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Todos os cães merecem o céu

setembro 5, 2008

Ele não era cachorro, não, mas esse galho a gente quebra, Chefia?

Por anos especialistas vêm defendendo a tese de que nossa razão de ser – ou não ser corno – se canaliza neste tão doído naco que une braço e antebraço.

Pois ontem o mundo perdeu um de seus maiores chifrólogos, o cantor popular Waldick Soriano, morto aos 75 anos.

Imagino imediatamente uma ABL que funcionasse como legítimo reduto do homem do povo, com B de Brega piscando em néon, letras sem o menor pudor em rimar “coração” com “solidão” e o intérprete de Eu não sou cachorro não ocupando a cadeira 42 – o contrário da 24 porque Waldick chora mas é macho pra caralho.

Vai deixar saudade. RIP.

O Waldick era cafona, sim, mas os Beatles também eram. (Benito de Paula, para o Caderno B, Jornal do Brasil)

Se falar com o povão, 10% conhecem Tom Jobim e 90%, Waldick. (Reginaldo Rossi, para o Caderno B, Jornal do Brasil)

ET… phone… home

setembro 2, 2008

A pedido da chefa (da série “quantos elefantes cabem em um fusca? e no cu da estagiária?”), lá fui eu fazer uma coluna inteira de Michael Jackson, sexta passada, quando rolou Caderno B especial pro MJ (o novo cinquentão do pedaço). Vou postar aqui por não ter nada melhor a oferecer. Mas também, vamos combinar: se você está aqui, não deve ter mais o que fazer. Estamos kitsches?

Ah, se todo branco fosse assim…

“Áu!”, diriam os milhões de fãs de Michael Jackson, caso alguém viesse com este lengalenga de o homem ter pisado na lua em 1969. Para os súditos do rei do pop, a big opening no cafofo de São Jorge aconteceria 14 anos mais tarde, quando 50 milhões de norte-americanos acompanharam pela TV, no especial do 25° aniversário da gravadora Motown, o cantor apresentar pela primeira vez o passo que se tornaria sua marca registrada: o moonwalk (algo como “andar sobre a lua”). 

De lá pra cá, a coisa ficou preta. Quer dizer, nem tanto. Ex-criança prodígio do grupo The Jackson Five, em tempos que foram comprar cigarro para nunca mais voltar, Michael viu sua carreira chafurdar em polêmicas. E ele fez a fama e deitou na cama, ou melhor, na maca, submetendo-se a um sem-fim de cirurgias – no corpo e no espírito – para personificar o slogan de um famoso sabão em pó, que “lava mais branquinho”.

Algumas excentricidades – verdadeiras ou não – são velhas conhecidas do público e rebobinam a 1977, ano em que Michael participou de The wiz, versão de O mágico de Oz com elenco negro, estrelada por Diana Ross

De tão afeiçoado ao papel, reza a lenda que o jovem desfilaria pela casa com a roupa do espantalho.

Outra colherada de fermento na fama de Wacko Jacko – o apelido é cortesia dos tablóides ingleses – foi adicionada com rumores de que o astro dormia dentro de uma bolha (para se manter jovem) e tomava hormônios para manter a vozinha aguda (“áu!”, lembra?).

Além disso, Michael teria pago um caminhão do Faustão em dólares para adquirir os ossos de John Merrick, o Homem Elefante, e guardaria parte do nariz extirpado em um jarro no banheiro.  

Os causos mais irreverentes do popstar são bê-á-bá da enciclopédia pop. E lo Jackson, veja só, pode até ter lançado moda com sua extensa coleção de bizarrices.

A coluna destacou algumas celebridades que, involuntariamente (ou não), se inspiraram no rei para protagonizar momentos dignos do clipe de terror Thriller.    

O reino de Narizinho

“Eu ouvi dizer que volta e meio ele tem que drenar alguma coisa no nariz por aquele buraco.”

Assim Glória Maria opinou sobre o enigma da esfinge que é o nariz (ou a falta dele) de Michael, em reportagem do Fantástico, sobre a durante a gravação do clipe They don’t care about us, em 1996, no Morro Dona Marta.

A versão mais recorrente é a de que o cantor tentou apagar os vestígios do nariz grande e achatado com uma série de cirurgias plásticas – uns dizem que para ficar mais parecido com a diva Diana Ross, outros, para apagar semelhanças com o pai, Joe Jackson, com quem não teve a melhor das relações.

No Brasil, quem ficou a cara de Jacko foi a atriz Vanessa Gerbelli, após cirurgia para consertar “uma desarmonia sutil no rosto”.

Frankenstein pop

Certeza, ninguém tem. Mas, analisando fotografias, especialistas contabilizaram em mais de 50 o número de intervenções cirúrgicas que fizeram de Michael um ser com passaporte digno de Marte.

Por aqui, caso de Guiness é Ângela Bismarck, com 45 cirurgias nas costas (e na face, nos seios etc).

A modelo teria, inclusive, dando sentido à máxima pop like a virgin ao reconstituir o hímen na mesa de operação – mimo para o marido-cirurgião plástico (elementar) Wagner Moraes.

