Posts Tagged ‘woody allen’

Introdução à história do cinema*

março 26, 2009

*ou Tudo o que você nunca quis saber sobre cinema e sempre teve coragem de não perguntar

Já que citei Woody no post anterior, aqui vai um texto de 2005, quando o estilo alleniano era meu pastor… needless to say: FAIL.

Neste primeiro módulo, ensinar-se-á como a retaguarda audiovisual europeia se debruçou nos clichês mais inusitados e nos lugares-comuns menos visitados para alçar nomes como John-Luke Godard e Frank Truffaut à Imortalidade, um lugar especialmente agradável para quem está em dia com o aluguel e satisfeito com a cor de seu cabelo.

O caixeiro-viajante será um personagem bastante radiografado por aqui. Figura popular em países altamente impopulares, ele imprimiu forte fascínio em toda uma geração de artistas, literatos e vendedores de enciclopédia. Sua história de vida já inspirou tramas inesquecíveis, como os épicos E o Correio Levou… e Minha Vida de Inseto, ambas dirigidas por Alfred E. Newman, cineasta talentoso porém amargurado pela crescente suspeita de que sua mulher o traía com seu eu lírico toda vez que ele saía para comprar alcachofras.

Croach Fiction – Tempos de Correspondência talvez seja o mais belo expoente do movimento retaguardista, cujo principal conceito-fetiche é o uso de guaxinins enraivecidos para o papel da mocinha. O longa-metragem foi filmado em pleno Morro dos Ventos Uivantes – point mais badalado dos alternativos desde de que se descobriu que o ar da Colina das Brisas Sibilantes só era próprio para algumas espécies mais prosaicas de vida, como bactérias, arbustos e high schools americanos.

O corpo docente não deixa margem de dúvida quanto à excelência de seus catedráticos, começando pelo próprio diretor do curso, Andrrré Bazãn, fundador do histórico Cahiers du Cinemá e peso-pesado em todos os sentidos: não bastasse ser dono de uma perícia cinematográfica sem igual, ostenta ainda uma compleição física capaz de comportar uma gêmea Olsen em cada perna.

Air-Bargman, cineasta e sociólogo dedicado ao estudo de hábitos culturais e marchinhas de carnaval suecas nas horas vagas, é o responsável pela cadeira de Sociologia, Hábitos Culturais e Marchinhas de Carnaval Suecas nas Horas Vagas. Infelizmente, o mais provável é que a turma perca a maior parte de sua fala por causa do lendário problema fonodiólogo, que faz com que ele só consiga lecionar suas aulas aos gritos e sussurros. (O mais intrigante é o fato de sua audição ser, particularmente, bastante sensível, visto como toda vez que um aluno emite qualquer tipo de som da aula, ainda que para respirar ou recitar o refrão de I Will Survive em turco, ele imediatamente o xinga de Smultronstället e deixa a sala desabalado em ritmo de marcha atlética.)

Outro cineasta que costumava dar as caras por lá era Roman Polanski, a cargo do módulo sobre a decupagem de menores. Contudo, ele foi obrigado a abandonar a carreira por motivos de uma força menor de idade.

É claro que muitos outros nomes importantes já circularam pelos corredores da faculdade, mas a verdade é que, desde a última grande crise entre Bazãn e seu sanduíche de carne, que se recusava a ser chamado de hamburguer por uma nova geração de estudantes americanófilos, grande parte dos professores se aposentou. Acabaram em Hollywood, onde filmariam documentários sobre o acasalamento entre espécies completamente distintas do mundo do espetáculo, como estrelas de cinema e os Oscares de Melhor Efeito Especial e Edição de Som de 1996.

Até o fim do período, o aluno terá mudado para sempre sua relação com a Sétima Arte.  A começar pela capacidade recém-adquirida de citar a filmografia de Pasolini de trás para a frente e pulando numa perna só – o que no futuro lhe renderá, rigorosamente, nenhum sexo e algumas bolinhas de papel numa roda de discussão. O estudante passará da condição de iniciante para iniciado, conquistando, assim, o direito de desferir opiniões consideradas válidas pela Academia.

As regras básicas são: nunca deixar de falar mal do cinema hollywoodiano e passar manteiga no sapato de outros cinéfilos como prova de superioridade. Mas sem dúvida a maior lição a se aproveitar após um semestre de curso será a revelação de que a vida pode até ser curta; um filme de Fellini, contudo, nunca o é.

zepexercritica

Entendeu ou quer que Arnaldo Branco desenhe?

Vira a página

março 26, 2009

Olá. Você vem sempre por aqui?

Pois eu tomei um belo porre de vergonha na cara e resolvi dar uma passadinha.

E é com coração mais apertado que cinta-liga na Vila Mimosa que vos digo: babou-se o que era douce.  @annavirginia is no longer following RJ on Twitter. Virei paulista. Troquei Santa Teresa por Consolação – e as piadinhas sobre consolo (opa) toda noite a blogueira dispensa. 

As condições, é verdade, por ora capengam. Exemplo: ainda sem computador em casa. Janto Miojo. Nos dias de sorte. E nem dá para dizer que “sou pobre mas sou limpinha” – do meu chuveiro, afinal, só sai água gelada. E fedida. Já experimentou se banhar em chuveirinho improvisado com mijo de Shrek nos confins da Sibéria? Algo por aí. Que venha o inverno.   

Sim, sim, eu danço cancan na cara do perigo. Mas a vida dura não dura para sempre – a não ser que você seja a Sylvia Saint e tope numa boa a vida ereta como ela é. Em breve compro meu laptop e, ao menos por aqui, dou mais as caras.  

Enquanto isso, saboreiem o novo conto de Woody Allen para a New Yorker, sobre um sujeitinho que certo dia cai morto e  reencarna como lagosta.  Para abrir o apetite, go Woody:   

Era seu destino cruel ser delicioso, virar o Especial do Dia, junto com batata assada e sobremesa. (…) Naquele momento, quem entra no restaurante e senta numa mesa próxima se não Bernie Madoff? (…) P.S.: tive um ataque cardíaco que pôde ser registrado em um laboratório de oceonografia de Tóquio.