Na teoria. E aí que fracassavam – mais por alguma falha na execução do que pelo mote original – e jamais ganhavam segunda chance. 

Flancamente, Blasília. Flancamente.

A quem interessar possa, meu ranking pra competição de 35mm, tudo na base da tangerinada. Primeiro dois curtas, depois o longa. Taí:

19/11

A mulher biônica, de Armando Praça. 5 tangerinas.

Que cavação é essa?, de Estevão Garcia e Luís Rocha Melo. 8 tangerinas.

O Milagre de Santa Luzia,   de Sergio Roinzenblit. 5,5 tangerinas.

20/11

Nº 27, de Marcelo Lordello. 5,5 tangerinas.

Cidade vazia, de Cássio Pereira dos Santos. 4,5 tangerinas.  

FilmeFobia, de Kiko Goifman. 7 tangerinas.

21/11

Brasília (título provisório), de Thiago de Castro. 5 tangerinas.

A arquitetura do corpo, de Marcos Pimentel. 7,5 tangerinas.

Siri-ará, de Rosemberg Cariry. 0,5 tangerinas.

22/11

Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso. 6 tangerinas.

Minami em close-up, de Thiago Mendonça. 7,5 tangerinas.

Ñande Guarani, de André Luís da Cunha. 1,5 tangerinas.  

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Don’t be a chicken

novembro 26, 2008

FilmeFobia, melangé de documentário e ficção dirigida por Kiko Goifman, lambeu o prato no 41º Festival de Brasília (levou cinco Candangos, inclusive o de Melhor Filme). A idéia – pôr atores e não-atores em confronto com suas maiores fobias, num unidunitê entre o que é real e o que não é – ganhou o júri e rendeu cenas impagáveis, como a da frota de carrinhos comandados por controle remoto, com vibradores acoplados à garupa, acelerando rumo a uma mocinha, filha de ginecologista, cheia de dedos (ah, o trocadilho) para fazer sexo. Mas o mote não tem nada de original. Quer ver só? Dá uma olhada nesta convidada de um talk show qualquer (apurar pra quê, meu Brasil?), convocada a falar sobre seu pavor de… galinhas. Esqueça Paris Hilton: as literais mesmo. Saca só: enquanto a pobre coitada explica, aos soluços, sua fobia à platéia, o telão exibe os bichos assados, estilo franguinho de padaria. Pior são os dois gaiatos, vestidos com fantasia gigante e amarela da ave maldita, que colocam para correr atrás da moça. Não cante de galo perto dela. Com a palavra, o YouTube:  

Eterna nessaem Brasila

novembro 24, 2008

E meu Festival de Brasília foi: 144 horas longe do colo da mamãe, 594 minutos de filme – 179 deles dispensáveis, 166 whatever, 249 o meu número do sapato -,  7500 ml de Bohemia long neck, 10ml de uísque comboy (eu tentei), 80 reais de preju com deslocamento no celular, 54 reais em dois livros do Lourenço Mutarelli, uma Rolling Stone a menos para ler, 196 páginas da autobiô do Obama idem, zero linhas da apostila para a prova de amanhã ibidem.

Em breve, 17 impressões.