Fez, ainda, plástica nos olhos para ganhar feições japas, em prol do enredo da Porto da Pedra (escola da qual foi Rainha de Bateria no último carnaval) sobre os 100 anos de imigração nipônica. Então tá, ?  

Síndrome de Peter Pan

Ele poderia ter sido simplesmente reconhecido como o cantor que, depois de James Brown, emplacou mais hits no Top 100 Billboard (foram 13 primeiros-lugares, contra 17 do papa da soul music). Mas não é a fama, e sim a infâmia que tem falado em decibéis mais altos.

A ópera começa em 1993 (quando os pais do menor Jordie Chandler o acusaram de molestar o menino sexualmente, mas desistiram do processo graças a um polpudo acordo financeiro) e não terá direito a resumo nos anos seguintes.

Em 2005, MJ foi absolvido de outra acusação de pedofilia. Mas não dá para deletar a mancha na imagem do astro que volta e meia se compara a Peter Pan e, no semestre passado, conseguiu reaver, após perrengues financeiros, seu famoso Rancho Neverland (“Terra do Nunca”, lar do menino cujo sonho era permanecer eternamente  jovem), na Califórnia.

Outras estrelas também têm capítulo neste livro negro da história. O polonês Roman Polanski não foi buscar o Oscar de melhor diretor, ganho em 2003 por O pianista, já que não pode pisar em solo americano desde que foi acusado de se relacionar com uma garota de 13 anos.

Antes de namorar Pelé e de virar a rainha dos baixinhas, a (então jovem) Xuxa Meneghel participou, ao lado de Vera Fischer, do filme Amor estranho amor, no qual simulou cenas de sexo com um menino de 12 anos.

Mais recentemente, há duas semanas, o roqueiro britânico Gary Glitter foi deportado do Vietnã, onde cumpria pena por abusar sexualmente de duas meninas (9 e 12 anos), para a Grã-Bretanha.  

Sweet sixteen

Em tempo: a teen Mallu Magalhães, feita sensação indie com apenas 15 anos, também aniversariou sexta-feira (faz 16). Piada pronta não vale…     

Pais e filhos

No dia 19 de novembro de 2002, o popstar apareceu na sacada de um hotel berlinense sacudindo o terceiro herdeiro, Prince Michael Jackson II, para desespero dos fãs e alegria dos paparazzi.

No mês passado foi a vez de outra freqüentadora da realeza do pop receber um pito da opinião pública. A (ex-)princesinha Britney Spears foi flagrada de bíquini e o cigarro indefectível em mãos, enquanto o filho mais velho – cuja guarda definitiva pertence ao pai, Kevin Federline – brincava com o maço e o isqueiro largados na mesa pela mamãe distraída.

Em 2006, Brit foi flagrada com o filho Sean, de cinco meses, ao colo. A cena poderia ser fofa, se ela não estivesse ao volante de um carro em movimento.     

É terrir pra não dançar

No ano passado, a famosa dancinha de Thriller foi encenada por 1.500 presos filipinos, todos vestidos de macacões laranjas. O balé pop já rendeu quase 18 milhões de acessos no YouTube.

Educandário Shirley Temple

Da série “bons tempos que não voltam mais”: o bonitinho e saudável Michael impressionava meio mundo, aos cinco anos, soltando gogó e quadris à frente do J5, banda formada com irmãos mais velhos.

No Brasil, a menina Maísa, aos cinco anos (hoje tem seis), ganhou fama como o gatilho mais rápido no mundo dos apresentadores.

No programa Sábado animado, do SBT, ela disparou, ao vivo, frases como “opa, tô bêbada” (após tropeçar no palco) e “posso colocar na bunda?” (o microfone, que estava escapolindo), além de mostrar pouca paciência com os espectadores mirins que telefonam para o programa. Conquistou rapidinho a atenção do patrão Sílvio Santos – a quem chamou de “idoso” e tudo. Ah, essa menina. Vai longe.  

Padedê de arroz

Michael Jackson foi um dos primeiros negros a entrar pela porta da frente da indústria pop. Mas vai sair dela tão ou mais branco do que os noruegueses do A-ha.

O cantor já se defendeu alegando ser culpa do vitiligo, doença que afeta a pigmentação da pele, a cútis branquinha. São poucos os que compram a balela.

Há dois meses, a imprensa diagnosticou uma certa “síndrome de MJ” em Beyoncé.

Tudo por causa de um anúncio da L’oréal, no qual a cantora (com o porquinho US$ 4,7 milhões mais gordo) aparece com a pele alvinha – vítima não da faca, e sim do Photoshop de mão pesada. Ela se defendeu afirmando que não autorizou retoques tão radicais, mas os lenhadores da fogueira lembraram da cabeleira alisada, que, há muito, não quer saber do pente que te penteia.    

Era uma vez uma péssima contadora de histórias

agosto 26, 2008

O bom velhinho

Olha, tem uma coisa que você precisa saber sobre mim (som de claquete ao fundo): eu sou a pior relatora de causos que você já conheceu.

