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Então foi Natal

dezembro 26, 2008

Espero que seu Natal tenha sido soberbo, amigo leitor. Que todos os seus  sonhos tenham se neoconcretizado – com direito a Ferreira Gullar, de zíper aberto, mostrando com quantas bisnagas (já sabe: quanto mais velha, mais dura) se faz uma boa enrabanada.

Espero que seus inimigos tenham engasgado  no peru (de Natal, não o caralhinho voador). E, acima de tudo, espero que Papai Noel, esse senhor fanfarrão de coração tão grande quanto a pancinha de, ic, eggnog, tenha trazido de lambuja um 2009 mais polpudo e menos bagaceiro para vocês e para esta Tangerina que vos escreve.

Ano que vem, se Deus não quiser, tem mais. Porque aqui a gente sempre dá um jeitinho de espremer até o caroço.

E last but not least, deixo vocês com a versão roots (doravante weeds) do Presente de Natal de João Gilberto.

Era uma vez uma péssima contadora de histórias

agosto 26, 2008

O bom velhinho

Olha, tem uma coisa que você precisa saber sobre mim (som de claquete ao fundo): eu sou a pior relatora de causos que você já conheceu.

Tá, sei, exagerada, jogada a teus pés, eu sou mesmo exagerada. Mas é sério. Vou dar um exemplo. Esse final de semana fui cobrir dois dos shows mais hypados da temporada, ambos no Teatro Municipal do Rio.

Sexta foi Caetano Veloso e Roberto Carlos cantando Tom Jobim; domingo, João Gilberto, depois de cinco anos sem se apresentar no Brasil. Ambos esgotados em poucas horas. Cambista vendendo ingresso a R$700, R$800 e o escambau.

É isso aí. A felizarda blogueira que vos tecla estava lá. Baba, baby, baby, baba. E agora você me pergunta como foi. Fudeu.

Sabe, o problema todo é que, nesses momentos, viro o cigano Igor dos diálogos. A pessoa vai lá, esperando uma narrativa tomwolfiana da noite, e não consegue tirar de mim nada mais profundo que “ah, foi legal” ou “sei lá, não curti muito”, tudo proferido com o potencial dramático de Fernanda Lima recitando um prólogo shakesperiano (Romeu e Julieta 4ever, uma história de amor, 2008, Brasil).

Por isso, toda vez que alguém pergunta “e aí, Virginia, o que você achou do show?”, sinto uma vontade filá da puta de me fingir de morta, de, sei lá, inventar uma crise alérgica a alcachofra, de fazer playback usando uma opinião inteligentíssima do Nelson Motta sobre o espetáculo. O horror, o horror.

Mesmo assim, a pedidos (oi, mãe!), vou jogar algumas das minhas impressões, assim, livres, leves e soltas – e um tanto atrasadinhas (mea culpa, mea máxima culpa!) – sem o menor respeito com você, amigo de fé, irmão camarada, que espera posts fresquinhos e bem apessoados. Tomates no cesto à direita, fazendo favor.

Tantas emoções

Cotação: três e 1/2 tangerinas (máxima de cinco)

Tudo bem: o show de sexta was something to remember, foram tantas emoções, me arrepiei até o último fio do mullet, mas agora entre nós: não senti AQUELA sintonia entre os dois, não, desculpaê. Principalmente na hora dos duetos. Dessa vez achei Caetano meio duro como intérprete (“vai, Caê, faz uma robot dance pra gente, faz!”), como se não soubesse direito o que fazer com aquele corpo moreno, da cor do pecado.

Terráqueos, nós viemos em paz

Domingão do João

Cotação: quatro e 1/2 tangerinas.

A quem interessar possa: ao contrário da crendice popular, não teve essa de de João Gilberto mandar neguinho tomar o drinque preferido da Dercy, não. O engraçado é que geral passou a maior parte do show com o fiofó na mão, um patrulhando o outro com o indefectível “shhhh” a cada ranger de poltrona, como se a qualquer hora um celular com o ringtone de La cucaracha pudesse levar João a abandonar o palco (ato no qual é rescindente). Bobagem. Ele foi um amorzinho, declarou que dali não saía, dali ninguém o tirava, e até aprovou quando a platéia cantou junto Chega de saudade e Garota de Ipanema. Dava mais dez minutos no palco para ele tirar o saco vermelho e distribuir presente pra garotada. Ho, ho, ho.