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A praça é nossa

novembro 7, 2008

1213387734_foto_o_natimorto_edit21‘O natimorto’, sucesso na (jerk) off-Broadway paulistana

Há um punhado de anos, a Praça Roosevelt era uma espécie de Sapucaí da marginalia paulista. Prostituta, trafica, mendigo… em se plantando tudo dava. E dava com gosto. Daí que, à boca dos anos 00, vieram os artistas, ah, os artistas, esse povinho pra frentrex sempre disposto a dar um abraço – praticamente uma carcada – na causa cult que é ter como companheiro de calçada um morador de rua que joga cocô nos transeuntes – uma versão roots do “merda pra você!” tão caro a classe teatral, digamos assim. A primeirona a se instalar por lá foi a companhia Os Satyros, e em sua cola chegou toda sorte de bacanas sedentos a dividir idéias, copos de cerveja e quiçá algumas DSTs. A cena boêmia entrou na puberdade, se trancou no banheiro e, hoje, sai de lá como um pólo teatral alternativo já crescidinho da área.

Abre parênteses.

Bom, antes de continuarmos, acho importante dizer que eu não curto teatro. Quer dizer, nada contra a (terceira? quarta? sétima eu sei que não é) arte, claro, claro, teatro, chega mais, vamos tomar um drinque lá em cima, let’s kiss and make up. Mas em verdade vos digo, caros leitores, e não com orgulho, que minha experiência teatral não vai muito além de três, quatro peças assistidas por ano e alguns “yeah, baby, isso, vai, estou chegando lá!” na hora do bem-bom.

Fecha parênteses.

No entanto, comecei a me interessar pela Praça Roosevelt após cobrir a estréia carioca de O natimorto, com texto de Lourenço Mutarelli (O cheiro do ralo) e direção do dramaturgo mauzão Mário Bortolotto – que também marca presença no Rio com Hotel Lancaster, texto seu dirigido por Marcos Loureiro. Assumo que conhecia Mário mais por fama do que por trabalho. Afinal, o filme Minha vida não cabe num opala, baseado em peça sua, não era parâmetro dos melhores, já que o resultado não desceu na goela do cara – como o próprio me disse, em bate-papo rápido no Teatro do Leblon, “ele (o diretor da fita, Reinaldo Pinheiro) cagou para mim, quis fazer o dele em cima do meu trabalho. Encheu o roteiro de falas merdas”.

Voltando ao Natimorto, peça (simplificando aqui) sobre um sujeitinho nervoso (Nilton Bicudo) que acredita ler o futuro nas imagens bizonhas estampadas no verso do maço, correlacionando-as às cartas de tarô. Não vou me estender e muito menos me meter a besta de fazer uma crítica sobre a peça. Basta falar que o espetáculo é o número certo do sapato para qualquer um que, assim como eu, saia daqui desejando ter sido o autor da frase genial que colo abaixo, do ‘Agente’, o protagonista do espetáculo. Take care.

Alguém me disse que a vida é uma doença fatal… e sexualmente transmissível.

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