Tá, sei, exagerada, jogada a teus pés, eu sou mesmo exagerada. Mas é sério. Vou dar um exemplo. Esse final de semana fui cobrir dois dos shows mais hypados da temporada, ambos no Teatro Municipal do Rio.

Sexta foi Caetano Veloso e Roberto Carlos cantando Tom Jobim; domingo, João Gilberto, depois de cinco anos sem se apresentar no Brasil. Ambos esgotados em poucas horas. Cambista vendendo ingresso a R$700, R$800 e o escambau.

É isso aí. A felizarda blogueira que vos tecla estava lá. Baba, baby, baby, baba. E agora você me pergunta como foi. Fudeu.

Sabe, o problema todo é que, nesses momentos, viro o cigano Igor dos diálogos. A pessoa vai lá, esperando uma narrativa tomwolfiana da noite, e não consegue tirar de mim nada mais profundo que “ah, foi legal” ou “sei lá, não curti muito”, tudo proferido com o potencial dramático de Fernanda Lima recitando um prólogo shakesperiano (Romeu e Julieta 4ever, uma história de amor, 2008, Brasil).

Por isso, toda vez que alguém pergunta “e aí, Virginia, o que você achou do show?”, sinto uma vontade filá da puta de me fingir de morta, de, sei lá, inventar uma crise alérgica a alcachofra, de fazer playback usando uma opinião inteligentíssima do Nelson Motta sobre o espetáculo. O horror, o horror.

Mesmo assim, a pedidos (oi, mãe!), vou jogar algumas das minhas impressões, assim, livres, leves e soltas – e um tanto atrasadinhas (mea culpa, mea máxima culpa!) – sem o menor respeito com você, amigo de fé, irmão camarada, que espera posts fresquinhos e bem apessoados. Tomates no cesto à direita, fazendo favor.

Tantas emoções

Cotação: três e 1/2 tangerinas (máxima de cinco)

Tudo bem: o show de sexta was something to remember, foram tantas emoções, me arrepiei até o último fio do mullet, mas agora entre nós: não senti AQUELA sintonia entre os dois, não, desculpaê. Principalmente na hora dos duetos. Dessa vez achei Caetano meio duro como intérprete (“vai, Caê, faz uma robot dance pra gente, faz!”), como se não soubesse direito o que fazer com aquele corpo moreno, da cor do pecado.

Terráqueos, nós viemos em paz

Domingão do João

Cotação: quatro e 1/2 tangerinas.

A quem interessar possa: ao contrário da crendice popular, não teve essa de de João Gilberto mandar neguinho tomar o drinque preferido da Dercy, não. O engraçado é que geral passou a maior parte do show com o fiofó na mão, um patrulhando o outro com o indefectível “shhhh” a cada ranger de poltrona, como se a qualquer hora um celular com o ringtone de La cucaracha pudesse levar João a abandonar o palco (ato no qual é rescindente). Bobagem. Ele foi um amorzinho, declarou que dali não saía, dali ninguém o tirava, e até aprovou quando a platéia cantou junto Chega de saudade e Garota de Ipanema. Dava mais dez minutos no palco para ele tirar o saco vermelho e distribuir presente pra garotada. Ho, ho, ho.

You scream, I scream, we all scream for ice cream

agosto 12, 2008

 Oe, oe, oe, ele é mais caps que você

Screamin’ Jay Hawkins (1929-2000) era CAPS muito antes de você nascer, queridinha.

O bluesman americano era como o irmão gêmeo (malvado?) que Zé do Caixão pediu a Deus – ou ao Diabo, a gosto do freguês. Nos shows, saía de dentro de um caixão, sempre com um crânio flamejante chamado Henry a tiracolo. E, assim como o coveiro fã de groselha do cineasta José Mojica Marins, Hawkins não dava descanso para seu DNA. Teve várias mulheres e, já no leito de morte, liberaria um Rosebud em particular: era o papai orgulhoso (?) de supostos 57 filhos (há quem suba esse número para 75), a maioria espalhada mundão afora. Para localizá-los, a biógrafa do cantor, Maral Nigolian, chegou a lançar um site na ocasião – o jaykids.com, já fora do ar.

Eu vim a este mundo pelado, preto e feio. Pretendo cair fora daqui da mesma forma. Eu não sou um homem bonito; pessoas  já se desviaram do caminho para fugir de mim. Mas isso não importa. A  única coisa com a qual me preocupo é a sua felicidade. Enquanto eu puder fazê-los sorrir, minha missão estará cumprida.            

Outra info relevante: a música I put a spell on you, imortalizada na voz de Nina Simone, é de SJH, gravada pela primeira vez em fevereiro de 1956. Embora as duas versões dividam cama (ui) no meu Top 10 Músicas Pra Vida, a performance original (trilha de Estranhos no paraíso, aliás), com todos os gritinhos e gemidos a que tem direito, ganha a maior parte da coberta. Quem me conhece sabe do meu gosto musical peculiar, e essa aí do SJH, vamos combinar, põe no bolso a chave do quarto 666 na Casa da Mãe Joana. Sua opinião pessoal sobre a obra de SJH você forma aqui: